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USDA eleva projeção da safra para 123 milhões de toneladas

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O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) elevou para 123 milhões de toneladas a projeção da safra norte-americana de soja 2026/27. O volume supera a previsão de julho, de 121,8 milhões de toneladas, e ficou acima das expectativas do mercado, que apontavam uma colheita próxima de 121,7 milhões.

A nova estimativa, divulgada no relatório de agosto, equivale a 4,519 bilhões de bushels e representa a maior produção de soja já projetada para os Estados Unidos. O aumento, no entanto, não veio de uma melhora no desempenho das lavouras.

A produtividade média foi reduzida de 53 para 52,7 bushels por acre. O crescimento da produção ocorreu porque o USDA ampliou em 1,4 milhão de acres a estimativa de área a ser colhida, agora calculada em 85,8 milhões de acres.

A diferença é importante para o mercado. A revisão da produtividade indica que as condições das lavouras não são tão favoráveis quanto se previa em julho, mas a expansão da área mantém elevada a oferta norte-americana. Na prática, o relatório trouxe uma combinação de safra maior e rendimento menor.

Os estoques finais dos Estados Unidos também foram elevados. O USDA passou a projetar 320 milhões de bushels, cerca de 8,7 milhões de toneladas, ante 310 milhões de bushels no levantamento anterior. A estimativa ficou acima das aproximadamente 8,2 milhões de toneladas esperadas pelos agentes do mercado.

O aumento dos estoques tende a limitar movimentos mais fortes de alta na Bolsa de Chicago, especialmente se as exportações norte-americanas não avançarem. O USDA manteve os embarques projetados em 1,66 bilhão de bushels.

Parte da oferta adicional deverá ser absorvida pela indústria. A estimativa de esmagamento foi elevada de 2,75 bilhões para 2,78 bilhões de bushels, sustentada pela demanda por farelo e óleo de soja. Esse crescimento do consumo doméstico reduz parte do efeito negativo provocado pela safra maior.

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No cenário mundial, a produção de soja em 2026/27 foi estimada em 442,25 milhões de toneladas, ligeiramente acima das 441,7 milhões previstas em julho. Os estoques finais globais ficaram em 124,21 milhões de toneladas, mantendo uma relação de oferta e demanda considerada confortável.

O Brasil continua como principal responsável pela expansão da produção mundial. O USDA manteve em 186 milhões de toneladas a previsão para a safra brasileira 2026/27. Para o ciclo 2025/26, a estimativa foi elevada para 180,5 milhões de toneladas.

O número está praticamente alinhado ao levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estatal calcula que o Brasil colherá 180,46 milhões de toneladas de soja em 2025/26, crescimento de 5,2% sobre as 171,48 milhões de toneladas da temporada anterior.

A área brasileira foi estimada em 48,61 milhões de hectares, aumento de 2,7%. A produtividade média deve alcançar 3.712 quilos por hectare, avanço de 2,5%. A combinação de expansão da área e recuperação do rendimento levou a produção nacional para um patamar inédito.

Brasil e Estados Unidos, portanto, devem colocar no mercado duas safras de grande volume. Esse quadro aumenta a importância da demanda chinesa para o equilíbrio das cotações. O USDA manteve em 115 milhões de toneladas a previsão de importações da China em 2026/27, ante 113 milhões no ciclo atual.

A disputa por esse mercado tende a crescer durante a entrada da safra norte-americana. O Brasil possui vantagem no primeiro semestre, quando concentra a colheita e os embarques, enquanto os Estados Unidos ganham competitividade a partir do segundo semestre. Preços, câmbio, frete e relações comerciais determinarão a origem escolhida pelos compradores chineses.

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Apesar do aumento da oferta projetada pelo USDA, os preços brasileiros encerraram a semana em alta. O Indicador da Soja do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), com referência no porto de Paranaguá, fechou a sexta-feira (14.08) em R$ 148,95 por saca de 60 quilos, valorização de 1,37% no dia e de 2,62% na semana.

No mercado paranaense, o indicador terminou a sexta-feira em R$ 141,16 por saca, com alta semanal de 2,79%. As cotações domésticas continuam dependendo da combinação entre Bolsa de Chicago, dólar e prêmios pagos nos portos. Por isso, uma safra maior nos Estados Unidos não se traduz automaticamente em queda na mesma proporção para o produtor brasileiro.

As projeções do USDA ainda poderão mudar. Entre segunda e quinta-feira, de 17 a 20 de agosto, mais de 100 técnicos do Crop Tour da Pro Farmer percorrerão cerca de 2 mil lavouras de soja e milho em sete estados norte-americanos. O levantamento servirá como uma conferência de campo dos números oficiais, com atenção especial aos efeitos da seca, do excesso de chuva e das doenças sobre as plantas.

Para o produtor brasileiro, o relatório de agosto reforça um cenário de oferta mundial elevada e menor espaço para altas sustentadas apenas por problemas de produção. A evolução do clima nos Estados Unidos, os resultados do Crop Tour, o ritmo das compras chinesas, o câmbio e os prêmios de exportação deverão definir o comportamento dos preços nas próximas semanas.

Fonte: Pensar Agro

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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