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Umidade acima do padrão pode reduzir até R$ 4,73 por arroba de cacau

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O mercado de cacau enfrenta desafios que vão além da produção. O controle de umidade das amêndoas tornou-se fator determinante para garantir competitividade e preservar valor comercial, especialmente em períodos de queda de preços e com a proximidade da Páscoa, quando a demanda por qualidade aumenta.

Desvio de umidade gera perda direta no preço

Atualmente, a arroba do cacau na Bahia está cotada a R$ 175,00 (15 kg). Um lote entregue com 10% de umidade — dois pontos acima do padrão — perde cerca de 2,7% do valor comercial apenas pela correção do peso para o padrão seco, conforme normas do setor.

Isso equivale a uma perda aproximada de R$ 4,73 por arroba. Caso o lote ainda sofra descontos por reclassificação de qualidade, a perda pode ultrapassar R$ 7 por unidade.

“Quando o mercado está em baixa, a qualidade deixa de ser diferencial e passa a ser requisito básico. Quem não consegue entregar dentro do padrão perde competitividade e pode ter dificuldade de comercialização”, alerta Roney Smolareck, engenheiro agrônomo da MOTOMCO.

Importância da secagem e fermentação das amêndoas

O impacto da umidade vai além da simples correção de peso. Durante fermentação e secagem, amêndoas com excesso de umidade apresentam maior risco de:

  • Mofo e deterioração
  • Ataque de pragas no armazenamento e transporte
  • Perda de sabor, incluindo ocorrência de sabores rançosos

“A pressa para comercializar antes da secagem ideal expõe o lote a deterioração difícil de reverter. Isso interfere diretamente na qualidade final e na aceitação pelo mercado”, destaca Smolareck.

Pequenos produtores e desafios técnicos

Apesar do Brasil ser o sexto maior produtor mundial de cacau, boa parte dos produtores são pequenos e possuem acesso limitado a tecnologias de controle de umidade. O monitoramento mais rigoroso costuma ocorrer apenas nos elos posteriores da cadeia, no momento da entrega ao comprador.

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Essa lacuna aumenta o risco de descontos injustificados e de perda de valor da safra.

Tecnologia portátil melhora precisão no campo

Nos últimos anos, tecnologias de medição desenvolvidas para o beneficiamento têm permitido aferir o teor de umidade das amêndoas antes da venda. Equipamentos portáteis, automáticos e de alta precisão fornecem resultados confiáveis em segundos, auxiliando o produtor a manter a secagem dentro do padrão ideal.

“Quando o produtor sabe exatamente o nível de umidade da amêndoa, ganha segurança para negociar, evitando descontos indevidos e preservando o valor da safra”, reforça Smolareck.

Qualidade e competitividade dependem de gestão técnica

O cenário mostra que a gestão adequada da umidade é menos uma questão de conformidade técnica e mais uma decisão estratégica. Lotes corretamente secos garantem maior valor, melhor aceitação no mercado e evitam perdas financeiras significativas, sendo essencial para o sucesso da cadeia de cacau no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agro tem até dia 30 para escolher tributação que pode alterar competitividade em 2027

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Empresas do agronegócio enquadradas no Simples Nacional têm até 30 de outubro para decidir se manterão o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) dentro do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) ou se recolherão os dois tributos pelo regime regular a partir de janeiro de 2027. A escolha poderá afetar o valor dos créditos aproveitados pelos clientes e, consequentemente, a competitividade dos fornecedores.

Quem não fizer a opção continuará automaticamente no modelo tradicional, com IBS e CBS incluídos no DAS. A mudança interessa principalmente às empresas que vendem para cooperativas, indústrias, exportadores e outros compradores que aproveitam créditos tributários.

Essa limitação pode pesar na negociação. Uma cerealista, agroindústria ou fornecedora de insumos que gere pouco crédito poderá se tornar menos atraente para compradores empresariais, sobretudo quando concorrer com fornecedores capazes de transferir créditos maiores.

A alternativa prevista na reforma tributária é permanecer no Simples Nacional para os demais tributos, mas calcular IBS e CBS pelo regime regular. É o chamado modelo híbrido. A empresa continua recolhendo pelo DAS os tributos que permanecerem no Simples, enquanto apura IBS e CBS separadamente.

Nesse modelo, poderá aproveitar os créditos permitidos sobre máquinas, equipamentos, energia, serviços e outros bens e insumos adquiridos. Também poderá gerar créditos pelo regime regular para seus clientes. Em contrapartida, terá mais obrigações fiscais, necessidade de controlar entradas e saídas e possível aumento do custo contábil.

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Por isso, não existe uma resposta única para o agronegócio. Manter IBS e CBS dentro do Simples pode continuar sendo vantajoso para empresas que vendem principalmente ao consumidor final, possuem poucos gastos capazes de gerar créditos e valorizam uma operação tributária mais simples.

Já a apuração pelo regime regular merece ser simulada por empresas que vendem predominantemente a outras pessoas jurídicas, realizam investimentos elevados ou compram grande quantidade de insumos tributados. Nesses casos, os créditos podem compensar parte do aumento da burocracia e preservar a competitividade comercial.

A conta também precisa incluir os tratamentos diferenciados concedidos ao setor. A legislação prevê redução de 60% das alíquotas de IBS e CBS para determinados produtos agropecuários, aquícolas, pesqueiros, florestais e extrativistas in natura, além de insumos agropecuários incluídos nas listas legais. Há ainda operações sujeitas a alíquota zero, diferimento ou créditos presumidos.

Esses benefícios, entretanto, não alcançam automaticamente toda empresa ligada ao agronegócio. A aplicação depende do produto, da operação, da classificação fiscal e das condições previstas na legislação. Uma empresa pode ter receitas submetidas a tratamentos diferentes dentro da mesma atividade.

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A decisão, portanto, não deve considerar apenas o percentual atualmente pago no DAS. É necessário comparar o valor total dos tributos, os créditos aproveitáveis nas compras, os créditos transferidos aos clientes, o perfil das vendas, o efeito sobre os preços, o fluxo de caixa e o custo adicional de cumprimento das obrigações fiscais.

A Receita Federal informa que a opção pelo regime regular de IBS e CBS poderá ser feita até 30 de outubro de 2026. Quem não optar continuará recolhendo os dois tributos dentro do Simples. A escolha poderá ser cancelada entre 3 de novembro e 20 de dezembro. Haverá uma nova oportunidade em março de 2027, com efeitos a partir de julho.

Para as empresas do agro, o Simples não deixou de ser uma boa opção. O que terminou foi a segurança de escolhê-lo apenas porque a alíquota parece menor. A partir de 2027, o crédito tributário concedido ao comprador pode ser tão importante quanto o imposto pago pelo fornecedor.

Fonte: Pensar Agro

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