AGRONEGÓCIO
Setor de irrigação impulsiona indústria e fortalece agronegócio brasileiro
AGRONEGÓCIO
A irrigação agrícola desempenha papel estratégico no desenvolvimento do agronegócio brasileiro, garantindo produtividade e segurança hídrica em regiões com escassez de água, como o Semiárido, e complementando a produção em áreas sujeitas a estiagens sazonais, como o Centro-Oeste durante a terceira safra.
Irrigação: essencial para a produção agrícola
A técnica de irrigação permite suprir total ou parcialmente a necessidade hídrica das plantas, sendo aplicada desde gramados e áreas urbanas até culturas de grande escala, como arroz, feijão, frutas, verduras e legumes.
O crescimento da área irrigada no Brasil tem sido consistente ao longo das últimas décadas. De acordo com a FAO (2020), o país ocupa a sexta posição mundial, com 8,2 milhões de hectares equipados, atrás de China, Índia, EUA, Paquistão e Irã, e à frente de nações como Tailândia, México, Indonésia e Espanha.
Montagem de pivôs: integração de mais de 100 empresas brasileiras
A implantação de um único sistema de irrigação exige soluções técnicas específicas para cada propriedade e cultura. O processo envolve desde pneus, rodas e mangueiras até aspersores, tubos de bombeamento e peças metálicas, mobilizando uma extensa rede de fornecedores nacionais.
Na Lindsay, líder global em tecnologia de irrigação com fábrica em Mogi Mirim (SP), mais de 100 empresas brasileiras participam da produção de um pivô, que passa por rigorosos testes de qualidade antes de ser entregue aos produtores, apoiado por uma rede de revendas em todos os estados.
Segundo Claudio Lima, Diretor Geral da Lindsay América Latina, o Supply Summit 2025, evento programado para 16 de outubro, servirá para valorizar fornecedores e parceiros, reforçando conexões, aprendizado e troca de experiências sobre tendências e desafios do mercado de irrigação.
Cadeia produtiva da irrigação gera impacto em diversas indústrias
De acordo com Rodolfo Seixas, responsável por Supply Chain na Lindsay América Latina, a complexidade da montagem de projetos de irrigação exige uma rede organizada de fornecedores, que contribui diretamente para o desenvolvimento de diversas indústrias no Brasil.
Parcerias de longa data, como com a Rodabras, fabricante de rodas com mais de 66 anos de mercado, e a Wurth Industry Brasil, fornecedora de componentes de fixação e soluções logísticas, demonstram a integração entre fornecedores e indústria, garantindo qualidade, eficiência e inovação.
Mariana Araújo de Carvalho, diretora-geral da Rodabras, destaca que a colaboração envolve desenvolvimento de novos produtos, simulações e testes específicos, assegurando desempenho superior dos sistemas de irrigação. Já Pedro Ramos, diretor-presidente da Wurth Industry Brasil, reforça que a parceria permite reduzir custos, eliminar gargalos e aumentar produtividade, fortalecendo o setor como um todo.
Supply Summit Lindsay 2025 reforça conexões e inovação
O evento anual reunirá mais de 150 participantes, incluindo fornecedores diretos e indiretos, empresas de software, serviços e tecnologias, além de nomes de destaque, como Antonio Cabrera, ex-ministro da Agricultura, João Pontes, ex-diretor da John Deere, e Andrea Iorio, professor da Fundação Dom Cabral.
O objetivo é fortalecer a cadeia colaborativa, gerar novos negócios e reconhecer o papel fundamental dos parceiros na oferta de produtos de excelência ao mercado brasileiro de irrigação.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
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