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Seguro agrícola: entenda a importância da proteção estratégica para o campo

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O seguro agrícola é frequentemente alvo de críticas por não indenizar com frequência, gerando a percepção de que falha no objetivo. Para o especialista em riscos agrícolas Daniel Miquelluti, essa visão decorre de uma expectativa equivocada sobre a função do seguro e seu modelo econômico.

Segundo ele, considerar que o seguro “quase nunca paga” como uma falha do produto é um erro de interpretação. Na realidade, se as indenizações fossem recorrentes, o seguro perderia sua função técnica e se tornaria um subsídio indireto, insustentável financeiramente. O desafio, portanto, está na forma como muitos produtores decidem contratar a proteção.

A lógica correta: proteção da continuidade produtiva

Miquelluti explica que o erro mais comum é avaliar o seguro agrícola como um investimento financeiro, esperando retorno positivo recorrente. Essa abordagem gera frustração, porque o seguro não foi criado para gerar lucro frequente, mas para garantir a continuidade da atividade diante de eventos climáticos severos.

A decisão de contratar o seguro deve ser estratégica e econômica, considerando quantas safras consecutivas podem ser perdidas sem comprometer a viabilidade do negócio. Para produtores que não suportam perdas significativas, o seguro se torna instrumento essencial de proteção. Já aqueles que acreditam suportar várias safras negativas devem analisar com cuidado a exposição acumulada aos riscos climáticos, que muitas vezes é subestimada.

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Frequência de pagamento não é o critério principal

O ponto central, segundo Miquelluti, é compreender que o seguro não é um investimento para gerar retorno financeiro, mas uma ferramenta de mitigação de riscos extremos. Quando encarado como proteção da continuidade produtiva, a baixa frequência de pagamento deixa de ser um problema, e o mecanismo passa a fazer sentido do ponto de vista econômico.

No campo, essa visão se torna ainda mais relevante, pois a experiência cotidiana tende a reduzir a percepção de riscos raros. Contudo, quando esses eventos se concretizam sem proteção, os efeitos podem ser severos e comprometer toda a operação agrícola.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Guerra no Oriente Médio pode elevar custos no campo e pressionar inflação dos alimentos no Brasil

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As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a acender um alerta para o agronegócio global. Um estudo divulgado pelo Rabobank aponta que o prolongamento do conflito na região, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo — pode provocar aumento dos custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil ao longo de 2026 e 2027.

Segundo a análise, o choque nos mercados de energia já está elevando os preços internacionais do petróleo e do gás natural, criando uma cadeia de impactos que alcança combustíveis, fertilizantes, transporte e logística agrícola.

Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural

O relatório destaca que a valorização das commodities energéticas tem efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, principal combustível utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas, tende a registrar alta de preços, elevando os custos desde o plantio até a distribuição dos alimentos.

Além disso, a produção mundial de fertilizantes depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo. Com a elevação dos preços desses insumos, a tendência é de aumento nos gastos dos produtores rurais em diversas culturas.

De acordo com as projeções do Rabobank, o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deverá encerrar 2026 com avanço de 41,6% na comparação anual, refletindo a disparada dos preços energéticos observada após a escalada do conflito.

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Agro sente impacto de forma gradual

Diferentemente do mercado de energia, onde os reflexos são imediatos, os efeitos sobre as commodities agrícolas costumam ocorrer de forma mais lenta.

O estudo avalia que os custos mais elevados de energia, frete, fertilizantes e logística devem ser gradualmente incorporados aos preços agrícolas. Como consequência, o Índice de Commodities Agropecuárias (IC-Br Agro) deve voltar a registrar valorização nos próximos meses.

A expectativa é que o indicador feche 2026 com crescimento de 8,8%, sinalizando um ambiente de custos mais elevados para a cadeia produtiva.

Outro fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte intensidade, cenário que pode provocar alterações climáticas relevantes em importantes regiões produtoras, afetando produtividade e disponibilidade de alimentos.

Inflação dos alimentos pode ganhar força

O levantamento mostra que os alimentos in natura deverão ser os mais sensíveis aos efeitos do choque externo.

Frutas, hortaliças, legumes e outros produtos frescos costumam reagir rapidamente ao aumento dos custos de transporte, combustíveis e insumos agrícolas. Por isso, a projeção é que a inflação desse grupo alcance 9,6% ao final de 2026 e ultrapasse 10% em 2027.

Nos alimentos semielaborados e industrializados, o repasse tende a ocorrer de forma mais gradual. Estoques, contratos de fornecimento e maior diversificação de custos ajudam a amortecer os impactos iniciais da alta das commodities e da energia.

Mesmo assim, os analistas observam que o aumento dos custos deverá atingir toda a cadeia alimentícia ao longo dos próximos trimestres.

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Alimentação no domicílio deve permanecer pressionada

Após um período de desaceleração observado no início de 2026, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa pode voltar a acelerar.

As projeções indicam que a inflação de alimentação no domicílio deverá encerrar 2026 próxima de 6,1%, permanecendo acima dos níveis considerados confortáveis para o controle inflacionário.

Embora o índice deva apresentar desaceleração em 2027, os preços continuarão refletindo os efeitos acumulados da alta dos custos energéticos, das despesas logísticas e dos insumos agrícolas.

Agronegócio acompanha cenário com atenção

Especialistas destacam que o atual cenário reforça a importância do monitoramento dos mercados internacionais pelo setor agropecuário brasileiro.

O Oriente Médio ocupa posição estratégica no abastecimento global de petróleo e fertilizantes. Qualquer interrupção prolongada nos fluxos comerciais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente a competitividade do agronegócio.

Para produtores rurais, cooperativas, tradings e indústrias de alimentos, o principal desafio será administrar o aumento dos custos de produção em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, oscilações climáticas e maior volatilidade dos mercados globais.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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