AGRONEGÓCIO
Soja oscila entre pressão logística no Brasil e suporte dos derivados no mercado internacional
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Mercado de soja registra volatilidade com influência externa e interna
O mercado da soja apresentou comportamento misto ao longo desta terça-feira (31), refletindo a combinação de fatores internacionais e ajustes no cenário doméstico. De acordo com análise da TF Agroeconômica, os contratos futuros na Bolsa de Chicago oscilaram entre leves altas e baixas, em um ambiente marcado por volatilidade.
Óleo de soja e petróleo sustentam cotações
O principal suporte para os preços veio do óleo de soja, impulsionado pela valorização do petróleo, que se aproxima da faixa de US$ 100 por barril. Esse movimento aumenta a competitividade dos biocombustíveis e fortalece a demanda por óleos vegetais.
Além disso, revisões nas metas de biodiesel nos Estados Unidos contribuíram para o cenário positivo. O avanço das políticas de biocombustíveis, tanto nos EUA quanto em países como a Indonésia, segue como fator relevante para o mercado.
Por outro lado, o desempenho das exportações limitou ganhos mais consistentes. As inspeções de embarque ficaram abaixo das expectativas e registraram forte recuo semanal, trazendo cautela aos investidores.
Expectativa pelo relatório do USDA movimenta mercado
Na Bolsa de Chicago, os preços da soja operaram em leve alta na manhã desta terça-feira, dando continuidade ao movimento positivo recente.
O mercado se posiciona à espera do relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que traz as primeiras projeções oficiais de área de plantio da safra 2026/27. A expectativa é de aumento da área destinada à soja, possivelmente em detrimento do milho.
Por volta das 7h30 (horário de Brasília), os principais contratos registravam alta entre 2,25 e 3 pontos, com o vencimento maio cotado a US$ 11,62 e o julho a US$ 11,78 por bushel. Os futuros do farelo e do óleo de soja também apresentavam ganhos leves.
Relações comerciais e demanda global seguem no radar
Outro ponto de atenção do mercado é o cenário geopolítico e comercial. Investidores acompanham as expectativas em torno das relações entre Estados Unidos e China, com foco em uma possível reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, prevista para maio, em Pequim.
A demanda chinesa segue sendo um dos principais vetores para o mercado global da soja, influenciando diretamente os preços internacionais.
Logística pressiona mercado físico no Brasil
No Brasil, o mercado físico iniciou a semana com comportamentos distintos entre as regiões, fortemente impactado pelos custos logísticos.
No Rio Grande do Sul, a média estadual recuou, pressionada pelo aumento do frete. Já o Porto de Rio Grande manteve cotações acima de R$ 130,00 por saca, evidenciando o peso da logística na formação de preços.
A forte dependência do transporte rodoviário — responsável por cerca de 95% do escoamento — ampliou a diferença entre os preços no interior e nos portos.
Sul do Brasil apresenta maior sustentação de preços
Em Santa Catarina, o mercado mostrou maior firmeza, com o porto operando em torno de R$ 131,50. A demanda constante das agroindústrias garantiu liquidez e sustentação das cotações.
No Paraná, houve recuo de até R$ 2,00 por saca em importantes regiões do interior, refletindo a acomodação da oferta e a cautela dos compradores diante dos custos de transporte.
Centro-Oeste enfrenta pressão, mas encontra suporte na demanda
No Mato Grosso do Sul, os preços permaneceram estáveis, sustentados pela retenção dos produtores, mesmo com limitações de armazenagem.
Já em Mato Grosso, maior produtor nacional, o viés foi de baixa. O mercado foi impactado pelo aumento do custo do diesel e pela pressão logística no escoamento da safra.
Ainda assim, a disputa entre tradings e a demanda das indústrias de biodiesel ofereceram suporte parcial às cotações, evitando quedas mais acentuadas.
Perspectiva: equilíbrio entre suporte e cautela
O mercado da soja inicia a semana com viés levemente positivo no cenário internacional, sustentado pelos derivados e pela demanda, mas com ganhos limitados pela cautela diante de novos dados oficiais e do ambiente macroeconômico global.
No Brasil, a tendência segue atrelada à logística e aos custos de transporte, fatores que continuam determinantes para a formação dos preços no curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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