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Trigo safrinha no Brasil Central: dicas de plantio, manejo e escolha de cultivares para a safra 2026

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Início do plantio da safrinha exige atenção ao clima e manejo

O período recomendado para o plantio do trigo de segunda safra, conhecido como safrinha, ou de sequeiro no Cerrado do Brasil Central começa no início de março. Para garantir bons resultados na safra 2026, os produtores devem observar atentamente fatores climáticos, realizar manejo adequado do solo e da lavoura, além de escolher cultivares apropriadas à região.

O cultivo da safrinha aproveita a umidade residual do final da estação chuvosa, permitindo o plantio logo após a colheita da soja, sem necessidade de irrigação. A cultura se destaca pelo baixo investimento inicial e pelos benefícios agronômicos, como diversificação de cultivos, controle de pragas e cobertura de áreas que ficariam em pousio, além de potencial de rentabilidade, dependendo do mercado.

Expectativa de manutenção ou aumento da área plantada

Apesar da redução de área projetada em nível nacional para a safra 2026, produtores do Cerrado permanecem otimistas. Segundo o Boletim da Safra de Grãos de fevereiro de 2026 da Conab, os bons rendimentos obtidos na última safra e os benefícios agronômicos da cultura devem garantir manutenção ou até ligeiro aumento da área cultivada na região.

Em 2025, cerca de 290 mil hectares de trigo foram plantados nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Mato Grosso e no Distrito Federal, sendo mais de 80% com trigo de sequeiro. Em Goiás, a expectativa para 2026 é de 80 a 90 mil hectares.

Plantio direto e rotação de culturas beneficiam lavoura

No Brasil Central, o trigo safrinha é cultivado principalmente em Sistema Plantio Direto (SPD), em sucessão à soja ou em rotação com milho e sorgo. Essa prática permite diversificação das culturas, reduz riscos agronômicos e auxilia no manejo de plantas daninhas resistentes a herbicidas, além de contribuir para o vazio sanitário no inverno.

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Outra vantagem é que o cultivo do trigo permite ao produtor utilizar variedades de soja de ciclo mais longo, que apresentam maior potencial produtivo e são compatíveis com o milho safrinha. Após a colheita, a palhada do trigo beneficia o plantio direto da safra seguinte de verão, preservando a umidade do solo e evitando erosão.

Safra precoce garante qualidade e preços atrativos

Por ser plantado mais cedo que nas demais regiões tritícolas do país, o trigo safrinha do Cerrado é colhido entre junho e julho, período seco que reduz o risco de micotoxinas. Essa característica garante grãos de elevada qualidade e pode resultar em preços mais atrativos para os produtores.

Os rendimentos da lavoura no Cerrado variam entre 35 e 85 sacas por hectare, dependendo das condições climáticas, e têm motivado o aumento da área cultivada. O cultivo é indicado para regiões com altitude mínima de 800 metros, e o produtor deve consultar o zoneamento agrícola de risco climático disponível no site do Ministério da Agricultura e no aplicativo Zarc Plantio Certo da Embrapa.

Preparação do solo é determinante para o sucesso

A correção da acidez com calcário e a neutralização de alumínio com gesso agrícola são essenciais para o trigo de sequeiro no Cerrado. O solo também deve estar livre de camadas compactadas, permitindo que as raízes absorvam água e nutrientes de forma eficiente, minimizando impactos de períodos secos, conhecidos como veranicos.

O Sistema Plantio Direto contribui para proteção do solo contra altas temperaturas e evapotranspiração, favorecendo a infiltração da água das chuvas.

Janela de semeadura e escalonamento

O plantio deve ser realizado entre o início e o final de março, conforme a disponibilidade de chuvas. Em áreas onde as precipitações cessam mais cedo, recomenda-se iniciar a semeadura no início do mês. Estratégias como escalonamento de plantio e uso de cultivares de ciclos diferentes ajudam a reduzir riscos climáticos, distribuindo o desenvolvimento das plantas em diferentes estágios e protegendo a lavoura de perdas críticas durante a floração.

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Escolha de cultivares é estratégica

A seleção da cultivar influencia diretamente produtividade e resistência a doenças. Para o início da janela de plantio, recomenda-se cultivares mais resistentes a manchas foliares e brusone, doença fúngica que se intensifica em períodos úmidos de abril e maio.

Para semeaduras mais tardias (após 15 de março), cultivares tolerantes à seca são indicadas, considerando os veranicos comuns nesse período.

Cultivares recomendadas pela Embrapa
  • BRS Savana
    • Lançada no final de 2025, indicada para sequeiro em ambiente tropical.
    • Porte baixo e ciclo precoce, colheita 100 dias após plantio.
    • Moderada resistência à brusone, menor uso de fungicidas.
    • Potencial de rendimento de até 80 sc/ha, recomendada para Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia.
  • BRS 404
    • Adaptada a baixa precipitação e aproveita a umidade residual do final da estação chuvosa.
    • Maior tolerância a déficit hídrico, calor e alumínio no solo.
    • Produz elevada palhada e grãos com excelente qualidade tecnológica.
    • Ciclo precoce de 105 a 118 dias, suscetível moderadamente à brusone e mancha amarela.
    • Produtividade pode variar de 60 a 80 sc/ha, dependendo da região e volume de chuva.
    • Grãos com peso hectolítrico superior a 80 kg/hl e força de glúten adequada para panificação.

As duas cultivares serão apresentadas na AgroBrasília 2026, que acontece de 18 a 23 de maio no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci (PAD-DF).

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Guerra no Oriente Médio pode elevar custos no campo e pressionar inflação dos alimentos no Brasil

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As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a acender um alerta para o agronegócio global. Um estudo divulgado pelo Rabobank aponta que o prolongamento do conflito na região, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo — pode provocar aumento dos custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil ao longo de 2026 e 2027.

Segundo a análise, o choque nos mercados de energia já está elevando os preços internacionais do petróleo e do gás natural, criando uma cadeia de impactos que alcança combustíveis, fertilizantes, transporte e logística agrícola.

Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural

O relatório destaca que a valorização das commodities energéticas tem efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, principal combustível utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas, tende a registrar alta de preços, elevando os custos desde o plantio até a distribuição dos alimentos.

Além disso, a produção mundial de fertilizantes depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo. Com a elevação dos preços desses insumos, a tendência é de aumento nos gastos dos produtores rurais em diversas culturas.

De acordo com as projeções do Rabobank, o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deverá encerrar 2026 com avanço de 41,6% na comparação anual, refletindo a disparada dos preços energéticos observada após a escalada do conflito.

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Agro sente impacto de forma gradual

Diferentemente do mercado de energia, onde os reflexos são imediatos, os efeitos sobre as commodities agrícolas costumam ocorrer de forma mais lenta.

O estudo avalia que os custos mais elevados de energia, frete, fertilizantes e logística devem ser gradualmente incorporados aos preços agrícolas. Como consequência, o Índice de Commodities Agropecuárias (IC-Br Agro) deve voltar a registrar valorização nos próximos meses.

A expectativa é que o indicador feche 2026 com crescimento de 8,8%, sinalizando um ambiente de custos mais elevados para a cadeia produtiva.

Outro fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte intensidade, cenário que pode provocar alterações climáticas relevantes em importantes regiões produtoras, afetando produtividade e disponibilidade de alimentos.

Inflação dos alimentos pode ganhar força

O levantamento mostra que os alimentos in natura deverão ser os mais sensíveis aos efeitos do choque externo.

Frutas, hortaliças, legumes e outros produtos frescos costumam reagir rapidamente ao aumento dos custos de transporte, combustíveis e insumos agrícolas. Por isso, a projeção é que a inflação desse grupo alcance 9,6% ao final de 2026 e ultrapasse 10% em 2027.

Nos alimentos semielaborados e industrializados, o repasse tende a ocorrer de forma mais gradual. Estoques, contratos de fornecimento e maior diversificação de custos ajudam a amortecer os impactos iniciais da alta das commodities e da energia.

Mesmo assim, os analistas observam que o aumento dos custos deverá atingir toda a cadeia alimentícia ao longo dos próximos trimestres.

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Alimentação no domicílio deve permanecer pressionada

Após um período de desaceleração observado no início de 2026, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa pode voltar a acelerar.

As projeções indicam que a inflação de alimentação no domicílio deverá encerrar 2026 próxima de 6,1%, permanecendo acima dos níveis considerados confortáveis para o controle inflacionário.

Embora o índice deva apresentar desaceleração em 2027, os preços continuarão refletindo os efeitos acumulados da alta dos custos energéticos, das despesas logísticas e dos insumos agrícolas.

Agronegócio acompanha cenário com atenção

Especialistas destacam que o atual cenário reforça a importância do monitoramento dos mercados internacionais pelo setor agropecuário brasileiro.

O Oriente Médio ocupa posição estratégica no abastecimento global de petróleo e fertilizantes. Qualquer interrupção prolongada nos fluxos comerciais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente a competitividade do agronegócio.

Para produtores rurais, cooperativas, tradings e indústrias de alimentos, o principal desafio será administrar o aumento dos custos de produção em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, oscilações climáticas e maior volatilidade dos mercados globais.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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