AGRONEGÓCIO
Safra da bergamota: conheça os motivos que limitam a fruta a poucos meses do ano e o que a pesquisa faz para mudar isso
AGRONEGÓCIO
A bergamota, também chamada de tangerina ou mexerica, é uma das frutas mais populares entre os brasileiros. Apesar da grande aceitação, a oferta é limitada a determinados meses do ano, devido ao seu ciclo natural de produção e às condições climáticas.
De acordo com o pesquisador Roberto Pedroso de Oliveira, da Embrapa Clima Temperado, a safra brasileira de bergamota ocorre entre março e outubro, com pico de colheita nos meses de junho e julho. Fora desse período, a fruta se torna escassa, o que eleva os preços e reduz o consumo.
Entenda por que a bergamota tem safra limitada
A ausência da fruta ao longo de todo o ano não se deve apenas ao clima, mas também à fisiologia das plantas cítricas. “Para produzir, a planta precisa acumular reservas energéticas, florescer, fixar os frutos e completar a maturação — um processo que pode levar de 10 a 16 meses, dependendo da variedade”, explica o pesquisador.
A citricultura brasileira é marcada por ampla diversidade genética, incluindo laranjas, limões, pomelos e híbridos. Essa variedade possibilita ajustar o cultivo às condições regionais e às demandas de mercado. “No Brasil, o foco está na laranja. Já na China, predominam as tangerinas e os kumquats”, compara Oliveira.
Variedades de tangerinas ajudam a prolongar a colheita
O país cultiva diferentes grupos de bergamotas, com ciclos de colheita que permitem escalonar a produção:
Precoces: como a Okitsu (grupo Satsuma), colhida entre março e maio;
De meia estação: como a Ponkan, a mais popular no país, com safra entre junho e julho;
Tardias: como a Murcote (agosto a outubro) e a Montenegrina, comum no Sul.
Essa estratégia de diversificação permite aproveitar melhor a infraestrutura das propriedades, distribuir a demanda por mão de obra e garantir renda por mais meses.
Pesquisas buscam variedades mais adaptadas e resistentes
Programas de melhoramento genético desenvolvidos pela Embrapa e pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) têm trabalhado na criação de cultivares mais precoces ou tardias, adaptadas a diferentes condições de clima e solo.
Segundo Oliveira, essas iniciativas utilizam hibridação controlada e seleção de mutações em campo e estão alinhadas a pesquisas internacionais conduzidas em Estados Unidos, Espanha, Itália, Austrália e Japão.
Mesmo assim, a conservação prolongada da fruta ainda é um desafio. “Dependendo da variedade e das condições, a bergamota pode ser armazenada por 4 a 10 dias em temperatura ambiente, 1 a 3 semanas em geladeira ou até 90 dias em câmaras frias, com controle de umidade”, detalha o pesquisador.
Frutas de casca mais aderida, como a Murcote, apresentam maior durabilidade. Para manter a qualidade, são essenciais processos de lavagem, seleção, cerificação e tratamento fúngico.
Entressafra eleva preços e incentiva importações
Durante os meses de entressafra (novembro a fevereiro), o preço da bergamota pode triplicar em relação aos meses de pico. Para suprir a demanda, o Brasil importa tangerinas da Espanha nesse período.
Além disso, produtores nacionais têm apostado na ampliação do cultivo de variedades precoces e tardias, visando aproveitar os valores mais altos de mercado.
A localização geográfica também influencia o calendário de colheita: em regiões mais quentes, como o norte do Paraná, a colheita pode ser antecipada em até 20 dias. Já em locais mais frios, como o Rio Grande do Sul, o ciclo tende a ser mais longo. “A Ponkan, por exemplo, é colhida com diferença de quase um mês entre os dois estados”, comenta Oliveira.
Mudanças climáticas impactam a citricultura
Eventos climáticos extremos, como estiagens prolongadas, geadas e enchentes, têm se tornado mais frequentes e afetam todas as etapas do ciclo da bergamoteira, da floração à maturação. “A citricultura não está imune aos efeitos das mudanças climáticas”, alerta o pesquisador.
Entressafra também traz oportunidades
Mesmo com os desafios, o período de entressafra pode gerar novas oportunidades de renda para produtores e agroindústrias. A polpa congelada garante aproveitamento integral da fruta, enquanto as cascas podem ser utilizadas na extração de óleos essenciais — insumos valorizados pelos setores alimentício, cosmético e farmacêutico.
“A mexerica de cheiro, por exemplo, é rica em óleos essenciais com alta demanda internacional. Já o bagaço pode ser aproveitado para produção de energia ou ração animal”, explica Oliveira.
O pesquisador destaca que, com planejamento, investimento em novas variedades e tecnologias de conservação, o Brasil pode ampliar o acesso à bergamota no mercado nacional e, futuramente, tornar-se exportador regular da fruta.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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