AGRONEGÓCIO
Reforma tributária deve transformar atuação das tradings no Brasil e acelerar novo modelo de negócios
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O avanço da reforma tributária no Brasil e a redução progressiva dos incentivos estaduais de ICMS estão promovendo uma mudança estrutural no setor de comércio exterior. O novo cenário tende a redesenhar o modelo de atuação das tradings, que historicamente se apoiaram em benefícios fiscais para garantir competitividade.
Com a diminuição dessas vantagens, especialmente em estados como Santa Catarina, empresas do setor passam a enfrentar um ambiente mais desafiador, exigindo reposicionamento estratégico e maior eficiência operacional.
Modelo baseado em incentivo fiscal perde força no país
A redução escalonada dos incentivos impacta diretamente as margens das operações e coloca em xeque estruturas construídas com foco prioritário na economia tributária.
Segundo especialistas do setor, o modelo tradicional tende a perder relevância nos próximos anos, exigindo uma mudança de mentalidade por parte das empresas.
“A discussão não é mais se o incentivo fiscal vai acabar, mas como as tradings vão se reposicionar diante dessa nova realidade”, avalia Plínio Dias, executivo do setor.
Serviços integrados e inteligência logística ganham protagonismo
Diante do novo cenário, a competitividade das tradings passa a depender da capacidade de oferecer soluções completas ao cliente, indo além da intermediação fiscal.
Entre os principais diferenciais apontados pelo mercado estão:
- coordenação de embarques internacionais
- gestão de documentação e compliance
- controle de qualidade e testes técnicos
- estruturação financeira e financiamento
- monitoramento da cadeia logística
- distribuição nacional com flexibilidade portuária
A tendência é que empresas capazes de integrar essas soluções consigam reduzir custos operacionais dos clientes e aumentar a eficiência das operações.
Decisão logística substitui estratégia tributária
Com o enfraquecimento dos incentivos estaduais, a escolha sobre onde internalizar mercadorias tende a deixar de ser baseada em benefícios fiscais e passar a considerar fatores estratégicos, como:
- custo logístico
- prazo de entrega
- eficiência operacional
- acesso a portos e modais
Esse movimento amplia a flexibilidade das operações e permite melhor aproveitamento da infraestrutura logística nacional.
Tecnologia e automação impulsionam competitividade
A digitalização surge como elemento central nesse novo modelo. Investimentos em tecnologia, automação e inteligência artificial têm permitido ganhos significativos de eficiência.
Processos que antes demandavam horas passam a ser realizados em minutos, reduzindo riscos operacionais e aumentando a capacidade de processamento das tradings.
Esse avanço tecnológico se torna um diferencial competitivo decisivo em um ambiente com menor margem tributária.
Consolidação do setor deve acelerar nos próximos anos
O novo cenário também aponta para um movimento de consolidação no mercado. Empresas com maior estrutura financeira e capacidade de investimento tendem a ampliar participação.
Por outro lado, tradings que dependem exclusivamente de incentivos fiscais precisarão se reinventar para permanecer competitivas.
Novo perfil: tradings como ecossistemas de comércio exterior
A tendência é que o setor evolua para um modelo baseado em integração de serviços, inteligência de supply chain e eficiência operacional.
Empresas que atuam como plataformas completas de comércio exterior, oferecendo soluções ponta a ponta, devem se destacar em um ambiente onde a competitividade estará menos ligada a benefícios fiscais e mais à capacidade estratégica.
O fim gradual dos incentivos fiscais marca uma virada no setor de tradings no Brasil. A nova realidade exige inovação, eficiência e integração de serviços, consolidando um modelo mais sofisticado e orientado à geração de valor. Nesse cenário, empresas que anteciparem a transformação terão vantagem competitiva e maior capacidade de crescimento no mercado global.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais
As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.
A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.
O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.
No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.
Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.
A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.
Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.
O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.
Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.
Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.
Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.
A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.
Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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