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Viagem Técnica à Argentina: agregação de valor na troca de conhecimentos e experiências

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A agenda cumprida durante Visita Técnica à Argentina – 2021, realizada no período de 29 de novembro a 04 de dezembro, contou com uma extensa programação envolvendo diversas localidades argentinas onde são desenvolvidos programas de produção de alho, batata e sementes de cebola e cenoura, cultivo de aspargos, abóboras e folhosas cultivadas em “floating” (sistema de produção similar à hidropônica, onde as plantas “flutuam” em solução nutritiva mineral) e, ainda, uma visita a uma produção de flores de corte e também a uma vinícola, tendo em vista a tradição do país vizinho na produção de bons vinhos.

O evento Argentina 2021 – Curso em Produção de Hortaliças, que reuniu 12 participantes do Brasil, entre pesquisadores, técnicos e representantes de empresas, é fruto de uma ação conjunta coordenada pelo pesquisador e chefe-geral da Embrapa Hortaliças Warley Nascimento e Daniel Pizzolato, diretor da Estación Experimental La Consulta do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA). A visita oportunizou aos participantes conhecerem campos de produção de hortaliças, empresas de comercialização hortícola, viveiros de produção de mudas, entre outros, além de projetos e tecnologias desenvolvidas pelo INTA, instituição reconhecida por sustentar a posição competitiva da Argentina no mercado agrícola internacional.

Agenda

A partir da estação experimental La Consulta, localizada em Mendonza, capital da província de Mendonza, os participantes da visita técnica tiveram uma explanação dos técnicos do INTA sobre os programas de alho e cebola desenvolvidos na região. “Como o Brasil é grande consumidor do alho e cebola argentinos, tivemos a oportunidade de interagir com os especialistas na troca de experiências a respeito dessas culturas”, avalia Nascimento, para quem “só temos a ganhar com essa interação”. Outros programas de melhoramento genético de tomate indústria, abóboras e cenoura do INTA foram visitados pelos participantes. Pesquisas em cultivo protegido, irrigação, tecnologia de sementes e viticultura também constaram no programa da visita.

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O segundo dia foi marcado pela visita ao campo experimental de batata destinada à indústria, “uma ótima experiência”, de acordo com o pesquisador. “A Argentina é grande fornecedor de batata pré-frita congelada e trata-se de um comércio bastante significativo, haja vista que o Brasil importa cerca de 300 mil/t/ano, envolvendo de 300 a 350 milhões de dólares”, destaca Nascimento. “Pouco mais da metade da batata que importamos vem daqui, por isso foi bastante interessante conhecer uma produção com baixo custo e alta produtividade”.

Uma indústria de congelados de abóboras e um campo de aspargos, na província de San Juan, ao norte de Mendonza, foi o destino seguinte dos visitantes. Aspargos é outro produto relevante da pauta de exportações da Argentina, “cultura ainda pouco produzida no Brasil, mas com grande potencial de crescimento”. Ainda na região, os participantes conheceram a produção de sementes de cebola e cenoura híbridas – a região extremamente seca permite colher sementes de alta qualidade fisiológica e sanitária.

Voltando à Mendonza, o foco foi a produção de folhosas – alface, escarola, almeirão, entre outras, em sistema de “floting”, o qual é utilizada água subterrânea e onde a necessidade da planta é suprida com água oriunda de uma criação de trutas (similar à aquaponia). “Uma produção com alto valor agregado – zero de agrotóxicos e também zero pragas e doenças”. Também fez parte da expedição uma visita à Feria de Guaymallen, o segundo maior mercado de frutas e hortaliças da Argentina, onde os participantes puderam interagir com os atacadistas e observar a qualidade das hortaliças comercializadas no país.

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Ao fazer um balanço da viagem, Nascimento considerou que o aprendizado foi muito proveitoso, em todos os sentidos. “Aprendemos novas técnicas de produção, tivemos muita interação com o INTA, empresas privadas e produtores, uma experiência que deverá ter reflexos nas nossas respectivas áreas de atuação”.

Fonte: Embrapa

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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