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Relatório do Itaú BBA aponta queda nos preços do milho e expectativa de ajustes no mercado global

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Preços do milho registram queda em janeiro

O relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, aponta que janeiro foi marcado por ajustes nos preços do milho tanto no mercado brasileiro quanto internacional. A combinação entre produção elevada, estoques confortáveis e o avanço da colheita pressionou as cotações nas principais praças.

Após quatro meses consecutivos de alta na Chicago Board of Trade (CBOT), o milho apresentou recuo de 2%, sendo negociado a USD 4,32/bushel. Mesmo com exportações americanas acima das expectativas, o recorde de produção mantém o equilíbrio entre oferta e demanda. No início de fevereiro, o movimento de baixa persistiu, com nova desvalorização de 1%, para USD 4,28/bushel.

Mercado interno também registra retração

No Brasil, o cenário foi semelhante. Em Sorriso (MT), os preços do milho caíram 1% em janeiro, chegando a R$ 51/saca, influenciados pela queda na CBOT, pela valorização do real e pela maior oferta no mercado interno com o início da colheita da soja.

Além disso, os altos estoques de passagem da safra 2024/25 contribuíram para o recuo das cotações. Já em fevereiro, a pressão se intensificou, levando o preço a R$ 47,20/saca, uma queda de 7,8% em relação ao mês anterior.

Plantio da 2ª safra avança com leve atraso

O relatório mostra que o plantio da 2ª safra de milho começou com ritmo um pouco abaixo da média dos últimos cinco anos, mas ainda dentro da janela ideal. Cerca de 22% da área projetada já foi semeada, contra uma média histórica de 25,5%.

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O Mato Grosso, principal estado produtor, apresenta 37% da área plantada. A expectativa é que cerca de 70% do plantio ocorra em fevereiro, o que concentra o período crítico das lavouras entre abril e maio — meses que exigem boas condições de chuva para garantir produtividade.

De acordo com o Itaú BBA, o atraso no início do plantio foi causado pelo excesso de chuvas em janeiro, o que impediu maior avanço das máquinas no campo.

Expectativas para o mercado americano

O mercado internacional acompanha de perto os sinais da próxima safra dos Estados Unidos, especialmente no que diz respeito à definição da área de plantio e à relação entre os preços da soja e do milho.

O relatório de fevereiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos mostrou poucas mudanças no balanço global: o consumo cresceu 0,1%, e os estoques finais caíram de 291 para 289 milhões de toneladas, redução de 0,7%.

Mesmo com a safra recorde americana, estimada em 432 milhões de toneladas, a temporada 2025/26 deve encerrar com estoques 1,8% menores em comparação à safra anterior.

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Exportações em alta, preços sob pressão

O USDA revisou para cima as exportações americanas, agora projetadas em 83,8 milhões de toneladas, aumento de 2,5 milhões. Como resultado, os estoques finais de 2025/26 foram ajustados para 54 milhões de toneladas — ainda assim, 37% acima do volume da temporada anterior.

Esse cenário indica pressão sobre os preços no curto prazo, mesmo com sinais de equilíbrio gradual no mercado global.

Soja ganha vantagem na relação de preços

Enquanto a soja registrou alta nas cotações da CBOT, o milho manteve estabilidade, o que tornou a relação entre os dois grãos mais favorável à oleaginosa. Atualmente, os contratos de soja (nov/26) e milho (dez/26) operam em uma média histórica de 2,4 sacas de milho por saca de soja, tendência que deve estimular o produtor americano a ampliar o cultivo de soja na safra 2026/27.

Outros fatores que podem influenciar as decisões de plantio incluem o aumento no custo dos fertilizantes nitrogenados e a necessidade de rotação de culturas. A primeira estimativa oficial para a próxima safra dos Estados Unidos será divulgada em 20 de fevereiro, durante o USDA Outlook Forum.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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