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Soja oscila entre estados enquanto Chicago tenta recuperar fôlego e mercado busca novo rumo

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O mercado da soja iniciou a semana com movimentos distintos entre os estados brasileiros e ajustes moderados na Bolsa de Chicago, refletindo um cenário de produção estável no Brasil e incertezas externas quanto à demanda e à política monetária global. Segundo análises da TF Agroeconômica, a variação regional dos preços internos e a falta de novidades no cenário internacional mantêm os agentes em compasso de espera.

Rio Grande do Sul: atraso no plantio e resistência do produtor

O Rio Grande do Sul atravessa uma safra marcada por atraso no plantio e recuperação gradual da umidade do solo, o que ainda limita a liquidez no mercado físico.

De acordo com a TF Agroeconômica, os preços no porto gaúcho foram reportados a R$ 141,00/sc, queda de 0,70% na semana, enquanto no interior as cotações ficaram em torno de R$ 132,38/sc (+0,18%) em Cruz Alta e R$ 136,00 em Santa Rosa.

Em Panambi, o mercado se manteve estável, com preço de pedra a R$ 121,00/sc, sinalizando resistência do produtor às negociações diante da cautela com o ritmo comprador.

Santa Catarina: mercado doméstico se descola do cenário exportador

Em Santa Catarina, o comportamento do mercado segue o padrão doméstico, menos sensível às oscilações externas. Regiões próximas ao Paraná, no entanto, sentem o reflexo dos ajustes negativos do mercado paranaense, especialmente nas cooperativas influenciadas pela pressão internacional.

No porto de São Francisco do Sul, a soja é cotada a R$ 142,31/sc, leve recuo de 0,15%.

Paraná: previsibilidade e padrão técnico mantêm estabilidade

O Paraná se consolida como o estado de maior previsibilidade da safra brasileira, com o plantio praticamente concluído e lavouras em excelente condição técnica.

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No mercado físico, as cotações permanecem ajustadas:

  • Paranaguá: R$ 141,82/sc
  • Cascavel: R$ 130,82/sc (-0,25%)
  • Maringá: R$ 129,90/sc (-0,30%)
  • Ponta Grossa: R$ 133,01/sc (-0,28%)
  • Pato Branco: R$ 142,31/sc (-0,15%)

No balcão, os preços em Ponta Grossa giram em torno de R$ 122,00/sc.

Mato Grosso do Sul: estabilidade e produtor sem pressa para negociar

O Mato Grosso do Sul apresenta um cenário de estabilidade. O produtor opera sem urgência, aproveitando boas condições de lavoura e expectativa de produtividade satisfatória.

As cotações permanecem firmes, com destaque para:

  • Dourados, Campo Grande e Sidrolândia: R$ 128,20/sc (+1,09%)
  • Maracaju: R$ 128,20/sc (+1,09%)
  • Chapadão do Sul: R$ 123,56/sc (+0,26%)
Mato Grosso: plantio encerrado e foco no enchimento dos grãos

No Mato Grosso, o plantio foi finalizado em toda a área prevista, e o foco agora se volta para o enchimento dos grãos. Mesmo com condições climáticas adequadas, o mercado local registra ajustes nos preços:

  • Campo Verde: R$ 122,25/sc (-14,29%)
  • Lucas do Rio Verde e Nova Mutum: R$ 117,95/sc (-17,30%)
  • Primavera do Leste: R$ 122,25/sc (-5,83%)
  • Rondonópolis: R$ 122,25/sc (-0,37%)
  • Sorriso: R$ 117,95/sc (-1,59%)
Chicago recupera parte das perdas, mas segue sem novos impulsos

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja recuperaram parcialmente as perdas da sessão anterior nesta terça-feira (16). Por volta das 7h15 (horário de Brasília), as cotações subiam entre 3,25 e 3,50 pontos, levando o vencimento janeiro a US$ 10,75/bushel e o maio a US$ 10,96/bushel.

O mercado segue carente de novos fundamentos. As preocupações com a demanda chinesa e o bom andamento das lavouras na América do Sul limitam reações técnicas e mantêm os investidores em modo cauteloso.

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O farelo de soja subia mais de 1%, sustentando parte dos ganhos do grão, enquanto o óleo de soja recuava quase 1%, restringindo o avanço.

Dados do USDA e da NOPA reforçam cautela

Segundo a Reuters, os fundos de commodities continuam com uma posição comprada elevada, o que aumenta a vulnerabilidade a movimentos de correção.

A NOPA (Associação Norte-Americana dos Processadores de Óleos Vegetais) informou que o esmagamento de soja em novembro atingiu 216,04 milhões de bushels, abaixo das expectativas do mercado (220,28 milhões).

Já as inspeções de exportação dos EUA somaram 795,66 mil toneladas na semana encerrada em 11 de dezembro, contra 1,02 milhão na semana anterior.

O USDA também confirmou venda de 136 mil toneladas de soja à China, com entrega prevista para a safra 2025/26.

Expectativas e fechamento do mercado

Os contratos de soja em grão com vencimento em janeiro encerraram a última sessão com queda de 0,46%, a US$ 10,71/bushel, enquanto o vencimento março recuou 0,50%, a US$ 10,81/bushel.

Nos subprodutos, o farelo fechou com alta de 0,33%, a US$ 303,50/tonelada, e o óleo de soja caiu 1,17%, a 49,48 centavos de dólar por libra-peso.

Analistas apontam que o mercado precisará de novos fatores de suporte, como revisões de safra ou movimentações da China, para definir uma tendência mais clara nos próximos dias.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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