AGRONEGÓCIO
Setor de serviços fecha 2025 com alta de 2,8%, mas encerra o ano com leve retração em dezembro
AGRONEGÓCIO
Setor de serviços encerra 2025 com crescimento acumulado de 2,8%
O setor de serviços brasileiro apresentou crescimento de 2,8% em 2025, segundo dados divulgados pelo IBGE. O resultado confirma a retomada consistente da atividade, mesmo após a leve retração de 0,4% registrada em dezembro frente a novembro, na série com ajuste sazonal.
Com esse desempenho, o setor segue 19,6% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020), ainda que 0,4% abaixo do recorde histórico alcançado em novembro de 2025. Em comparação com dezembro de 2024, o volume de serviços avançou 3,4%, marcando o 21º resultado positivo consecutivo.
Transporte puxa queda de dezembro e tecnologia sustenta crescimento
O recuo de 0,4% em dezembro foi influenciado principalmente pelo setor de transportes, que caiu 3,1% e registrou queda em todos os segmentos pesquisados: transporte aéreo (-5,5%), terrestre (-1,7%), aquaviário (-1,4%), além de armazenagem e serviços auxiliares (-4,9%).
Outras retrações vieram de outros serviços (-3,4%) e serviços profissionais e administrativos (-0,3%). Por outro lado, informação e comunicação (+1,7%) e serviços prestados às famílias (+1,1%) apresentaram crescimento, compensando parcialmente as perdas.
A média móvel trimestral do setor se manteve estável (0,0%), mostrando desaceleração após nove meses de alta.
Tecnologia e consultoria impulsionam o desempenho anual
Na comparação com 2024, o avanço de 3,4% em dezembro foi sustentado por todos os grandes segmentos de serviços. O destaque ficou para informação e comunicação (+6,8%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (+4,4%), que juntos exerceram os maiores impactos positivos sobre o índice geral.
Entre os fatores que impulsionaram o crescimento estão o aumento da receita de empresas de tecnologia da informação, desenvolvimento de softwares, hospedagem e tratamento de dados, além de serviços de consultoria empresarial e publicidade digital.
Outros segmentos também apresentaram resultados positivos: transportes e correios (+0,8%), outros serviços (+2,8%) e serviços prestados às famílias (+1,8%), com destaque para eventos, bufês, hotelaria e produção esportiva.
Desempenho regional mostra avanços em 22 estados
O desempenho do setor variou entre as regiões. Na passagem de novembro para dezembro, 16 das 27 unidades da federação registraram retração, com destaques negativos para São Paulo (-0,3%), Santa Catarina (-3,9%), Rio Grande do Sul (-2,8%), Pará (-7,3%) e Mato Grosso do Sul (-5,2%).
Em contrapartida, Rio de Janeiro (+1,3%), Paraná (+1,5%) e Mato Grosso (+4,3%) apresentaram os maiores avanços mensais.
No acumulado de 2025, o setor de serviços cresceu em 22 estados, com destaque para São Paulo (+4,2%), Rio de Janeiro (+1,7%), Distrito Federal (+7,0%), Paraná (+3,0%) e Santa Catarina (+3,2%). O Rio Grande do Sul foi o único com forte retração anual, de -4,4%.
Turismo mantém recuperação e atinge melhor resultado histórico
O segmento de turismo registrou leve alta de 0,2% em dezembro, acumulando ganho de 3,1% nos últimos cinco meses e alcançando o maior nível da série histórica. Frente a dezembro de 2024, o setor teve variação positiva de 0,1%, impulsionado por serviços de bufê, espetáculos e reservas de hospedagem.
O desempenho positivo foi liderado por Rio de Janeiro (+15,2%), Paraná (+6,8%), Espírito Santo (+6,7%) e Rio Grande do Sul (+2,5%), enquanto São Paulo (-2,5%) e Minas Gerais (-8,9%) apresentaram retrações.
No acumulado do ano, as atividades turísticas cresceram 4,6%, impulsionadas pelo aumento da receita em transporte aéreo, hotéis e eventos. As maiores altas foram observadas em Rio de Janeiro (+10,8%), Rio Grande do Sul (+11,4%) e Bahia (+6,6%).
Transporte de passageiros e cargas desacelera em dezembro
O volume de transporte de passageiros caiu 3,9% em dezembro, registrando o segundo mês seguido de retração. Mesmo assim, o segmento está 7,3% acima do nível pré-pandemia. Já o transporte de cargas recuou 1,6%, após seis meses consecutivos de alta, permanecendo 38% acima do patamar de fevereiro de 2020.
Na comparação anual, o transporte de passageiros cresceu 2,1% e o de cargas 3,8%. No acumulado de 2025, os avanços foram de 6,3% e 1,5%, respectivamente, evidenciando a resiliência da atividade logística e de mobilidade no país.
Perspectivas para 2026
O setor de serviços entra em 2026 com um cenário de crescimento moderado e sustentado, apoiado principalmente em tecnologia, comunicação e turismo. No entanto, os segmentos de transporte e logística devem enfrentar desafios devido ao ritmo mais lento da economia global e à desaceleração do consumo interno.
Especialistas avaliam que o comportamento do setor nos próximos meses dependerá do nível de investimentos em infraestrutura e inovação, além da recuperação do poder de compra das famílias.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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