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Açúcar oscila entre queda no mercado físico e alta nas bolsas internacionais no início de março

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O mercado de açúcar iniciou o mês de março com movimentos distintos entre o mercado interno e o cenário internacional. Enquanto os preços do açúcar cristal apresentaram recuo no mercado físico paulista devido à liquidez restrita, as bolsas internacionais registraram valorização dos contratos da commodity, impulsionadas principalmente pelo avanço do petróleo e pelas expectativas relacionadas ao mercado de combustíveis.

O ambiente macroeconômico também segue no radar dos agentes do setor. O Banco Central do Brasil mantém acompanhamento permanente da dinâmica do câmbio, da inflação e das condições financeiras globais, fatores que influenciam diretamente o desempenho das commodities agrícolas exportadas pelo país, como o açúcar.

Liquidez reduzida pressiona preços do açúcar no mercado paulista

Na primeira semana de março, os preços do açúcar cristal branco recuaram no mercado spot do estado de São Paulo. De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), o movimento foi resultado de negociações mais cautelosas entre compradores e vendedores.

Após as oscilações observadas nas semanas anteriores, o mercado passou a buscar um novo nível de equilíbrio. Nesse período, os agentes adotaram uma postura mais conservadora nas operações.

Pelo lado da demanda, as indústrias realizaram principalmente compras pontuais destinadas à reposição imediata de estoques, sem ampliar significativamente o volume de aquisições. Já os vendedores mantiveram postura mais firme nas ofertas, aguardando melhores condições de preço.

Com esse cenário, o volume de negócios permaneceu limitado e as variações de preços ocorreram de forma moderada ao longo da semana.

Bolsas internacionais registram valorização do açúcar

Enquanto o mercado físico brasileiro operava com cautela, os contratos de açúcar negociados nas bolsas internacionais registraram avanço no início da semana.

Na ICE Futures US, em Nova York, principal referência global para o açúcar bruto, os contratos encerraram o pregão em alta:

  • Maio/2026: 14,59 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,49 centavo
  • Julho/2026: cerca de 14,58 a 14,68 cents/lbp, também com valorização próxima de 0,49 centavo
  • Outubro/2026: aproximadamente 15,02 cents/lbp, com avanço semelhante
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Os vencimentos mais longos acompanharam a tendência positiva observada no mercado internacional de commodities.

Açúcar branco também avança na Bolsa de Londres

Na ICE Europe, em Londres, onde são negociados os contratos de açúcar branco, as cotações também apresentaram valorização.

Os principais vencimentos registraram os seguintes resultados:

  • Maio/2026: US$ 420,50 por tonelada, alta de US$ 6,00
  • Agosto/2026: US$ 427,70 por tonelada, avanço de US$ 12,30
  • Outubro/2026: US$ 428,10 por tonelada, valorização de US$ 12,70

O movimento acompanha a recuperação observada em parte das commodities energéticas no mercado internacional.

Alta do petróleo pode influenciar oferta global de açúcar

O comportamento recente dos preços do petróleo tem sido um dos fatores observados pelos analistas do mercado de açúcar. A valorização da commodity energética tende a favorecer o etanol, já que o biocombustível passa a competir de forma mais direta com os combustíveis fósseis.

Nesse contexto, usinas produtoras podem optar por direcionar uma parcela maior da cana-de-açúcar para a fabricação de etanol em vez de açúcar. Esse movimento reduz a disponibilidade da matéria-prima para a produção do adoçante e pode limitar a oferta global do produto.

As oscilações no petróleo têm sido influenciadas por fatores geopolíticos, especialmente tensões no Oriente Médio e ajustes na produção por grandes produtores internacionais.

Mercado interno apresenta reação pontual nos preços

Mesmo após a pressão observada no início do mês, o mercado físico brasileiro apresentou uma leve recuperação no começo da semana.

O indicador do açúcar cristal branco no estado de São Paulo, calculado pelo Cepea/Esalq, registrou valorização diária. A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 98,31, avanço de 0,96% em relação ao dia anterior.

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Apesar dessa reação, o indicador ainda acumula queda de 0,28% no mês de março, refletindo a retração nas negociações observada no mercado spot.

Etanol apresenta valorização no mercado paulista

No mercado de biocombustíveis, os preços também registraram avanço. O Indicador Diário Paulínia (SP), referência nacional para o etanol hidratado, apontou valorização no início da semana.

O combustível foi negociado a R$ 3.049,50 por metro cúbico, com alta de 1,11% no comparativo diário.

No acumulado de março, o indicador já registra valorização de 2,66%, refletindo o comportamento do mercado de combustíveis e a demanda pelo biocombustível.

Câmbio e cenário macroeconômico seguem influenciando o setor

O comportamento do câmbio permanece sendo um dos principais fatores de influência sobre o mercado brasileiro de açúcar, especialmente devido à forte participação das exportações na comercialização da commodity.

Nesse contexto, o Banco Central do Brasil acompanha a evolução da inflação, do fluxo de capitais e das condições financeiras globais, elementos que impactam diretamente o valor do real frente ao dólar e a competitividade dos produtos brasileiros no comércio internacional.

Mercado observa decisões das usinas sobre produção

Para os próximos meses, analistas indicam que o mercado continuará atento ao direcionamento da produção nas usinas do setor sucroenergético.

Caso os preços da energia permaneçam elevados, parte maior da cana pode ser destinada ao etanol, o que tende a reduzir a oferta global de açúcar e oferecer suporte às cotações internacionais.

Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro deve continuar sendo influenciado pela liquidez das negociações, pela evolução do câmbio e pelas condições de demanda no setor industrial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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