AGRONEGÓCIO
Treinamentos técnicos sobre formulações agrícolas avançam no pré-safra da soja e reforçam eficiência no campo
AGRONEGÓCIO
Capacitação técnica ganha força no pré-safra da soja
Com a proximidade do plantio da próxima safra de soja, produtores rurais e equipes técnicas intensificam a busca por maior eficiência operacional no campo, especialmente em temas ligados à qualidade das formulações agrícolas e ao desempenho das aplicações.
Em um cenário de ampla oferta de defensivos e insumos no mercado, cresce a atenção para fatores que impactam diretamente a rotina da lavoura, como preparo de calda, compatibilidade de misturas, qualidade da água e uniformidade das pulverizações.
Circuito técnico percorre mais de 10 estados produtores
Dentro desse contexto, mais de 120 treinamentos técnicos serão realizados entre junho e agosto por meio do circuito Tech Day – Formulações de Valor, promovido pela ADAMA.
A programação começou no início de junho no Mato Grosso, com ações em municípios do Cerrado, e seguirá até agosto por importantes regiões produtoras.
O circuito inclui passagens por:
- Mato Grosso
- Rondônia
- Bahia
- Goiás
- Tocantins
- Maranhão
- Piauí
- Pará
Na sequência, os treinamentos também serão realizados em estados do Sul e Sudeste, como Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio Grande do Sul.
Foco em aplicação, manejo e qualidade operacional
Os encontros têm abordagem prática e são voltados para situações reais da rotina agrícola. Entre os principais temas discutidos estão:
- Comportamento de misturas em tanque
- Preparo e estabilidade de caldas
- Qualidade da água na aplicação
- Compatibilidade de produtos
- Eficiência e regularidade das pulverizações
As atividades incluem demonstrações técnicas que mostram como diferentes tecnologias de formulação podem influenciar diretamente o desempenho dos defensivos e a consistência dos resultados ao longo da safra.
Formulação como fator decisivo na eficiência agrícola
De acordo com Leandro Garcia, gerente de Portfólio & Desenvolvimento de Mercado da ADAMA, o aumento da diversidade de produtos no mercado exige maior atenção do produtor às diferenças técnicas entre formulações.
“Muitas vezes, é a formulação que determina fatores como compatibilidade, facilidade de preparo, segurança na aplicação e estabilidade dos resultados ao longo da safra”, explica.
Segundo o executivo, o objetivo dos treinamentos é aproximar o conhecimento técnico da realidade do campo, transformando conceitos teóricos em decisões práticas dentro das propriedades.
Parceria técnica reforça aplicação no campo
As ações do Tech Day são realizadas em parceria com a AGROEFETIVA, que atua diretamente nas demonstrações práticas e nas discussões sobre tecnologia de aplicação.
A empresa contribui com análises sobre qualidade de pulverização e desafios operacionais enfrentados no dia a dia das lavouras, reforçando a importância da precisão na entrega dos defensivos.
Eficiência e tecnologia marcam o pré-safra da soja
Com a intensificação dos treinamentos técnicos em diferentes regiões do país, o setor agrícola avança na busca por maior eficiência operacional e redução de falhas no campo.
A iniciativa reforça a importância da capacitação contínua como ferramenta estratégica para elevar a produtividade e garantir maior previsibilidade nos resultados ao longo da safra de soja.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
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