AGRONEGÓCIO
Soja encerra agosto com preços pressionados no Brasil e valorização em Chicago
AGRONEGÓCIO
Negócios no Brasil perdem ritmo no fim do mês
De acordo com levantamentos do Cepea, o ritmo intenso de negociações observado ao longo de agosto desacelerou na reta final do mês. A proximidade da colheita da safra 2025/26 no Hemisfério Norte e a expectativa de avanço no acordo comercial entre Estados Unidos e China reduziram o apetite de compradores estrangeiros pelo grão brasileiro.
Pesquisadores destacam que esse redirecionamento da demanda para os EUA é comum neste período de entressafra. Além disso, a desvalorização do dólar frente ao real também enfraqueceu a competitividade das exportações nacionais, pressionando as cotações internas.
Desempenho regional da soja no Brasil
O comportamento dos preços variou entre os principais estados produtores:
- Rio Grande do Sul: os valores recuaram, com a saca sendo negociada a R$ 135,20 em Cruz Alta (-0,59%), R$ 134,00 em Passo Fundo e Santa Rosa/São Luiz (-1,47%) e R$ 123,00 em Panambi. Nos portos, o valor médio ficou em R$ 140,00.
- Santa Catarina: a estabilidade predominou, mas o déficit de armazenagem preocupa. No porto de São Francisco do Sul, referência para exportação, a saca foi cotada em R$ 142,84.
- Mato Grosso do Sul: o estado manteve boa competitividade e logística equilibrada, mas com variações entre praças. Campo Verde registrou R$ 124,00 (-0,11%), Lucas do Rio Verde R$ 118,42 (-1,29%), Nova Mutum R$ 118,00 (-1,33%) e Primavera do Leste R$ 123,14 (-0,25%). Rondonópolis destoou, com alta de 3,02%, fechando a R$ 127,80.
- Paraná: a expectativa de safra maior manteve preços firmes em Paranaguá (R$ 142,88). Outras cidades tiveram desempenhos mistos: Cascavel R$ 127,76 (-0,82%), Maringá R$ 134,50 (+2,14%), Ponta Grossa R$ 135,50 (+2,80%) e Pato Branco R$ 139,65.
- Mato Grosso: o estado ainda enfrenta gargalos logísticos e de armazenagem, o que pressiona os preços. Lucas do Rio Verde recuou para R$ 118,42 (-1,29%), Nova Mutum para R$ 118,00 (-1,33%) e Sorriso para R$ 118,11 (-0,63%).
Chicago fecha agosto em alta diante de clima adverso
Na Bolsa de Chicago (CBOT), o mercado foi sustentado pela falta de chuvas no cinturão agrícola norte-americano, fator que pode reduzir a produtividade da safra. O contrato de setembro avançou 0,83%, cotado a US$ 1.036,75 por bushel, enquanto o de novembro subiu 0,62%, a US$ 1.054,50.
Os derivados da oleaginosa tiveram resultados distintos: o farelo recuou 0,94%, a US$ 283,60 por tonelada curta, e o óleo caiu 0,54%, fechando a US$ 51,47 por libra-peso.
Volatilidade marca a semana e o mês
Apesar da valorização diária, a semana encerrou com perdas: a soja para novembro recuou 0,38% (-US$ 4,00/bushel), o farelo caiu 1,7% (-US$ 4,9/ton curta) e o óleo recuou 5,9% (-US$ 3,24/libra-peso) nos contratos de outubro.
No acumulado de agosto, no entanto, os resultados foram positivos para o grão e para o farelo: a soja avançou 6,6% (+US$ 65,25/bushel) e o farelo subiu 5,2% (+US$ 13,9/ton curta). Já o óleo acumulou queda de 4,75% (-US$ 2,60/libra-peso).
Perspectivas para o setor
O cenário de agosto mostra um mercado dividido entre pressões internas e fatores externos de sustentação. No Brasil, câmbio e limitações logísticas devem seguir influenciando as cotações, enquanto no mercado internacional o clima nos Estados Unidos e a evolução da demanda global continuarão ditando o rumo das negociações.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Média anual das exportações do agro quadruplica e chega a R$ 858 bilhões
O valor médio anual das exportações do agronegócio brasileiro mais que quadruplicou em duas décadas, passando de aproximadamente R$ 194,2 bilhões entre 2003 e 2005 para R$ 858 bilhões no período de 2023 a 2025. O crescimento chegou a R$ 663,8 bilhões, com avanço de diferentes cadeias produtivas e ampliação da presença do país no mercado internacional.
Os dados fazem parte do “Mapa do Comércio Global do Agro Brasileiro 2026”, elaborado pelo RaboResearch Food & Agribusiness. Os valores apresentados no levantamento foram convertidos para reais pela cotação de R$ 5,15.
A soja foi o principal motor dessa transformação. O complexo da oleaginosa respondeu por aproximadamente R$ 214,2 bilhões do aumento registrado entre os dois períodos. O resultado reflete a expansão da área cultivada, os ganhos de produtividade, o desenvolvimento da segunda safra de milho e a maior capacidade brasileira de atender à demanda asiática.
A contribuição, entretanto, não ficou restrita aos grãos. O açúcar acrescentou R$ 68,5 bilhões ao valor médio anual exportado, enquanto a carne bovina respondeu por R$ 58,7 bilhões. O milho adicionou R$ 49,4 bilhões e o café verde, R$ 47,9 bilhões.
A celulose contribuiu com mais R$ 39,7 bilhões, seguida pela carne de frango, com R$ 36,1 bilhões. O algodão acrescentou R$ 20,6 bilhões e a carne suína, R$ 11,8 bilhões. Outros produtos do agronegócio, considerados em conjunto, responderam por uma expansão de R$ 116,9 bilhões.
Os números mostram que o crescimento das exportações brasileiras se espalhou por diferentes atividades. Grãos, proteínas animais, fibras, produtos florestais, café e açúcar passaram a gerar uma receita maior e a alcançar mais mercados, fortalecendo a renda no campo e movimentando cooperativas, agroindústrias, transportadoras, armazéns e terminais portuários.
A China consolidou-se como o principal destino dos produtos agropecuários brasileiros. Entre as médias de 2003 a 2005 e de 2023 a 2025, o país asiático respondeu por R$ 269,3 bilhões do crescimento das exportações. Atualmente, concentra 33% do valor comercializado pelo agro brasileiro no exterior.
Os demais países da Ásia também ganharam importância e acrescentaram R$ 126,7 bilhões às compras de produtos brasileiros. Em conjunto, a China e os outros mercados asiáticos responderam por quase R$ 396,6 bilhões da expansão observada nas últimas duas décadas.
A União Europeia representa 14% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro, enquanto os demais países asiáticos, sem considerar a China, respondem por 17,4%. O Oriente Médio concentra 7,6%, a África, 7%, e os Estados Unidos, 6,7%. O Mercosul possui participação de 3,1%, e os demais mercados reúnem 11,3%.
Essa distribuição demonstra que, apesar da forte participação chinesa, o crescimento também ocorreu em outras regiões. A União Europeia acrescentou R$ 57,7 bilhões às compras, o Oriente Médio ampliou as aquisições em R$ 51,5 bilhões e a África contribuiu com R$ 48,4 bilhões. Estados Unidos e Mercosul adicionaram, respectivamente, R$ 28,8 bilhões e R$ 19,1 bilhões.
A diversificação geográfica ajuda a reduzir riscos e cria alternativas para produtos que enfrentem restrições sanitárias, tarifárias ou comerciais em determinados destinos. A concentração de um terço da receita na China, contudo, mantém diferentes cadeias expostas às decisões econômicas e regulatórias daquele mercado.
O desempenho alcançado nas últimas duas décadas consolidou o Brasil entre os principais fornecedores mundiais de soja, açúcar, café, milho, carnes, algodão, celulose e suco de laranja. O país passou a ocupar uma posição estratégica na segurança alimentar global e a contribuir para o abastecimento de mercados na Ásia, Europa, África, Oriente Médio e nas Américas.
A expansão também evidencia o tamanho do desafio logístico. A continuidade do crescimento depende de investimentos em armazenagem, rodovias, ferrovias, hidrovias e portos, além da redução dos custos que ainda limitam a competitividade do produtor brasileiro.
O levantamento revela, ao mesmo tempo, uma vulnerabilidade que precisa ser enfrentada. Enquanto amplia sua capacidade de fornecer alimentos, fibras e energia ao mundo, o Brasil permanece altamente dependente do exterior para adquirir os insumos necessários à produção.
As importações de fertilizantes movimentaram aproximadamente R$ 73,1 bilhões em 2025. A Rússia respondeu por 28% desse valor, seguida pela China, com 21%, Canadá, com 11%, e Marrocos, com 8%. Nigéria participou com 5%, enquanto Arábia Saudita, Estados Unidos e Israel responderam por 4% cada.
No mercado de defensivos agrícolas, as importações chegaram a cerca de R$ 71,1 bilhões no ano passado. A China forneceu 43% do total, seguida pela Índia, com 15%, Estados Unidos, com 11%, Alemanha, com 8%, e Suíça, com 6%.
Somadas, as compras externas de fertilizantes e defensivos alcançaram aproximadamente R$ 144,2 bilhões em 2025. O valor mostra que uma parcela expressiva da riqueza gerada pelas exportações retorna ao exterior para a aquisição de nutrientes e tecnologias de proteção das lavouras.
Essa dependência deixa o produtor exposto às oscilações cambiais, aos fretes internacionais, aos conflitos geopolíticos e às eventuais restrições de fornecimento. Qualquer interrupção nas rotas comerciais pode elevar os custos e reduzir as margens das propriedades.
O avanço das exportações comprova a capacidade do Brasil de ampliar a produção e conquistar mercados. O próximo passo é transformar essa força comercial em maior segurança para quem produz, com diversificação de fornecedores, desenvolvimento da indústria nacional de insumos e uso mais eficiente de fertilizantes e defensivos.
Ao ultrapassar uma média anual de R$ 858 bilhões em vendas externas, o agronegócio brasileiro chega a um novo patamar. A manutenção dessa trajetória dependerá não apenas da abertura de mercados, mas também da capacidade do país de reduzir suas vulnerabilidades e garantir ao produtor condições competitivas para continuar abastecendo o Brasil e o mundo.
Fonte: Pensar Agro
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