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Safra 2024/25: Mato Grosso e Brasil registram produção recorde de grãos

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Mato Grosso deve fechar a safra 2024/25 com 111,9 milhões de toneladas de grãos, um crescimento de 18,7% em relação à temporada anterior, consolidando o estado como o maior produtor nacional. O aumento é resultado da expansão da área cultivada, que passou de 21,6 milhões de hectares para 22,3 milhões, e da produtividade, que subiu de 4.349 para 5.020 quilos por hectare, alta de 15,4%.

O milho, principal grão do estado, teve produção de 55,1 milhões de toneladas, crescimento de 12,9%. A soja alcançou 51,3 milhões de toneladas, aumento de 26,9%, enquanto o algodão registrou crescimento de 8,3%, chegando a 4 milhões de toneladas de caroço e 2,8 milhões de toneladas de pluma. O arroz destacou-se com alta de 59,1%, totalizando 537,1 mil toneladas. Sorgo e feijão também apresentaram resultados positivos, consolidando a safra recorde da série histórica em Mato Grosso.

Safra nacional de grãos atinge novo recorde

A produção nacional de grãos no ciclo 2024/25 é estimada em 350,2 milhões de toneladas, superando as 324,36 milhões de toneladas da temporada 2022/23, com crescimento de 16,3% ou 49,1 milhões de toneladas. Milho, soja, arroz e algodão são responsáveis por cerca de 47 milhões de toneladas desse aumento.

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O crescimento é atribuído à expansão de 1,9 milhão de hectares na área cultivada — de 79,9 milhões para 81,7 milhões — e às condições climáticas favoráveis, principalmente no Centro-Oeste. A produtividade média nacional das lavouras subiu 13,7%, atingindo 4.284 quilos por hectare.

Recordes por produto: soja, milho, algodão e arroz
  • Soja: principal produto cultivado, com produção estimada em 171,5 milhões de toneladas, alta de 20,2 milhões de toneladas. A produtividade média nacional chegou a 3.621 kg/ha, recorde histórico. O maior rendimento foi registrado em Goiás (4.183 kg/ha) e o menor no Rio Grande do Sul (2.342 kg/ha), afetado por altas temperaturas e irregularidade de chuvas.
  • Milho: produção total de 139,7 milhões de toneladas, crescimento de 20,9% em relação à safra anterior, também recorde histórico. A primeira safra alcançou 24,9 milhões de toneladas (+8,6%), a segunda safra 112 milhões (+24,4%) e a terceira 2,7 milhões de toneladas.
  • Algodão: produção de pluma estimada em 4,1 milhões de toneladas, alta de 9,7%, sustentada pelo aumento de 7,3% na área semeada e pelas boas condições climáticas.
  • Arroz: produção alcançou 12,8 milhões de toneladas, aumento de 20,6%, a quarta maior da série histórica, impulsionada pela expansão de 9,8% na área semeada e pelo clima favorável, especialmente no Rio Grande do Sul.
  • Feijão: estimativa de 3,1 milhões de toneladas nas três safras, garantindo o abastecimento interno do país.
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Condições climáticas e expansão de áreas impulsionam produtividade

O crescimento da produção nacional reflete o efeito combinado da expansão da área cultivada e das condições climáticas favoráveis, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Sul. O desempenho recorde da soja e do milho, em particular, destaca a importância de Mato Grosso e Goiás no cenário agrícola do país.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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