AGRONEGÓCIO
Summit Pensar Agro debate internacionalização do agro brasileiro
AGRONEGÓCIO
Em meio ao avanço das exportações brasileiras, às disputas comerciais globais e à crescente pressão regulatória sobre o campo, o agronegócio brasileiro deve ampliar o debate sobre internacionalização, segurança jurídica e sucessão patrimonial durante o Summit Pensar Agro, marcado para o próximo dia 29 de maio, em Cuiabá. O encontro será realizado dentro da programação da GreenFarm 2026, no Parque Novo Mato Grosso.
A proposta do evento é reunir produtores rurais, exportadores, especialistas, representantes diplomáticos e lideranças institucionais para discutir os principais desafios estratégicos do agro brasileiro em um cenário de transformação econômica, ambiental e geopolítica.
A internacionalização do agronegócio será um dos eixos centrais do encontro. Mato Grosso, maior produtor nacional de soja, milho e algodão, busca ampliar sua presença em mercados internacionais justamente em um momento em que o Brasil ganha peso global no abastecimento de alimentos, energia renovável e commodities agrícolas.
O evento contará com representantes internacionais e diplomatas ligados a mercados considerados estratégicos para o agro brasileiro, principalmente na Ásia e América do Sul. A expectativa é ampliar discussões sobre abertura de mercados, cooperação bilateral, investimentos e oportunidades comerciais para cadeias produtivas ligadas ao campo.
Isan Rezende
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, afirma que o setor vive um momento de mudança estrutural e precisa ampliar sua capacidade de articulação fora da porteira.
“O agro brasileiro hoje participa diretamente das discussões globais sobre segurança alimentar, sustentabilidade, energia renovável e comércio internacional. Mato Grosso já demonstrou sua força produtiva. Agora precisa ampliar presença institucional e comercial no cenário internacional”, afirma.
Segundo Isan, além da expansão comercial, o produtor rural também passou a enfrentar desafios cada vez mais complexos ligados à legislação ambiental, sucessão familiar, crédito, tributação e governança patrimonial.
“O produtor deixou de lidar apenas com produção e clima. Hoje ele precisa tomar decisões jurídicas, financeiras e sucessórias que impactam diretamente o patrimônio e a continuidade da atividade rural. O agro se profissionalizou e isso exige informação qualificada”, diz.
Por isso, um dos painéis mais aguardados do Summit será justamente o “Jurídico no Agro”, que vai discutir temas ligados à segurança jurídica, conciliação ambiental, segurança alimentar, governança patrimonial e sucessão familiar no campo.
A programação prevê debates sobre regularização ambiental, estabilidade jurídica para investimentos, proteção patrimonial e planejamento sucessório, temas que ganharam peso nos últimos anos diante do aumento da judicialização envolvendo propriedades rurais, crédito agrícola e conflitos regulatórios.
“O futuro do agro não depende apenas de produzir mais. Depende também de segurança jurídica, previsibilidade, governança e capacidade de preservar patrimônio e competitividade ao longo das próximas gerações”, afirma Isan Rezende.
Além do painel jurídico, o Summit Pensar Agro terá debates sobre inteligência financeira, política agrícola, desenvolvimento regional e oportunidades internacionais para o agro brasileiro.
Serviço
Summit Pensar Agro — GreenFarm 2026
📍 Arena Central — Parque Novo Mato Grosso — Cuiabá (MT)
📅 29 de maio de 2026
Programação:
• 13h — Recepção e credenciamento
• 14h — Abertura do Summit Pensar Agro
• 15h20 — Painel: Oportunidades no mercado internacional para o agronegócio brasileiro
• 17h10 — Painel: Jurídico no Agro
• 18h20 — Painel: Inteligência financeira no agro
• 19h30 — Fórum Brasil Central
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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