MP AC
Entender para transformar: MPAC consolida atuação na defesa das pessoas com TEA no Acre
MP AC
A atuação do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) na defesa dos direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) vem se consolidando como uma política institucional contínua e com alcance crescente em todo o estado. O trabalho desenvolvido pelo órgão revela um esforço para enfrentar desafios históricos – da falta de acesso a serviços básicos à invisibilidade social – e promover inclusão com base em direitos.

Esse processo se estruturou com o Grupo de Trabalho em Defesa dos Direitos das Pessoas com TEA (GT-TEA), instituído com base na escuta de famílias, associações e profissionais. A partir disso, demandas antes tratadas, muitas vezes, de forma isolada, como a falta de mediadores, a demora no diagnóstico e o acesso a terapias, passaram a ser analisadas como parte de um problema estrutural, que precisava ser dimensionado e enfrentado de forma articulada.
O grupo, composto por integrantes de áreas como educação, saúde e infância, atua em diversas frentes. O trabalho envolve articulação com o poder público, atuação conjunta com promotorias na instauração de procedimentos e diálogo com a sociedade civil para enfrentar falhas recorrentes nas políticas públicas, além da realização de ações de atendimento e orientação à população.

A atual gestão do MPAC tem ampliado a atuação voltada à pauta do TEA, com a intensificação de ações de atendimento e conscientização. Como exemplo desse trabalho, o mês de abril concentrou uma série de iniciativas. No dia 11, o programa “MP na Comunidade” temático realizou 1.579 atendimentos e orientações na Escola Raimundo Hermínio de Melo. No dia 13, uma roda de conversa no CER III reuniu cerca de 50 pais e responsáveis. Já no dia 15, uma mobilização distribuiu 250 adesivos de conscientização.
Os números mostram o alcance das ações e, segundo a coordenadora do GT-TEA, a procuradora de Justiça Gilcely Evangelista, só são possíveis graças a uma construção baseada na escuta, na articulação e na busca por soluções duradouras.

“Na prática, o MP é a ponte entre a lei e a realidade. Ele transforma os direitos que estão no papel em serviços concretos para a pessoa com TEA, seja cobrando o Estado para assegurar terapias, educação inclusiva e saúde; mediando conflitos que impedem o acesso a esses direitos; ou protegendo contra abusos, discriminação e qualquer forma de violação”, afirmou a procuradora.
Ao tratar da defesa dos direitos das pessoas com TEA, o procurador-geral de Justiça, Oswaldo D’Albuquerque, afirmou que, diante de um cenário em que pessoas com autismo enfrentam invisibilidade e barreiras no dia a dia, a experiência desenvolvida pelo MPAC indica um caminho possível, com respostas construídas a partir das demandas reais das famílias e maior articulação institucional. Ele também afirmou que a gestão pretende avançar nesse processo, ampliando e qualificando as iniciativas já em curso.

“A pauta do autismo expõe limitações históricas, inclusive no que se refere à visibilidade. O papel do Ministério Público, nesse contexto, é induzir mudanças que não sejam episódicas, mas estruturais. A intenção é consolidar esse trabalho e ampliar a capacidade de resposta da instituição, com foco em quem mais precisa”, afirmou.
Um ponto de partida: diagnóstico da realidade
Em sua fase inicial, o GT-TEA priorizou o levantamento da realidade do autismo no Acre. Por meio do projeto “TEA – Eles não estão sós”, o grupo realizou visitas técnicas, reuniões com gestores e rodas de conversa com a população em diferentes municípios do estado.
Foram mais de 350 pactuações firmadas com secretarias municipais, além de centenas de atendimentos, capacitações e inspeções em escolas, unidades de saúde e centros de atendimento. Esse levantamento revelou um cenário marcado por filas extensas para diagnóstico e tratamento, escassez de profissionais especializados e fragilidades na inclusão escolar.

A partir desse retrato, o MPAC passou a atuar de forma mais incisiva. Um exemplo foi a decisão judicial que determinou a ampliação dos atendimentos no Centro Mundo Azul, em Rio Branco, diante de uma fila que ultrapassava 600 crianças à espera de atendimento.
Da articulação à garantia de direitos
Após o diagnóstico sobre o acesso a serviços nos municípios, o trabalho do GT-TEA ganhou ainda mais densidade. O grupo passou a mediar conflitos complexos, articular mudanças legislativas e ampliar o acesso a serviços essenciais.
Um dos casos mais emblemáticos foi a mediação com um plano de saúde que ameaçava interromper atendimentos multidisciplinares essenciais a crianças com TEA. A atuação do MPAC foi fundamental para evitar a desassistência de famílias e resultou na judicialização do caso para garantir a continuidade dos serviços.

No campo legislativo, o grupo também articulou mudanças. Um exemplo foi a aprovação da Lei nº 4.409/2024, que incentiva a contratação de pessoas com autismo, ampliando as possibilidades de inserção no mercado de trabalho, um dos pontos mais críticos para esse público na vida adulta.
“É por meio dessa atuação que famílias saem da espera e encontram respostas, e que pessoas com autismo têm sua autonomia e respeito garantidos no dia a dia”, pontua Gilcely Evangelista.
Atendimento que chega a quem precisa
Se, no início, o desafio era mapear a realidade, hoje uma das marcas da atuação do MPAC é fazer com que os serviços identificados como escassos cheguem até a população. Isso se traduz em ações presenciais, escutas e atendimentos realizados diretamente nas comunidades.
Nas edições do programa “MP na Comunidade”, projeto consolidado que leva serviços gratuitos à população, o GT-TEA passou a integrar a programação com foco específico nas pessoas com autismo e suas famílias. Nessas ações, são oferecidas orientações sobre direitos, encaminhamentos para serviços de saúde e assistência, além de atendimentos individualizados.

Em algumas dessas iniciativas, o atendimento ocorre dentro de escolas, aproximando ainda mais o Ministério Público do cotidiano das famílias. A proposta é garantir que a informação e o acesso a direitos não fiquem restritos aos centros urbanos ou a quem já consegue acessar a rede pública.
Outras ações seguem a mesma lógica. Mutirões, realizados em parceria com órgãos estaduais, levaram serviços como emissão de documentos, cadastro em programas sociais e orientação jurídica para pessoas com TEA. Em eventos de maior porte, também houve oferta de atendimentos de saúde, vacinação e apoio psicossocial.
A inclusão educacional e profissional é uma das frentes prioritárias do MPAC. Iniciativas como o workshop “Empregar é Incluir” buscaram sensibilizar o setor produtivo e oferecer ferramentas práticas para a inserção de pessoas com TEA no mercado de trabalho.
Informação como ferramenta e atuação em contextos de crise
Outro eixo importante é a produção e disseminação de informação qualificada. A cartilha “Lugar de Autista é em Todos os Lugares” e o hotsite do GT-TEA ampliam o acesso da população a direitos, serviços e canais de denúncia. Essas iniciativas cumprem um papel essencial: empoderar famílias e pessoas com autismo e fortalecer o controle social sobre as políticas públicas.

A resposta a situações emergenciais também evidencia a sensibilidade institucional do MPAC. Durante enchentes que atingiram o estado, o GT-TEA atuou no acolhimento de famílias com pessoas autistas, garantindo encaminhamentos adequados, acesso a serviços e condições mínimas de dignidade em abrigos. Esse tipo de intervenção reforça a importância de políticas públicas inclusivas também em contextos de crise, em que pessoas com deficiência tendem a ser ainda mais vulnerabilizadas.
Entre diagnósticos, pactuações e atendimentos, a experiência do MPAC na proteção de pessoas autistas e seus familiares, mais do que uma política institucional, revela uma mudança gradual na forma como o direito alcança quem, por muito tempo, teve sua realidade invisibilizada.
Texto: Hudson Castelo
Agência de Notícias do MPAC
Fonte: Ministério Publico – AC
MP AC
MPAC participa da 3ª Reunião Executiva dos Grupos Nacionais do CNPG
O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) participou, nos dias 21 e 22, em Brasília, da 3ª Reunião Executiva dos Grupos Nacionais do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG), no eixo temático Segurança Pública.
A programação teve início na noite de segunda-feira, 21, no auditório do Ministério Público Militar (MPM), com palestra do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Carlos Augusto Pires Brandão. Em sua exposição, o ministro destacou a necessidade de ampliar a governança em rede e a atuação integrada das instituições do Sistema de Justiça diante da crescente complexidade do crime organizado.
O procurador-geral de Justiça do Acre, Oswaldo D’Albuquerque Lima Neto, participou da solenidade ao lado de outros integrantes do Ministério Público acreano. A cerimônia também reuniu representantes do Ministério Público de diferentes regiões do país e contou com pronunciamentos do presidente do CNPG e procurador-geral de Justiça da Bahia, Pedro Maia Souza Marques; do procurador-geral de Justiça Militar, Clauro Roberto de Bortolli; e do coordenador do Eixo Temático de Segurança Pública do CNPG e procurador-geral de Justiça da Paraíba, Leonardo Quintans.
Nesta terça-feira, 22, a programação prosseguiu na sede do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), onde foram realizadas as reuniões técnicas dos grupos nacionais, com debates voltados às pautas e estratégias de atuação na área de segurança pública.
Delegação do Acre
A delegação acreana nos grupos temáticos foi composta pelas promotoras de Justiça Laura Cristina de Almeida Miranda, Maria Fátima Ribeiro e Bianca Bernardes de Moraes Silva, e pelos promotores de Justiça Júlio César de Medeiros Silva, Rodrigo Curti e Teotônio Rodrigues Soares Júnior.
Também estão em Brasília para outras agendas institucionais o procurador-geral adjunto Institucional, procurador de Justiça Sammy Lopes, e o subprocurador-geral de Governança Institucional, promotor de Justiça Adenilson de Souza.

Nesta quarta-feira, 23, o procurador-geral de Justiça, Oswaldo D’Albuquerque Lima Neto, e o procurador-geral adjunto Institucional, Sammy Lopes, participam da reunião do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG), no auditório do Escritório de Representação dos Ministérios Públicos, em Brasília.
O que foi debatido
A promotora de Justiça Laura Cristina Miranda destacou que o modelo de trabalho adotado pelo CNPG amplia a participação de membros de diferentes instâncias na construção de políticas com reflexos diretos na atuação do Ministério Público nos estados, aproximando as discussões nacionais das demandas enfrentadas na ponta.
No grupo do qual participou, foram analisados 43 enunciados, com revisão de 41 deles para alteração ou revogação e a elaboração de três novos. Entre os temas que concentraram os debates esteve o Plano Pena Justa, desenvolvido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), especialmente em relação à Central de Regulação de Vagas (CRV). As propostas discutidas serão encaminhadas à conselheira do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) Ivana Cei.
Representante do MPAC no Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), o promotor de Justiça Júlio César de Medeiros participou das discussões sobre temas relacionados ao enfrentamento ao crime organizado. Entre os principais pontos estiveram o tratamento das provas digitais, com atenção à preservação da cadeia de custódia, e a recuperação de ativos, incluindo estratégias para a alienação antecipada de bens.
A pauta do GNCOC também incluiu a implantação do CyberGaeco, com apresentação do Projeto Arcanjos, desenvolvido pelo Gaeco do Rio Grande do Norte; novas estratégias de recuperação de ativos, a partir de estudo de caso da Operação Chicago, do Gaeco de São Paulo; e formas de atuação integrada no combate aos sistemas ilegais de apostas virtuais.
A promotora de Justiça Maria Fátima Ribeiro participou da 5ª Reunião Ordinária do Grupo Nacional de Controle Externo da Atividade Policial (GNCEAP). Um dos assuntos discutidos foi a atuação das guardas civis municipais. O grupo também tratou das Resoluções CNMP nº 310/2025 e nº 330/2026, relacionadas às mortes decorrentes de intervenção policial e à vitimização de integrantes das forças de segurança. Nesse contexto, Maria Fátima apresentou a experiência do MPAC com uma ferramenta utilizada para o registro gradual desses dados, permitindo o acompanhamento dos casos no estado. A discussão nacional envolve a criação, pelo CNMP, de um sistema com base única de informações, alimentada continuamente e acompanhada pelo Conselho.
Já o promotor de Justiça Teotônio Rodrigues Soares Júnior, representante do MPAC no Grupo Nacional do Júri (GNJ), participou das discussões sobre temas relacionados à atuação do Ministério Público no Tribunal do Júri. Entre eles, o debate sobre inconstitucionalidade de dispositivo da Lei nº 15.358/2026 (Lei Antifacção) que afasta da competência do Júri homicídios dolosos relacionados a facções criminosas, além de questões envolvendo abandono de plenário e a aplicação da Resolução Conjunta CNJ/CNMP nº 13/2025.
Os enunciados e encaminhamentos aprovados pelos grupos serão submetidos à reunião ordinária do CNPG nesta quarta-feira, 23, no auditório do Escritório de Representação dos Ministérios Públicos, em Brasília.
Encontro nacional sobre combate à lavagem de dinheiro
O promotor de Justiça Rodrigo Curti, coordenador do Núcleo de Apoio Técnico (NAT) e do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro do Ministério Público do Estado do Acre (LAB-AC), além de integrante do Gaeco, participa, em Brasília, do Encontro Nacional da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla) e da Rede Nacional de Laboratórios de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (Rede-Lab).
O encontro reúne coordenadores dos laboratórios de todo o país e representantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública, do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e do Banco Central para discutir novas ferramentas, metodologias e estratégias de investigação patrimonial e financeira.
Entre os principais temas da programação estão os desdobramentos da Operação Carbono Oculto e as novas formas de investigação de crimes financeiros envolvendo fintechs, instituições de pagamento e ativos virtuais. Segundo Rodrigo Curti, as discussões permitem conhecer as atualizações na área e identificar boas práticas adotadas na operação que possam ser aplicadas também no Acre. “Estamos verificando as novas atualizações e trazendo as boas práticas da Operação Carbono para replicar no Acre”, afirmou.
O encontro aborda ainda mudanças e novos instrumentos voltados às investigações financeiras no país, entre eles a reformulação do Sistema de Investigação de Movimentações Bancárias (Simba), a publicação do novo Guia de Recuperação e Investigação Patrimonial (Gripa) e atualizações normativas do Coaf e do Banco Central com impacto no rastreamento de movimentações financeiras.
Para o coordenador do LAB-AC, o intercâmbio de experiências ganha especial importância diante das características do Acre, estado localizado em região de fronteira internacional com Peru e Bolívia e inserido em rotas utilizadas por organizações criminosas. Nesse cenário, a ampliação da atuação do laboratório para o interior do estado integra as diretrizes do MPAC, considerando também os desafios geográficos e operacionais próprios da região amazônica.
Outro ponto destacado durante as discussões é a crescente utilização do ambiente digital pelo crime organizado, com emprego de novas tecnologias, mecanismos de engenharia social e diferentes formas de movimentação e ocultação de recursos.
No contexto acreano, Rodrigo Curti apontou ainda a necessidade de atenção às novas formas de lavagem de dinheiro, incluindo a utilização de plataformas de apostas e a aplicação de recursos de origem criminosa na aquisição de terras e na atividade pecuária. Na região do Juruá, informações sobre negociações de imóveis rurais envolvendo pagamentos em espécie e situações de coação também estão entre os fenômenos que demandam acompanhamento dos órgãos de investigação.
Texto: Chico Araújo
Fotos: CNPG
Fonte: Ministério Publico – AC
-
AGRONEGÓCIO6 dias atrásMédia anual das exportações do agro quadruplica e chega a R$ 858 bilhões
-
POLÍTICA NACIONAL6 dias atrásSenado leva ao ComPública debate sobre combate à desinformação
-
FAMOSOS6 dias atrásGloria Pires celebra oportunidades que a vida de artista proporciona: ‘Que trajetória!’
-
MP AC6 dias atrásMPAC fortalece cooperação com Gaeco do Ministério Público do Rio de Janeiro
-
SEM CATEGORIA5 dias atrásPrefeitura de Rio Branco leva ação do Programa Saúde na Escola à comunidade rural do Polo Benfica
-
FAMOSOS5 dias atrásJade Picon e André Lamoglia surgem aos beijos durante viagem pela Espanha
-
SEM CATEGORIA5 dias atrásPrefeito de Rio Branco entrega nova quadra poliesportiva e praça revitalizada no Residencial Santa Cruz
-
TJ AC6 dias atrásCNJ destaca TJAC como único a divulgar dados sobre pessoas em situação de rua no sistema penal