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Soja enfrenta volatilidade entre colheita recorde no Brasil, clima adverso e ajustes no mercado internacional
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Colheita avança no Brasil com ritmo desigual entre estados
A comercialização da soja segue em ritmo cauteloso em várias regiões do país, com os produtores avaliando estratégias diante de preços pressionados e desafios climáticos. No Rio Grande do Sul, o cenário é particularmente preocupante: o clima seco ameaça reduzir a produtividade, enquanto as cotações não cobrem os custos de produção. De acordo com a TF Agroeconômica, os preços no porto gaúcho permanecem em R$ 129,00/sc, estáveis na semana. No interior, as referências variam de R$ 127,00 em Passo Fundo (+3,25%) a R$ 124,00 em Ijuí (+0,81%).
Em Santa Catarina, o setor agroindustrial local tem garantido maior estabilidade aos preços, ao absorver boa parte da safra estadual. No porto de São Francisco do Sul, a soja é negociada a R$ 131,90/sc (+1,46%).
No Paraná, o mercado mantém postura conservadora, acompanhando a oscilação dos preços e o avanço da colheita. Em Paranaguá, a saca é cotada a R$ 128,00 (+0,36%), enquanto Cascavel registra R$ 118,00 (+0,35%), Maringá R$ 121,70 (+2,27%) e Ponta Grossa R$ 124,50 (+5,51%). Já no balcão, a saca alcança R$ 118,00.
No Mato Grosso do Sul, produtores com capacidade de armazenagem própria adiam as vendas, buscando preços melhores, apesar da necessidade de liberar espaço para o milho safrinha. O preço médio varia entre R$ 109,00 e R$ 112,00/sc nas principais regiões.
Enquanto isso, o Mato Grosso mantém a liderança nacional da colheita, já com 24,97% da área colhida. As cotações locais seguem estáveis, com destaque para Rondonópolis (R$ 107,00) e Campo Verde (R$ 105,30).
Chicago registra leves baixas com realização de lucros
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos da soja apresentaram leve correção técnica nesta quarta-feira (4), após sequência de altas recentes. Às 7h40 (horário de Brasília), o contrato março operava a US$ 10,62/bushel, e o maio, a US$ 10,74/bushel, com quedas entre 1,75 e 3,25 pontos.
Segundo analistas, o movimento é resultado da realização de lucros e da ausência de novas informações fundamentais. O óleo de soja ainda mostra ganhos moderados, enquanto o farelo apresenta quedas, exercendo pressão sobre o grão.
A colheita brasileira continua sendo observada de perto pelos traders, que também monitoram a demanda global e o comportamento do câmbio. Apesar dos problemas climáticos pontuais — excesso de chuva no centro e seca no sul —, a entrada da nova safra brasileira mantém o viés de pressão sobre as cotações internacionais.
Acordo entre EUA e Índia impulsiona óleo de soja e influencia o mercado
Os preços futuros da soja fecharam em alta moderada na terça-feira (3), impulsionados pelo avanço do óleo de soja, que subiu mais de 2% e liderou a recuperação do complexo. O movimento foi estimulado pelo acordo comercial entre Estados Unidos e Índia, que reduziu tarifas de importação de 25% para 18%, abrindo espaço para maior demanda pelo óleo vegetal norte-americano.
Outro fator de suporte veio da nova política fiscal dos EUA, com o crédito tributário 45Z para Produção de Combustível Limpo, que estende benefícios até 2029, mas restringe incentivos a matérias-primas produzidas apenas na América do Norte. A medida favorece o esmagamento interno de soja nos EUA e fortalece o mercado de óleo.
Entretanto, os ganhos foram limitados pelo avanço da colheita recorde brasileira e pela expectativa de que parte da demanda chinesa migre para a América do Sul, onde os preços são mais competitivos. O contrato março encerrou o pregão a US$ 10,66¾/bushel (+0,51%), e o maio, a US$ 10,77¼/bushel (+0,44%).
Nos derivados, o farelo caiu 0,88%, para US$ 291,90/tonelada, enquanto o óleo avançou 2,42%, para US$ 54,49/libra-peso.
Fatores climáticos e comerciais definem o rumo do mercado global
O mercado internacional da soja segue reagindo a uma combinação de fatores comerciais, políticos e climáticos. O acordo EUA–Índia reforça o otimismo quanto à demanda por óleo vegetal, enquanto as condições climáticas adversas na Argentina e o ritmo acelerado da colheita no Brasil moldam as expectativas de oferta global.
De acordo com a TF Agroeconômica, a produção brasileira pode atingir 181,6 milhões de toneladas, com 11,4% da área já colhida. Esse volume expressivo pressiona os preços internacionais e limita novas altas, mesmo diante do cenário favorável ao óleo de soja e das tensões climáticas na América do Sul.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Plantio da soja começa no Brasil sob risco de El Niño muito forte
O plantio da soja 2026/27 começou de forma pontual no Brasil sob o risco de chuvas irregulares no Centro-Norte e excesso de umidade na Região Sul. Mato Grosso e Paraná já possuem áreas semeadas, enquanto os demais Estados entrarão gradualmente no campo entre setembro e dezembro, de acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O início da safra coincide com o fortalecimento do El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em mais de 90% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta 90% de chance de intensidade muito forte entre setembro e novembro.
A previsão não significa que todo o país terá falta de chuva. O efeito esperado é diferente em cada região. No Centro-Oeste, no Matopiba e em parte do Norte e do Sudeste, a preocupação está na demora para a regularização das precipitações, nas temperaturas elevadas e na ocorrência de veranicos. No Sul, o principal risco é o excesso de chuva, que pode encharcar o solo, impedir a entrada das máquinas e favorecer doenças.
Mato Grosso abriu o calendário de semeadura em 7 de setembro. As primeiras áreas foram plantadas principalmente em Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Brasnorte e outros municípios do oeste que receberam volumes mais expressivos de chuva. Também há trabalhos em áreas irrigadas.
O avanço ainda é inferior a 1% dos aproximadamente 13 milhões de hectares previstos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A expectativa é de que a semeadura ganhe força somente na primeira quinzena de outubro, quando as chuvas deverão estar mais bem distribuídas.
O problema é que as precipitações registradas até agora são muito localizadas. Enquanto algumas propriedades receberam volume suficiente para acumular água, áreas situadas a poucos quilômetros continuaram secas. Plantar após uma chuva isolada, sem umidade adequada nas camadas mais profundas do solo, aumenta o risco de falhas na germinação, perda de sementes e necessidade de replantio.
A pressa em Mato Grosso está ligada à soja, mas também ao milho e ao algodão cultivados depois da oleaginosa. Quanto mais cedo a soja for colhida, maior será a possibilidade de instalar a segunda safra dentro da janela de menor risco climático. O produtor tenta evitar que o milho e o algodão atravessem o período reprodutivo quando as chuvas já estiverem diminuindo.
O Imea projeta produção próxima de 49 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso. Apesar do pequeno aumento de área, a estimativa considera redução de 5,4% na produtividade média em relação à temporada anterior. O Estado também já comercializou antecipadamente cerca de 39% da nova safra, acima da média histórica de 30,55% para o período, o que aumenta a necessidade de compatibilizar contratos de venda com o volume que poderá ser efetivamente colhido.
No Paraná, o plantio começou no Norte, Noroeste e Oeste, onde a semeadura está autorizada desde 1º de setembro. Até o levantamento mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral), aproximadamente 81 mil hectares haviam sido plantados, o equivalente a 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para o Estado.
O Sudoeste paranaense foi liberado para plantar em 11 de setembro. Nos municípios mais ao sul, a autorização começa em 20 de setembro. A umidade disponível pode favorecer a emergência da soja, mas chuvas persistentes aumentam o risco de interrupções, compactação, erosão, doenças fúngicas e replantio. O excesso de precipitação também pode atrasar a colheita do trigo e, consequentemente, a entrada da soja nas mesmas áreas.
Rondônia e Amazonas estão autorizados a plantar desde sexta-feira (11), embora ainda não tenham divulgado avanço significativo da semeadura. Em São Paulo, o calendário começou em 1º de setembro na primeira região produtiva, será aberto neste domingo (13) na segunda e chegará à terceira região no dia 16.
Mato Grosso do Sul poderá iniciar o plantio na quarta-feira (16). No mesmo dia, a semeadura será liberada no sul do Pará. O Acre entra no calendário em 21 de setembro, parte de Santa Catarina no dia 22, Goiás no dia 25 e o Rio de Janeiro no dia 29.
Em 30 de setembro, começa a primeira janela do Piauí. Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Tocantins poderão plantar a partir de 1º de outubro. A mesma data vale para o sul do Maranhão, incluindo Balsas e outros importantes municípios produtores.
No oeste da Bahia, onde estão Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e São Desidério, o calendário começa em 8 de outubro. Outras regiões de Bahia, Maranhão, Pará, Piauí, Paraná, Santa Catarina e São Paulo possuem datas próprias, definidas conforme o clima e o histórico da ferrugem-asiática.
Alagoas, Amapá, Ceará e Roraima têm calendários mais tardios, com início da semeadura somente em 2027. Por isso, essas áreas não participam da atual largada da safra nacional.
As datas indicam apenas quando a semeadura é permitida do ponto de vista fitossanitário. Elas não significam que o solo já tenha umidade suficiente nem substituem as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A decisão de plantar depende das condições de cada propriedade e da previsão de continuidade das chuvas.
No Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, o maior perigo é uma precipitação antecipada estimular a semeadura e ser seguida por vários dias de calor e tempo seco. Além de prejudicar a formação inicial da lavoura, um veranico pode obrigar o produtor a repetir operações e elevar os gastos com sementes, combustível, máquinas e mão de obra.
Caso as chuvas demorem a se regularizar, o problema será transferido para a segunda safra. O atraso na colheita da soja reduz o tempo disponível para o milho e o algodão, enquanto uma interrupção antecipada das chuvas pode atingir essas culturas durante fases de maior necessidade de água.
No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, o El Niño tende a aumentar a disponibilidade hídrica, mas chuvas frequentes podem produzir o efeito contrário ao desejado. Solo saturado, dificuldade de pulverização, menor luminosidade e aumento da pressão de doenças podem limitar o potencial das lavouras mesmo sem falta de água.
Uma simulação apresentada pelo economista Alexandre Mendonça de Barros, da consultoria EY, calcula que um cenário de estresse climático semelhante ao de 2015 poderia retirar até 12 milhões de toneladas da safra brasileira. O número representa cerca de 6,5% das 186 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o país.
A estimativa de perda não é uma previsão consolidada, mas uma simulação de risco. O resultado final dependerá da distribuição das chuvas, das temperaturas, da duração dos veranicos e do manejo adotado em cada região. Em uma safra marcada por extremos opostos, o principal desafio não será apenas saber quanto vai chover, mas onde, quando e com que regularidade essa chuva chegará.
Fonte: Pensar Agro
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