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Tensão no Golfo Pérsico ameaça exportações brasileiras de carne halal, soja e açúcar

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Crise no Golfo Pérsico coloca exportações do agro brasileiro em alerta

A escalada do conflito no Oriente Médio e a decisão de fechar o Estreito de Ormuz, em 28 de fevereiro, aumentaram a preocupação de exportadores brasileiros. A medida compromete o tráfego marítimo em uma das principais rotas de exportação para os países árabes, impactando diretamente o escoamento de carne halal — produzida segundo os princípios islâmicos —, além de soja e açúcar.

O Brasil, maior exportador global de carne halal, envia mensalmente mais de 28 mil toneladas do produto por essa rota estratégica. A interrupção do fluxo preocupa o setor agroexportador, que teme impactos econômicos e logísticos caso o bloqueio se prolongue.

Exportadores avaliam alternativas logísticas mais caras e complexas

De acordo com Frederico Favacho, sócio do Santos Neto Advogados e especialista em contratos internacionais do agronegócio, o momento requer cautela e planejamento.

“Os contratos não são automaticamente suspensos por causa de força maior, já que os exportadores podem buscar outras rotas, como o Mediterrâneo. No entanto, são alternativas mais caras e operacionalmente complexas”, explicou.

Favacho acrescenta que os portos da região permanecem em estado de alerta, com reflexos não apenas na carne, mas também nas exportações de soja e açúcar.

“Precisaremos acompanhar a evolução dos fatos nos próximos dias para traçar estratégias seguras para o comércio exterior”, avaliou.

Exportações para países árabes seguem em alta, mas cenário é de incerteza

Os números reforçam a relevância do mercado árabe para o agronegócio brasileiro. Segundo dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, as exportações de carne bovina para os países da Liga dos Estados Árabes — que reúne 22 nações do Norte da África e Oriente Médio — fecharam 2025 com alta de 1,91% em relação ao ano anterior, totalizando US$ 1,79 bilhão. O desempenho marcou o segundo recorde consecutivo de receitas do Brasil com o bloco.

“O Irã é um parceiro estratégico para o agro brasileiro, especialmente nas exportações de milho, soja e açúcar”, afirmou Favacho. “Só em 2025, as vendas para o país somaram quase US$ 3 bilhões, enquanto as exportações para o conjunto de países do Golfo Pérsico e Norte da África atingiram cerca de US$ 21 bilhões.”

Entre os principais destinos das commodities brasileiras estão os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita e o Egito, abastecidos principalmente com carne, soja, milho e açúcar — produtos que agora enfrentam risco logístico diante do bloqueio no Golfo.

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Brasil mantém posição estratégica, mas pode enfrentar perdas

Apesar das tensões geopolíticas, o especialista lembra que o Brasil historicamente manteve boas relações comerciais com o Irã, mesmo durante períodos de embargo.

“Como exportamos alimentos, o Brasil permaneceu fora das sanções, o que garantiu vantagem competitiva no mercado internacional”, observou Favacho.

Ainda assim, ele alerta que o conflito pode afetar contratos e margens de lucro das exportações brasileiras.

“Podemos enfrentar algum impacto nas negociações, mas é importante lembrar que o nosso principal mercado continua sendo a China, seguida pela União Europeia”, concluiu.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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