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Soja: exportações brasileiras impulsionam preços, enquanto Chicago segue pressionada pela ausência da China
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Os preços da soja no Brasil iniciaram setembro em alta, segundo levantamento do Cepea. O desempenho positivo das exportações de grão e óleo tem intensificado a disputa entre compradores internos e externos, elevando os prêmios de exportação. Além disso, a valorização do dólar frente ao real amplia a competitividade do produto nacional e estimula as negociações internas.
Dados da Secex, analisados pelo Cepea, apontam que o Brasil exportou 9,33 milhões de toneladas de soja em agosto. Apesar da queda de 23,8% em relação a julho — movimento sazonal esperado —, o volume foi recorde para o mês. No acumulado do ano, entre janeiro e agosto, os embarques somaram 86,5 milhões de toneladas, também o maior da série histórica.
Comercialização segue lenta em estados produtores
Mesmo com a firmeza das exportações, a comercialização da soja segue lenta em várias regiões do país, segundo a TF Agroeconômica. No Rio Grande do Sul, a saca nos portos foi cotada a R$ 141,70 (+1,21%), enquanto no interior, em cidades como Cruz Alta, Passo Fundo e Santa Rosa, o preço girou em torno de R$ 135,00 (+0,75%).
Em Santa Catarina, o mercado apresentou movimentação pontual e sem tendência definida, refletindo condições específicas de cada região. No porto de São Francisco, a saca foi negociada a R$ 142,84.
No Paraná, os preços recuaram em algumas praças, embora o porto de Paranaguá tenha sustentado cotações próximas de R$ 142,35 (-0,11%). No interior, os valores variaram: R$ 129,01 em Cascavel (-0,98%), R$ 130,47 em Maringá (-2,14%), R$ 132,26 em Ponta Grossa (-0,89%) e R$ 124,00 em Pato Branco.
No Mato Grosso do Sul, o mercado mostrou estabilidade, mas com quedas pontuais. Em Dourados e Campo Grande, a saca ficou em R$ 123,51 (+2,07%), enquanto em Chapadão do Sul caiu para R$ 121,96 (-0,40%).
Já no Mato Grosso, maior produtor nacional, houve valorização apesar da queda em Chicago. Em Campo Verde e Primavera do Leste, a saca alcançou R$ 123,50, enquanto em Rondonópolis o preço chegou a R$ 130,00 (+8,11%).
Chicago mantém ritmo lento e aguarda relatório do USDA
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros da soja abriram a semana em movimento lateralizado. Nesta segunda-feira (8), por volta das 5h50 (horário de Brasília), o vencimento novembro operava a US$ 10,27 por bushel e o março a US$ 10,61, com leves altas de 0,50 ponto.
O mercado segue sem novidades relevantes, com negociações entre China e Estados Unidos em ritmo lento e ausência de novas compras chinesas de soja americana. Ao mesmo tempo, investidores acompanham o avanço do plantio no Brasil, já autorizado em estados como Mato Grosso e Paraná.
Outro fator de atenção é o relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), previsto para sexta-feira (12), que deve trazer projeções atualizadas de produtividade e exportações americanas.
Preços caem em Chicago com China fora das compras
Na última sexta-feira (6), a soja encerrou a sessão em queda na Bolsa de Chicago, refletindo a ausência da China nos relatórios semanais de vendas dos EUA. O contrato novembro recuou 0,58% (US$ -6,00 cents/bushel), cotado a US$ 1.027,00, enquanto o janeiro caiu 0,57% (US$ -6,00 cents/bushel), a US$ 1.045,50.
O farelo de soja teve leve alta de 0,14%, negociado a US$ 280,50 por tonelada curta, enquanto o óleo de soja recuou 1,36%, para US$ 50,81 por libra-peso. No acumulado da semana, a soja caiu 2,61% (US$ -27,50 cents/bushel), o farelo recuou 1,0% e o óleo perdeu 1,72%.
Segundo analistas da TF Agroeconômica, a pressão vem da redução semanal das vendas americanas de soja e derivados, abaixo das expectativas. Embora os EUA tenham anunciado embarques de 327 mil toneladas para destinos não especificados, não há confirmação de que o comprador seja a China. Ao mesmo tempo, os chineses seguem priorizando embarques do Brasil, aumentando a concorrência direta com o produto norte-americano.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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