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Casal Huni Kuin viaja seis dias de barco para ser atendido no Projeto Cidadão

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Nory Ferreira conseguiu o termo de curatela da mãe, enquanto o esposo, Tomas Rodrigues, ingressou com ação para corrigir a data de nascimento na certidão. Eles estão entre os mais de mil atendidos nesta edição do mutirão 

Um casal do povo indígena Huni Kuin enfrentou seis dias de viagem de barco até Sena Madureira para ser atendido no Projeto Cidadão. Nory Ferreira, de 48 anos, e o esposo, Tomas Rodrigues, de 58, vieram da Aldeia Porto Rico, em Santa Rosa do Purus. O local tem acesso apenas pelo Rio Purus. Mesmo diante da distância, os dois buscaram os serviços públicos oferecidos pela ação social do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC).

Nory viajou com a intenção de obter o termo de curatela provisória da mãe, Albertina Kacixawá, de 85 anos. O documento permite que a filha represente e cuide dos interesses da idosa. É uma prova legal, perante bancos, órgãos públicos, hospitais e outras instituições, de que a mulher tem respaldo judicial para tomar decisões.

Ela contou que, há 10 anos, resolve tudo relacionado à vida da mãe. Para isso, tinha uma procuração, mas o documento só tinha validade de um ano. Por esse motivo, as duas precisavam comparecer ao cartório todos os anos. A tarefa era difícil, uma vez que ambas moram na aldeia e dona Albertina sofre com problemas de locomoção.

Cansada dessa situação, procurou a Justiça e obteve uma decisão favorável que concedia a curatela provisória da mãe. Entretanto, perdeu o termo e, consequentemente, voltou a enfrentar problemas para conseguir representar a idosa. A solução foi procurar o Projeto Cidadão. Deu certo. Em poucos minutos, estava com o documento em mãos.

O esposo de Nory, Tomas Rodrigues, de 58 anos, foi outro que se beneficiou dos atendimentos do Projeto Cidadão. No caso dele, havia um erro em sua certidão de nascimento. Ele nasceu em 1967, mas no registro consta como se tivesse nascido em 1972. Para corrigir o erro, precisou ingressar com uma ação de retificação. A Defensoria Pública, parceira da ação, deu andamento ao processo.

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Mais de mil atendimentos

A história do casal representa uma das inúmeras atendidas nesta edição do Projeto Cidadão em Sena Madureira. A Coordenadoria de Apoio a Programas Sociais (Coaps), responsável pela ação, estima mais de mil atendimentos nos dois dias de mutirão no município. A iniciativa ocorreu nos dias 22 e 23 de setembro, das 8h às 15h, na Escola Professor Messias Rodrigues de Souza.

Durante o trabalho social, moradoras e moradores de Sena Madureira tiveram acesso a serviços como emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN), orientação jurídica, consulta processual e atualização cadastral em programas sociais.

A proposta do TJAC ao reunir diversos serviços públicos em um único espaço é garantir a cidadãs e cidadãos em situação de vulnerabilidade acesso rápido e gratuito à documentação básica, além de atendimentos nas áreas jurídica, de saúde, assistência social e cidadania.

Programação reforçada

Mais uma vez, a programação contou com o reforço da equipe da Coordenadoria de Bem-Estar e Saúde (Cobes). Em parceria com o município, foram oferecidos testes rápidos para hepatites B e C, HIV e sífilis, aferição da pressão arterial e da glicemia, vacinação, atendimentos médicos, odontológicos, nutricionais, fisioterapêuticos e psicológicos.

O operador de máquinas Suliekson Alves, de 38 anos, procurou o serviço de fisioterapia. Ele soube pelo rádio que o atendimento estaria disponível no Projeto Cidadão e foi avaliar a recuperação do pulso, fraturado após uma queda de uma caminhonete em movimento. Ao deixar a consulta, disse ter recebido boas notícias.

“Rapaz, isso aqui é um projeto que ajuda muito as pessoas que não têm condição financeira pra procurar um atendimento em outro município ou até mesmo pra se deslocar até outra cidade, sem saber se vai ser atendido. Através desse projeto aqui, muitas pessoas estão sendo beneficiadas”, afirmou Suliekson.

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Projeto Cidadão no combate à violência de gênero

A Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Comsiv) participou do Projeto Cidadão com o programa Conscientização pela Paz no Lar. A equipe realizou palestras sobre prevenção e enfrentamento da violência doméstica e familiar para mais de 200 estudantes do 1º ano do ensino médio.

As atividades ocorreram na Escola Dom Júlio Mattioli e teve como objetivo promover uma reflexão entre alunas e alunos sobre a violência contra a mulher. As palestras pretendem contribuir para a formação desses adolescentes, os tornar capazes de dialogar sobre o tema, identificar e denunciar situações de violência doméstica.

Como forma de estímulo para conhecer mais acerca do assunto, os jovens foram incentivados a redigir um texto dissertativo-argumentativo. As melhores produções participam de um concurso de redação. Os vencedores de cada escola ganham um computador doado peo Tribunal de Justiça.

E não para por aí…

A programação termina com o casamento coletivo. A cerimônia ocorre nesta quarta-feira, 23, às 17h, na quadra poliesportiva da Escola Professor Messias Rodrigues de Souza. A celebração da união dos 100 casais será conduzida pelo juiz da Vara Cível de Sena Madureira, Caique Cirano.

Parceria 

Esta edição do Projeto Cidadão contou com o apoio do Ministério Público do Acre (MPAC), da Defensoria Pública do Estado do Acre (DPE/AC), da Receita Federal, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Prefeitura de Sena Madureira e do Governo do Estado, por meio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), da Polícia Civil (PCAC) e da Secretaria da Mulher (Semulher).

Fotos: Gabriel Yjalade/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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Nova ferramenta do TJAC permite pedir medida protetiva sem ir à delegacia

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Solicitação online pode ser registrada no site do TJAC, garantindo celeridade na proteção às mulheres acreanas

Na manhã desta quarta-feira, 23, a Coordenadoria das Mulheres em Situação de Violência (Cosiv) do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) apresentou a Medida Protetiva de Urgência Eletrônica aos representantes da Polícia Civil. A reunião foi voltada ao alinhamento entre as instituições quanto ao fluxo de atendimento às vítimas de violência doméstica.

A juíza Louise Santana, coordenadora da Cosiv e titular da 2ª Vara de Proteção à Mulher de Rio Branco, explicou o fluxo digital da Medida Protetiva de Urgência Eletrônica, ou seja, como a vítima consegue utilizar o serviço no site do TJAC. Deste modo, foi ampliada a compreensão sobre as informações e etapas do formulário, funcionalidades e os anexos, favorecendo uma comunicação qualificada nos atendimentos da rede de proteção.

No primeiro semestre, 2.597 medidas protetivas de urgência foram expedidas no Acre. No segundo semestre, o TJAC lançou a Medida Protetiva de Urgência Eletrônica no dia 14 de agosto, durante a programação que celebrou os 20 anos da Lei Maria da Penha, ampliando o acesso e intensificando o enfrentamento à violência doméstica. A ferramenta possui então um pouco mais de um mês de funcionamento.

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A magistrada enfatizou a realidade acreana: “O serviço veio para atender à necessidade de reduzir o tempo e os obstáculos da vítima até chegar na delegacia. Há mulheres que possuem medo e vergonha da exposição em ir à delegacia, por isso acabam não registrando o pedido de medida protetiva. Tem aquelas que não possuem transporte ou por inúmeras condições, e até pelo risco que estão passando, encontram dificuldade de locomoção. Ainda, as que estão em zona rural, onde não há uma delegacia funcionando 24 horas e essa é uma opção que abarca esse cenário”.

Vale ressaltar que a porta de entrada principal de atendimento às vítimas de violência doméstica continua sendo a delegacia, mas a Medida Protetiva Eletrônica é uma opção a mais. Assim, a articulação e validação do fluxo é uma forma de aprimorar o acesso e garantia de direitos para as mulheres – cisgênero ou trangênero – da sociedade acreana.

A Medida Protetiva de Urgência Eletrônica está disponível em todo o território acreano. No site do TJAC há um banner e um botão de acesso rápido para a solicitação, que poder ser acessado por celular ou por computador. No formulário é possível enviar fotos, vídeos, prints ou áudios. Após a solicitação, o processo é analisado por uma juíza ou juiz no prazo de 48 horas. Caso a medida seja deferida, a decisão é comunicada tanto à mulher quanto ao agressor.

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Na oportunidade, a delegada Elenice Carvalho perguntou sobre o Manual da Medida Protetiva Eletrônica. Já a delegada Juliana de Angelis confirmou a disposição em fortalecer a rede de proteção, e, por fim, o delegado Rômulo Carvalho parabenizou o TJAC pela concretização de mais um canal de atendimento voltado à garantia dos direitos das mulheres e sugeriu a criação de um cadastro estadual de medidas protetivas, para democratizar a consulta a medidas protetivas vigentes.

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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