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Reforma tributária: nova norma técnica exige atenção do agronegócio para adaptação em 2026

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Setor agro se prepara para mudanças fiscais com a reforma tributária

Com a aproximação da primeira etapa da reforma tributária, prevista para entrar em vigor em 2026, o agronegócio inicia uma fase de ajustes e atenção redobrada às novas regras. A recente publicação de uma norma técnica trouxe orientações sobre a inclusão dos novos tributos nas notas fiscais eletrônicas, marcando o início do processo de adequação dos sistemas fiscais do setor.

A partir de janeiro de 2026, dois dos três novos impostos — o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) — deverão ser informados no XML das notas fiscais, arquivo digital que contém todos os dados oficiais da operação comercial. Já o Imposto Seletivo (IS), voltado a desestimular o consumo de produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas e combustíveis fósseis, começará a valer em 2027.

Nova estrutura substitui tributos atuais

Segundo as diretrizes da reforma, o IBS substituirá o ICMS e o ISS, enquanto a CBS unificará PIS e Cofins. O IS, por sua vez, funcionará como um imposto adicional ao IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

Embora o consumidor visualize apenas o DANFE — documento auxiliar da nota fiscal —, é o XML que serve de base para validação e fiscalização por parte das Secretarias da Fazenda.

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Exigência técnica é flexibilizada, mas alerta permanece

Inicialmente, a ausência dos campos relativos ao IBS e à CBS impediria a emissão das notas fiscais. No entanto, uma revisão recente da norma técnica, publicada no início de dezembro, flexibilizou a exigência: as notas poderão ser emitidas mesmo sem essas informações, ainda que de forma temporária.

Apesar disso, a legislação continua em vigor, e o descumprimento pode gerar penalidades futuras, alerta Munique Lopes, Product Owner Contábil Fiscal da Agrotis, empresa especializada em soluções de gestão para o agronegócio.

“A reforma é gradativa e 2026 funcionará como um período de teste. Os novos tributos ainda não serão cobrados, mas precisam constar no XML, mesmo que de maneira informativa. É melhor se preparar agora do que enfrentar problemas anos depois”, reforça Munique.

2026 será um ano de diagnóstico e organização interna

A especialista ressalta que a reforma tributária passará por ajustes até 2032, exigindo acompanhamento constante por parte das empresas. “Cada mês traz uma nova atualização técnica. Quem se antecipar estará mais protegido e entenderá melhor seus custos tributários”, explica.

Para ela, o agronegócio deve encarar 2026 como um ano de diagnóstico, com foco na revisão de produtos, sistemas e classificações fiscais. “Estamos lidando com novos códigos e regras. Empresas, cooperativas e produtores precisam revisar suas bases para evitar riscos fiscais ou distorções de custo no futuro”, complementa.

Impacto potencial nos preços de insumos agrícolas

Um dos principais pontos de atenção do setor é o possível impacto da reforma nos preços de insumos agrícolas, como fertilizantes, defensivos e sementes. Com a revisão gradual dos benefícios fiscais, há expectativa de mudanças na carga tributária desses produtos.

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Mesmo assim, Munique destaca que ainda é cedo para fazer projeções:

“As alíquotas não estão totalmente definidas. No caso dos defensivos, há discussões sobre o enquadramento no imposto seletivo, mas nada foi consolidado. Por enquanto, não é possível afirmar se os preços vão subir ou cair”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Colheita passa da metade, mas chuva atrasa máquinas e aumenta risco de perdas

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A colheita do milho safrinha entrou na segunda metade no Brasil, puxada pelo avanço das máquinas em Mato Grosso. O ritmo nacional, entretanto, continua abaixo do registrado no ano passado, enquanto chuvas e elevada umidade dos grãos dificultam os trabalhos no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

O último levantamento consolidado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostrava 49,8% da área colhida até 18 de julho, ante 55,5% no mesmo período de 2025 e uma média de 56,7% nos últimos cinco anos. Dados estaduais divulgados posteriormente indicam que o País já ultrapassou a metade da área, embora ainda não exista um novo percentual nacional consolidado.

A segunda safra concentra aproximadamente 77% de todo o milho produzido no Brasil. A Conab estima uma colheita de 109,43 milhões de toneladas, dentro de uma produção total de 141,7 milhões de toneladas, considerando também as safras de verão e a terceira safra.

Mato Grosso está mais próximo de concluir os trabalhos. Até sexta-feira (24), os produtores haviam retirado o cereal de 90,66% da área, avanço de 11,74 pontos percentuais em uma semana. O índice supera ligeiramente os 90,37% observados no mesmo período do ano passado, mas permanece abaixo da média de 92,68% dos últimos cinco anos.

No Médio-Norte mato-grossense, principal polo produtor do cereal, a colheita chegou a 98,03%. Mantido o ritmo atual e sem novas interrupções climáticas, o Estado deverá encerrar a maior parte dos trabalhos entre o fim de julho e o início de agosto.

Mato Grosso deve colher um recorde de 57,06 milhões de toneladas, mais da metade de todo o milho segunda safra previsto pela Conab para o Brasil. A produtividade estadual foi estimada em 128,64 sacas por hectare, resultado favorecido pelo desempenho das lavouras do Médio-Norte.

A situação é diferente no Paraná. A colheita havia alcançado 29% da área no início da última semana, ante 40% no mesmo período de 2025 e 67% em 2024. Além do plantio mais tardio, as chuvas recentes impediram a entrada das máquinas em várias propriedades e mantiveram elevada a umidade dos grãos.

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O Paraná deverá concentrar a retirada do milho durante agosto. Parte dos trabalhos poderá avançar por setembro, especialmente nas áreas implantadas mais tarde. O Estado cultiva aproximadamente 2,9 milhões de hectares e espera colher cerca de 17,4 milhões de toneladas na segunda safra.

As precipitações da semana passada reduziram o ritmo, mas ainda não há confirmação de perdas expressivas provocadas diretamente pelas chuvas. Segundo técnicos do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), o principal efeito observado até agora é operacional. O excesso de umidade impede a colheita e aumenta os gastos com secagem, mas a extensão de eventuais danos dependerá do tempo de permanência do milho maduro no campo.

Quanto maior a demora, maior o risco de germinação dos grãos na espiga, ocorrência de fungos, tombamento das plantas e redução do padrão comercial. A umidade também pode provocar filas nos armazéns e limitar o recebimento das cargas, sobretudo quando muitos produtores retomam a colheita ao mesmo tempo após a abertura do tempo.

Em Mato Grosso do Sul, a retirada do cereal chegou a 15,8% da área até 17 de julho, ante 8,2% na semana anterior. Apesar da aceleração, o Estado permanece atrás do ritmo da safra passada. As chuvas registradas desde junho elevaram a umidade dos grãos e retardaram a entrada das máquinas.

A produção sul-mato-grossense está estimada em 11,14 milhões de toneladas, cultivadas em 2,2 milhões de hectares. Historicamente, a colheita ganha força na segunda quinzena de julho e atinge o pico entre o fim deste mês e o início de setembro. Por isso, o atraso atual ainda pode ser parcialmente recuperado se houver uma sequência de dias secos.

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Goiás havia colhido 28% da área até 18 de julho. No Estado, a maior preocupação não está apenas no calendário. Períodos de estiagem registrados em abril e maio atingiram as lavouras durante fases importantes do desenvolvimento e reduziram o potencial produtivo em diferentes regiões.

A falta de chuva também afetou áreas de Minas Gerais, São Paulo e Piauí. Nesses locais, a colheita deverá confirmar perdas provocadas por espigas menores, falhas no enchimento dos grãos e redução da produtividade. O impacto varia conforme a época de plantio e o estágio em que cada lavoura enfrentou o déficit hídrico.

No Rio Grande do Sul, os temporais da última semana causaram alagamentos e danos em mais de 200 municípios. O impacto sobre a produção nacional de milho, porém, tende a ser limitado porque o Estado concentra sua produção na primeira safra, que já havia sido praticamente concluída antes das chuvas. Os maiores riscos imediatos estão nas estradas rurais, nas estruturas das propriedades e nas culturas de inverno.

Pelo calendário dos principais estados produtores, a maior parte da segunda safra brasileira deverá ser retirada até o fim de agosto. Áreas implantadas mais tarde no Paraná, em Mato Grosso do Sul e em partes do Matopiba poderão permanecer no campo durante setembro.

O volume final continuará elevado, mas a diferença entre as regiões será significativa. Mato Grosso caminha para uma colheita recorde e praticamente concluída, enquanto produtores de outros estados ainda enfrentam atraso, umidade excessiva ou perdas causadas pela estiagem.

Fonte: Pensar Agro

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