AGRONEGÓCIO
Soja enfrenta vendas lentas no Brasil enquanto Chicago oscila com demanda internacional
AGRONEGÓCIO
O mercado da soja segue com negociações estagnadas em diversos estados brasileiros, segundo informações da TF Agroeconômica. No Rio Grande do Sul, os preços para pagamento em setembro ficaram em R$ 140,00/saca (-1,41%) nos portos. No interior, valores permaneceram firmes em torno de R$ 136,00/saca, com destaque para Cruz Alta, Passo Fundo, Ijuí e Santa Rosa/São Luiz. Já em Panambi, a cotação de pedra ficou em R$ 123,00/saca ao produtor.
Em Santa Catarina, a estabilidade predomina, com o porto de São Francisco registrando R$ 142,84/saca. O estado se consolida como um polo logístico estratégico, após colher 7,85 milhões de toneladas na safra 2024/25 — recorde de produtividade, embora ainda enfrente desafios de transporte.
No Paraná, a expectativa de maior produção contrasta com retração nos preços. Em Paranaguá, a saca foi cotada a R$ 142,88 (+1,33%), enquanto em Cascavel caiu para R$ 128,81 (-1,67%) e em Maringá para R$ 131,68 (-2,46%). Em Ponta Grossa, o valor FOB recuou para R$ 131,81 (-3,08%), e no balcão, para R$ 118,00/saca.
No Mato Grosso do Sul, a comercialização da safra 2025/26 ocorre no ritmo mais lento dos últimos 10 anos, reflexo da cautela dos produtores diante da volatilidade. Em Dourados, a saca ficou em R$ 120,85 (-3,32%); em Campo Grande, R$ 125,00; em Maracaju, R$ 123,42 (+0,34%).
Já no Mato Grosso, maior estado produtor do país, o avanço da área plantada esbarra em gargalos logísticos e queda de produtividade. Em Rondonópolis, a cotação foi de R$ 126,00 (+3,97%); em Campo Verde, R$ 124,50 (+2,65%); e em Sorriso, R$ 120,00 (+0,17%).
Chicago registra volatilidade com ausência chinesa
Na manhã desta sexta-feira (29), os contratos da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) recuaram. Às 7h11 (horário de Brasília), novembro operava a US$ 10,43 e março a US$ 10,77 por bushel, com perdas de 4,50 a 4,75 pontos.
A pressão vem da ausência da China nas compras de soja norte-americana e da queda do óleo de soja, que perdeu mais de 1% no dia. O farelo também registrou movimento negativo. Enquanto isso, a safra dos Estados Unidos se desenvolve sem grandes problemas, com projeção de mais de 116 milhões de toneladas.
O câmbio, em especial a relação do dólar frente ao real, também influencia o ritmo de comercialização no Brasil, já lento diante do cenário internacional.
Demanda internacional sustenta altas anteriores
Na véspera (quinta-feira, 28), a soja havia encerrado o pregão em leve alta na CBOT, apoiada pela forte demanda global. O contrato de setembro subiu 0,32%, para US$ 1.028,75/bushel, enquanto novembro avançou 0,17%, para US$ 1.049,50/bushel. O farelo também registrou ganhos de 0,51%, mas o óleo recuou 2,85%.
O impulso veio do USDA, que reportou vendas de 1,37 milhão de toneladas da safra 2025/26, acima das expectativas. Compradores não identificados responderam por 690 mil toneladas, mantendo especulações sobre a China.
No entanto, a temporada 2024/25 registrou cancelamentos de 189,2 mil toneladas, em ajustes de fim de ciclo. Além disso, o monitoramento climático nos EUA mostrou aumento da área sob seca no Centro-Oeste, passando de 9% para 11% das lavouras, o que gera preocupações sobre produtividade.
Panorama global reforça cautela
No cenário internacional, a agência StatsCan reduziu a estimativa de produção do Canadá para 7,02 milhões de toneladas, abaixo das 7,57 milhões do ciclo anterior. Já no Brasil, a ANEC ajustou para baixo a previsão de exportações de agosto, agora em 8,9 milhões de toneladas — ainda 11,5% acima do volume de 2024.
O conjunto de fatores mantém os preços em Chicago sustentados pela demanda, mas com forte volatilidade nos derivados e incertezas sobre o comportamento da China, maior importador global da oleaginosa.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Exportações do agronegócio brasileiro somam US$ 16 bilhões em maio e atingem segundo maior valor da história para o mês
As exportações do agronegócio brasileiro alcançaram US$ 16 bilhões em maio de 2026, registrando crescimento de 8,2% em relação ao mesmo período do ano passado e consolidando o segundo maior resultado da série histórica para o mês. O desempenho foi impulsionado principalmente pelos embarques de soja e proteínas animais, que compensaram a queda observada nos setores sucroenergético e de etanol.
Os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e analisados pela Consultoria Agro do Itaú BBA mostram que o agronegócio segue como um dos principais motores da balança comercial brasileira, sustentado por volumes robustos de exportação e preços favoráveis em importantes cadeias produtivas.
Soja lidera pauta exportadora e mantém forte geração de receitas
O complexo soja permaneceu como principal destaque das exportações brasileiras em maio.
Os embarques de soja em grão totalizaram 14,8 milhões de toneladas, avanço de 5% em comparação com maio de 2025. Apesar da redução de 12% frente a abril, movimento considerado natural após o pico da colheita, a receita alcançou US$ 6,3 bilhões, sustentada pela valorização dos preços internacionais.
O farelo de soja também apresentou desempenho positivo, com exportações de 2,5 milhões de toneladas, crescimento de 12% na comparação anual.
Já o óleo de soja registrou uma das maiores altas entre os principais produtos do agronegócio, com embarques de 202 mil toneladas, aumento de 34% em relação ao mesmo mês do ano passado. Além do avanço no volume, os preços médios seguiram em trajetória de valorização.
Carnes ampliam participação no mercado internacional
O segmento de proteínas animais manteve ritmo acelerado nas exportações brasileiras.
A carne bovina in natura alcançou 262 mil toneladas exportadas em maio, crescimento de 20% frente ao mesmo período de 2025. A receita somou US$ 1,7 bilhão, impulsionada pelo aumento dos preços internacionais, que atingiram média superior a US$ 6,5 mil por tonelada.
A carne de frango apresentou um dos melhores desempenhos do mês, com embarques de 442 mil toneladas, alta de 32% na comparação anual.
Já a carne suína exportou 111 mil toneladas, registrando crescimento de aproximadamente 5% sobre maio do ano passado, mantendo a trajetória positiva observada ao longo de 2026.
Açúcar e etanol enfrentam cenário mais desafiador
Enquanto soja e proteínas avançaram, o complexo sucroenergético registrou resultados mais modestos.
As exportações de açúcar VHP somaram 1,8 milhão de toneladas, queda de 10% na comparação anual. Além da redução no volume, os preços internacionais recuaram mais de 20% em relação ao mesmo período de 2025, pressionando as receitas do setor.
O açúcar refinado também apresentou retração, com embarques de 159 mil toneladas, volume 27% inferior ao registrado um ano antes.
No caso do etanol, a queda foi ainda mais expressiva. As exportações despencaram para apenas 17 mil metros cúbicos, retração de 79% na comparação anual. A perda de competitividade do produto brasileiro no mercado internacional continua sendo o principal fator limitante para os embarques.
Milho, algodão e suco de laranja registram avanços
Entre os demais produtos agrícolas, o milho apresentou a maior variação positiva do mês em relação ao ano anterior.
Os embarques alcançaram 249 mil toneladas, crescimento superior a 570%, embora o volume ainda seja considerado modesto devido ao estágio inicial da colheita da segunda safra.
O algodão também registrou forte desempenho, com aumento de 52% nos volumes exportados.
O suco de laranja manteve trajetória positiva, com crescimento de 17% nos embarques, reforçando a posição do Brasil como principal fornecedor global do produto.
Tarifas dos Estados Unidos voltam ao radar do agronegócio
Além dos resultados comerciais, o setor acompanha com atenção os desdobramentos das investigações comerciais conduzidas pelos Estados Unidos contra o Brasil.
No início de junho, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propôs uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros. Entre os temas citados estão comércio digital, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais.
Apesar da medida, boa parte dos principais produtos do agronegócio brasileiro ficou fora da lista de sobretaxação, incluindo carnes, café, frutas, cereais, sementes, fertilizantes e suco de laranja.
Posteriormente, uma nova proposta de tarifa adicional de 12,5% foi apresentada em investigação relacionada a alegações de trabalho forçado em determinadas cadeias produtivas.
As audiências públicas sobre as medidas estão previstas para julho, e o mercado segue atento aos possíveis impactos para o comércio bilateral.
Exportações acumuladas mantêm crescimento em 2026
No acumulado de janeiro a maio de 2026, o agronegócio brasileiro segue apresentando resultados consistentes.
Os destaques são o crescimento das exportações de soja, carnes bovina, suína e de frango, além do avanço das vendas externas de óleo de soja, algodão e milho.
Por outro lado, setores como açúcar refinado, etanol, café verde, trigo e celulose registram desempenho inferior ao observado no mesmo período do ano passado.
Mesmo diante das incertezas comerciais internacionais e da volatilidade dos mercados globais, o agronegócio brasileiro mantém forte competitividade e continua ampliando sua relevância no comércio mundial de alimentos, fibras e energia renovável.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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