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Soja mantém ritmo cauteloso no Brasil e em Chicago em meio a avanço do plantio e tensões comerciais entre EUA e China

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O mercado brasileiro de soja segue com negociações lentas e preços estáveis, refletindo um cenário de cautela entre produtores e compradores. No Rio Grande do Sul, as referências de preços permaneceram praticamente inalteradas no dia 14 de outubro. Para pagamento em 15/10, com entrega ainda em outubro, o valor no porto foi reportado a R$ 135,00 por saca, enquanto nas praças de Cruz Alta, Passo Fundo, Santa Rosa e São Luiz as cotações giraram em torno de R$ 130,00/sc. Em Panambi, o mercado físico registrou queda mais acentuada, com preço de pedra recuando para R$ 120,00/sc, sinalizando maior resistência à compra local.

Em Santa Catarina, a demanda interna tem garantido firmeza nas cotações. A força da agroindústria, especialmente no setor de proteína animal, sustenta o consumo de grãos voltados à produção de ração, reduzindo a dependência das exportações. No porto de São Francisco do Sul, a soja foi cotada a R$ 138,11/sc, registrando leve alta de 0,67%.

No Paraná, a prioridade dos produtores está no avanço do plantio, o que reduziu a liquidez no mercado físico. Em Paranaguá, o preço chegou a R$ 139,55/sc, enquanto Cascavel e Maringá registraram R$ 129,13/sc (+0,19%), e Ponta Grossa, R$ 130,11/sc (+0,12%). No balcão de Ponta Grossa, as negociações ocorreram a R$ 120,00/sc.

Plantio da safra 2025/26 avança em ritmo forte no Centro-Oeste

O Mato Grosso do Sul mostra bom progresso na semeadura da soja, com 14% da área plantada até 11 de outubro, conforme dados regionais. Os preços seguem estáveis: Dourados, Campo Grande, Maracaju e Sidrolândia registraram R$ 121,84/sc (+0,03%), enquanto Chapadão do Sul apresentou R$ 120,31/sc (+0,05%).

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No Mato Grosso, o ritmo é ainda mais acelerado, com 21,22% da área já semeada para a safra 2025/26. As cotações variaram levemente: Campo Verde, Primavera do Leste e Rondonópolis ficaram em R$ 121,64/sc (-0,15%), enquanto Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Sorriso registraram R$ 118,84/sc, com queda de 0,51% a 0,59%.

Chicago mantém estabilidade em meio à falta de novas informações

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os preços da soja seguem operando em leve baixa e sem grandes movimentos. Por volta das 7h40 (horário de Brasília) desta quarta-feira (15), os principais contratos recuavam entre 1,25 e 2,25 pontos, com o vencimento janeiro a US$ 10,22 e maio a US$ 10,52 por bushel.

Analistas destacam que o mercado opera de forma cautelosa e insegura, reagindo apenas a fundamentos já conhecidos — como a colheita nos Estados Unidos, o plantio no Brasil e a ausência de um acordo comercial entre China e EUA, em meio à crescente politização das relações comerciais.

Exportações brasileiras aquecem com prêmios valorizados

Enquanto Chicago apresenta estabilidade, o mercado brasileiro mantém prêmios fortes, impulsionados pela demanda chinesa. Os diferenciais de preço ultrapassam 200 pontos, estimulando novos negócios. Entre segunda e terça-feira, o país negociou mais de 1 milhão de toneladas de soja da safra 2024/25, reflexo da competitividade brasileira no mercado internacional.

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Tarifas entre EUA e China pressionam o mercado internacional

O clima de tensão comercial entre Estados Unidos e China voltou a pesar sobre os preços. A imposição de novas tarifas portuárias mútuas praticamente inviabilizou o comércio de grãos entre os dois países, trazendo incertezas ao mercado.

Na terça-feira (15), os contratos da soja encerraram o dia com resultados mistos: o vencimento novembro subiu 0,10%, cotado a US$ 1.007,75/bushel, e o janeiro avançou 0,20%, a US$ 1.025,25/bushel. Já o farelo de soja caiu 0,34%, para US$ 266,5/tonelada curta, enquanto o óleo de soja teve alta de 1,30%, fechando a US$ 50,04/libra-peso.

Apesar de um aumento de 27% nas exportações semanais dos EUA, segundo o relatório de inspeções, o acumulado do ano ainda mostra queda de 26% em relação a 2024, resultado direto da menor demanda chinesa e dos custos logísticos elevados.

Perspectivas

O mercado global da soja deve permanecer em compasso de espera nas próximas semanas, à medida que o plantio avança no Brasil e os impasses comerciais entre China e Estados Unidos seguem sem solução. No cenário doméstico, a demanda interna firme e o ritmo constante do plantio devem continuar sustentando a estabilidade dos preços.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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