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Safra de cana-de-açúcar de 2025/2026 dependerá das chuvas no segundo semestre

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Histórico recente e impacto das chuvas

O engenheiro agrônomo e especialista da Netafim Brasil, Daniel B. Pedroso, destaca que cada safra apresenta desafios próprios. Na temporada 2024/2025, a seca intensa e os incêndios no interior de São Paulo reduziram significativamente a produtividade.

Nesta safra 2025/2026, embora chuvas excessivas em janeiro e fevereiro tenham gerado preocupações, a precipitação retornou com intensidade entre março e julho, chegando a 60 mm em algumas regiões. Segundo Pedroso, esse cenário favorece a formação de um estande saudável para os canaviais recém-colhidos, essencial para garantir a produção da próxima safra.

Qualidade da cana e população de plantas

Apesar da boa perspectiva de produção futura, a qualidade da cana neste momento permanece abaixo do observado no ano passado, com 122,4 kg/ton de ATR (PECEGE, julho de 2025).

O especialista explica que a produtividade depende da altura da planta, do diâmetro do colmo e, principalmente, da população de plantas. As chuvas recentes garantiram o número inicial de perfilhos, mas o período de estiagem que se aproxima, até outubro/novembro, será decisivo para manter essas plantas e evitar competição excessiva por nutrientes e água.

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Risco de quebra de safra e importância da irrigação

Pedroso alerta que, caso as chuvas não retornem dentro do período esperado, a safra pode sofrer redução significativa. “Mais uma vez, estamos à mercê do clima”, afirmou.

Para reduzir essa dependência, o especialista recomenda o uso de sistemas de irrigação, especialmente o gotejamento, indicado para canaviais adultos. Esse método aplica água diretamente na região radicular, com alta eficiência (95% a 100%), mantendo o solo próximo da capacidade ideal de retenção hídrica.

Cenário e decisões estratégicas

A conclusão do especialista é clara: a safra de 2025/2026 será definida pelo clima. “O retorno — ou não — das chuvas será o fator preponderante. O produtor tem duas opções: aguardar até novembro e depender do clima ou investir em irrigação e garantir maior segurança para a produção”, destacou Pedroso.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Crédito privado cresce e amortece recuo do Plano Safra

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O avanço dos instrumentos privados de financiamento está ajudando o agronegócio a cobrir parte do espaço deixado pela retração das linhas tradicionais de crédito rural. O estoque de Cédulas de Produto Rural (CPRs) chegou a R$ 576,4 bilhões em junho, crescimento de 12% em 12 meses, enquanto fundos e títulos ligados ao setor também ganharam participação.

Os saldos dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) cresceram 81% em dois anos. No mesmo período, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) avançaram 9%. A expansão mostra que o financiamento da produção está se tornando mais diversificado e menos concentrado nos bancos.

Essa alternativa ganhou importância porque a área financiada pelas linhas de custeio do Plano Safra diminuiu 25,8% em 12 meses. O total passou de 34,2 milhões de hectares em julho de 2025 para 25,4 milhões no mesmo mês deste ano, segundo dados do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O valor liberado caiu em proporção menor, de R$ 205,8 bilhões para R$ 181,1 bilhões, retração de 12%. O número de contratos recuou 10,3%, de 867 mil para 777,8 mil.

Na prática, o financiamento médio aumentou de aproximadamente R$ 6 mil para R$ 7,1 mil por hectare. Isso mostra que o crédito disponível está cobrindo uma área menor e acompanhando, ao menos parcialmente, o aumento dos custos de produção.

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As CPRs permitem ao produtor levantar recursos tendo como referência a produção rural, com pagamento em produto ou dinheiro. O instrumento pode ser negociado com bancos, cooperativas, tradings, fornecedores e investidores, ampliando as possibilidades além das linhas oficiais.

As emissões de CPRs somaram R$ 377,8 bilhões durante a safra 2025/26. Embora o estoque continue crescendo, o ritmo das novas operações perdeu força, sinal de que o crédito privado também sente os efeitos dos juros elevados e da maior cautela dos financiadores.

O acesso a essas alternativas ainda é desigual. Grandes produtores, cooperativas e empresas com maior capacidade de oferecer garantias conseguem chegar com mais facilidade ao mercado privado. Pequenos e médios agricultores continuam mais dependentes dos bancos, das cooperativas de crédito e das linhas subsidiadas do Plano Safra.

A maior seletividade está relacionada ao crescimento das operações rurais com algum grau de dificuldade. Em julho, 23,5% da carteira ativa estava classificada como problemática, somando R$ 207,5 bilhões. Esse valor não representa apenas inadimplência: inclui contratos em atraso, renegociados ou prorrogados.

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As instituições financeiras também passaram a reconhecer antecipadamente possíveis perdas, conforme as regras da Resolução 4.966, aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Em vigor desde janeiro de 2025, a norma leva os bancos a aumentar as reservas quando identificam deterioração na capacidade de pagamento, o que reforça a cautela nas novas concessões.

No Rio Grande do Sul, onde sucessivas perdas climáticas elevaram o endividamento, a área financiada caiu 29,3%. O valor contratado recuou 18,3%, para R$ 23,1 bilhões, e o número de operações diminuiu 16,4%, para 189,6 mil.

Apesar da retração, os resultados atuais da produção, das exportações e dos preços dos alimentos permanecem sustentados por lavouras implantadas com recursos contratados anteriormente. O efeito da redução mais recente do crédito será conhecido com maior clareza durante a safra 2026/27.

O crescimento das CPRs, dos CRAs e dos Fiagros mostra que o setor encontrou novos caminhos para financiar a produção. Esses instrumentos ainda não substituem o crédito bancário, principalmente para pequenos e médios produtores, mas ampliam as fontes de recursos e reduzem parte da dependência do Plano Safra.

Fonte: Pensar Agro

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