AGRONEGÓCIO
São Paulo taxa tilápia importada do Vietnã e fortalece piscicultura brasileira
AGRONEGÓCIO
A piscicultura brasileira ganhou um importante reforço nesta semana. O Governo do Estado de São Paulo assinou um decreto que passa a tributar a entrada de filé de tilápia importado do Vietnã, medida que atende a uma demanda histórica dos produtores nacionais e busca restabelecer condições mais equilibradas de concorrência no mercado.
O anúncio foi feito pelo deputado estadual Itamar Borges, ao lado do governador Tarcísio de Freitas e dos secretários estaduais de Agricultura e Abastecimento, Guilherme Piai, e da Fazenda e Planejamento, Samuel Kinoshita.
A decisão foi comemorada pela Associação dos Produtores de Peixes em Águas da União (Peixe SP), que considera a medida essencial para garantir a competitividade da produção nacional diante do avanço das importações de pescado asiático.
Setor aponta concorrência desigual
Segundo a secretária executiva da Peixe SP, Marilsa Patrício, a tributação representa um avanço importante para corrigir distorções que vinham impactando diretamente a rentabilidade dos produtores brasileiros.
De acordo com a entidade, os piscicultores nacionais operam sob rigorosas exigências ambientais, sanitárias e trabalhistas, além de enfrentarem elevados custos tributários. Já o produto importado chega ao mercado brasileiro com preços mais competitivos, criando um cenário considerado desfavorável para a produção local.
Para o setor, a medida não deve ser interpretada como protecionismo, mas como uma ação voltada ao equilíbrio das condições de mercado e à valorização da produção nacional.
Impactos positivos para a cadeia produtiva
A expectativa da Peixe SP é que os efeitos da tributação sejam percebidos rapidamente em diferentes segmentos da cadeia produtiva.
Entre os principais benefícios esperados estão:
- Maior segurança para investimentos
- Com um ambiente de mercado mais previsível, produtores poderão ampliar projetos de expansão, modernizar estruturas e investir em novas tecnologias para aumentar a produtividade e a competitividade.
- Preservação de empregos no interior paulista
- A piscicultura é uma importante geradora de renda em diversas regiões do Estado de São Paulo. O fortalecimento do setor contribui para a manutenção de milhares de empregos diretos e indiretos ligados à produção, processamento e comercialização de pescado.
- Estímulo à economia regional
- O crescimento da atividade fortalece a arrecadação tributária, movimenta fornecedores, cooperativas, transportadoras e indústrias de processamento, ampliando o impacto econômico positivo nos municípios produtores.
Tilápia é destaque da aquicultura nacional
A tilápia é atualmente a principal espécie cultivada pela aquicultura brasileira e responde pela maior parte da produção nacional de peixes de cultivo. O Brasil ocupa posição de destaque no cenário mundial, com crescimento contínuo da atividade impulsionado pela demanda interna e pelo avanço das exportações.
Nos últimos anos, São Paulo consolidou-se como um dos principais polos de produção e processamento de tilápia do país, concentrando investimentos em tecnologia, genética, nutrição e industrialização.
Medida reforça apoio ao produtor brasileiro
Representantes do setor avaliam que o decreto paulista sinaliza um compromisso com a produção nacional e com a geração de empregos no campo. A expectativa é que a iniciativa possa servir de referência para outras unidades da federação que enfrentam desafios semelhantes diante do aumento das importações.
Com a nova tributação, o setor espera recuperar competitividade, ampliar investimentos e fortalecer ainda mais a cadeia da piscicultura brasileira, uma das atividades que mais crescem dentro do agronegócio nacional.
Fonte: Jonathan Campos
Fonte: Portal do Agronegócio
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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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