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2° Encontro Pop Rua Jud do Acre encerra com propostas voltadas à garantia de direitos da população em situação de rua
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Evento reuniu sistema de Justiça e sociedade civil para debater ações efetivas de inclusão e cidadania à pessoa em situação de rua, além de novas proposições sobre a Política Nacional Judicial de Atenção às Pessoas em Situação de Rua e suas interseccionalidades (PopRuaJud)
Promovido pelo Comitê Multinível, Multissetorial e Interinstitucional (Commi) do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), o 2º Encontro Pop Rua Jud do Acre foi encerrado nesta sexta-feira, 17, com a discussão de propostas voltadas à efetivação dos direitos fundamentais da população em situação de rua.
O evento, realizado no auditório do Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC), contou com o apoio da Escola do Poder Judiciário do Acre (Esjud) e reuniu dezenas de participantes, entre magistradas, magistrados, servidores e servidoras do sistema de Justiça, além de representantes de órgãos públicos, instituições acadêmicas e organizações da sociedade civil que atuam no atendimento à população em situação de vulnerabilidade.
Com foco nos avanços, desafios e boas práticas da Justiça Restaurativa no Brasil, especialmente no contexto acreano, a programação foi composta por palestras, mesas-redondas e debates interativos centrados na Política Nacional Judicial de Atenção às Pessoas em Situação de Rua e suas interseccionalidades (PopRuaJud).
2° dia de programação
O segundo dia do encontro teve início com a mesa-redonda “Plano Ruas Visíveis no Acre”, em que o promotor de Justiça do Ministério Público do Acre (MPAC), Thalles Ferreira, destacou a importância dessa iniciativa do governo federal, que visa promover a inclusão social e garantir direitos à população em situação de rua, e o empenho das instituições públicas acreanas no enfrentamento da realidade enfrentada por esse grupo.

“A gente quer conferir autonomia, dignidade, cuidado, acolhimento, respeito e mostrar que essas pessoas são corpos que merecem viver, que não estão ali [nas ruas] deixadas para morrer. O Estado as enxergas e são, como diz o comecinho do Plano Ruas Visíveis, importante para nós”, disse o promotor.
Na sequência, ocorreram as mesas-redondas “Promovendo Respeito e Dignidade em rede” e “Saúde: aparelhos essências”, que contou com a reflexão da assistente social da Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre), Ana Cristina Sales, e do enfermeiro da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Areski Peniche. Ambos discorreram sobre a estrutura da Rede de Atenção de Psicossocial (Raps) e suas atribuições na promoção do cuidado integral e na reintegração social da pessoa em situação em rua.
Depois, o representante do Movimento Acreano das Pessoas em Situação de Rua (MAPSIR), Hudson Nunes, relatou sobre sua trajetória nas ruas e da dificuldade de se conseguir acesso as políticas públicas. “Continuamos sofrendo preconceito de todas as espécies: da polícia, do poder público, do [Plano] Ruas Visíveis que não acontece, da saúde que nos nega atendimento, da educação que nos é negada”, desabafou.

Encerrando a programação da manhã, houve a mesa-redonda “Justiça Restaurativa: reconstruindo o futuro emancipatório”, na qual a juíza do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Solange Reimberg, apresentou o projeto Rua do Respeito, do Judiciário mineiro, que busca promover a inclusão social e o resgate dos direitos civis, políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais da população em situação de rua. A magistrada também destacou boas práticas instituídas na Corte para assegurar cidadania a todos, independentemente do contexto social.
Ainda, no mesmo debate, a coordenadora da Central Integrada de Alternativas Penais (Ciap), Hellany Priscila Lopes, destacou as boas práticas de Justiça Restaurativa desenvolvidas no sistema prisional acreano pelo Instituto de Administração Penal (Iapen) em parceria com a Corte de Justiça acreana. “O nosso foco é a responsabilização pelos atos, e não reincidência, além da promoção da sua emancipação pessoal. Nos grupos [reflexivos], nós trabalhamos com a perspectiva de responsabilização”, explicou.







Pela tarde, aconteceu o painel “Violência Estrutural e Interseccionalidades: combate às múltiplas violências”, conduzido pelo desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 20ª Região (TRT-20), Thenisson Dória. O magistrado tratou sobre a violência estrutural presente nas instituições, nas relações de poder e nas práticas cotidianas, que afetam mais e de forma desproporcional pessoas negras, mulheres, pessoas com sofrimento mental e a população em situação de rua. Ele considerou que para enfrentar esses problemas é preciso reconhecer as interseccionalidades, ou seja, entender a interconexão entre raça, classe e gênero, sobretudo em decisões judiciais.
Posteriormente, o juiz do Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região (TRT-14), Vicente Ângelo, e a juíza do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), Luzia Farias, debateram a institucionalização da Política Judiciária de Atenção a Pessoa em Situação de Rua, além da relevância dos comitês Pop Rua Jud nos tribunais de todo país.
Por fim, foi realizado o painel “Cidadania da População em Situação de Rua: direito de existir e de ter direitos”, com a defensora pública Flávia Oliveira e os representantes do MAPSIR, onde abordou-se temas como o acesso à saúde, à educação, ao trabalho, e à moradia digna, além da necessidade de ações interinstitucionais para ampliar a Rede de Atenção Psicossocial. Os participantes reforçaram que a cidadania das pessoas em situação de rua começa com o respeito e o olhar sensível do Estado e da sociedade.
Fotos: Elisson Magalhães e Wellington Vidal (estagiário sob supervisão) /Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
TJ AC
TJAC abre III Semana Nacional dos Juizados Especiais certificando conciliadoras e conciliadores
Atividade iniciou nesta terça-feira, 16, e segue até a sexta-feira, 19, com oficinas, debates e diálogos para aperfeiçoar o Sistema dos Juizados Especiais
“Justiça simples, digital e humana”, com esse tema o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) por meio da Escola do Poder Judiciário do Acre (Esjud), realizou nesta terça-feira, 16, a abertura da III Semana Nacional dos Juizados Especiais, com a entrega de certificados do curso de formação de conciliadores e mediadores judiciais.
A Semana é de iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), estabelecida pela Resolução n.º 533/2023, para fortalecer o sistema que é a grande porta de entrada das pessoas no Judiciário e segue com oficinas, debates e diálogos até a sexta-feira, 19. A desembargadora Regina Ferrari, presidente em exercício, ressaltou o impacto dessa maneira de promover Justiça na vida de cada cidadã e cidadão:
“É o trabalhador que recebe o que tinha direito sem precisar contratar ninguém. É o consumidor que finalmente é ressarcido por aquele eletrodoméstico que nunca funcionou. É a pequena empresa que recupera o valor que faria diferença no caixa do mês. É o idoso que não tem recursos para pagar honorários, mas tem o direito a defesa. Os Juizados Especiais são, na prática, a porta de entrada da justiça para quem mais precisa dela e menos tem condições de pagar por ela, porque ela é 100% gratuita”, destacou Ferrari.
Aproximação
Para a presidente em exercício, os Juizados concretizam a aproximação do Judiciário com as pessoas, são caminhos mais fáceis e ágeis de acessar direitos: “Os Juizados Especiais provam que é possível construir uma Justiça mais rápida, mais simples e mais humana, sem abrir mão da seriedade e do acolhimento que todo o processo exige. Por isso, defender os Juizados Especiais, debater os Juizados Especiais nessa semana significativa é defender o direito de toda pessoa, independentemente da sua renda ou do seu conhecimento jurídico, de ser ouvida e de ter seu conflito resolvido com dignidade. É lembrar que a Justiça não pode ser privilégio de poucos”.
Criado em 1995 (Lei n.º 9.099), o Sistema dos Juizados Especiais recebe causas de até 40 salários mínimos, que tem como critérios norteadores: a oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade, buscando promover a conciliação e mediação, quando possível. Princípios que significam que as pessoas podem chegar aos balcões de atendimento do Judiciário, sem necessidade de um advogado, e apresentar sua reclamação que o setor responsável irá iniciar os encaminhamentos no sistema, fazendo o peticionamento.
Eficiência
O coordenador dos Juizados Especiais Cíveis do Acre, desembargador Júnior Alberto, apresentou dados sobre a eficiência do trabalho jurisdicional realizado no estado:
“De acordo com os dados do Justiça em Números, foram julgados em 2025 quase 2 milhões de processos, o que demonstra a confiança da população nos Juizados Especiais, em virtude da resposta rápida, eficiente e, principalmente, justa para as suas demandas. No Acre, somente neste primeiro semestre de 2026, mais de 8.300 novos processos ingressaram nos Juizados. Com muito orgulho e contentamento informo que estamos entre os melhores do Brasil”, disse Alberto.
De acordo com os dados oficiais do CNJ, os Juizados do Acre figuram em segundo lugar no Índice de Atendimento à Demanda a nível nacional. Já em relação à taxa de congestionamento líquida, alcançando a terceira menor, com 30,99%, ficando atrás apenas do Distrito Federal e de Sergipe entre todos os tribunais brasileiros. Esses números são relevantes porque aferem a eficiência e a celeridade desses órgãos jurisdicionais.

Debate e aperfeiçoamento
O corregedor-geral da Justiça do Acre, desembargador Nonato Maia, explicou que a III Semana Nacional dos Juizados é uma política afirmativa do CNJ, abraçada pelos tribunais no país, que fortalece o segmento dos Juizados, que é o mais simples, acessível e próximo das pessoas. “Nessa Semana teremos várias discussões e olharemos os Juizados Especiais, que é a Justiça mais simples, mais acessível e que atende o cidadão mais diretamente. Então, que sejamos todos envolvidos e comprometidos, que possamos discutir os Juizados Especiais com mais afinco e reafirmar essa Justiça tão próxima do cidadão”, comentou Maia.
Também participaram da abertura, os desembargadores Samoel Evangelista, Lois Arruda, as juízas de Direito Lilian Deise, representando a Associação dos Magistrados do Acre (Asmac), e Louise Kristina, auxiliar da Presidência do TJAC, o procurador-geral Carlos Maia do Ministério Público do Acre (MPAC), a defensora pública-geral Juliana Marques, a presidente do Procon Acre Alana Albuquerque, além de magistradas e magistrados, servidoras e servidores da capital e interior.





Programação
As atividades da III Semana Nacional dos Juizados seguem até a sexta-feira, 19, com atividades realizadas de maneira presencial na Esjud e também com transmissão para comarcas do interior. Veja abaixo a programação:
16/6
- 10h – Oficina “Qualificação em Demandas Repetitivas e Entendimentos Consolidados no STJ e Turma Recursal”. A facilitadora é a juíza Evelin Cerqueira;
17/6
- 8h – Oficina “Eficiência com humanidade: inovação e acesso à Justiça”. A facilitadora é a servidora Larissa Melo;
- 9h às 12h – Laboratório de Inovação – “Justiça simples na era digital: tecnologia, pessoas e soluções reais”. Facilitador é o servidor Bono Lui;
18/6
- 8h – Laboratório de gestão – “Estratégia, produtividade e uso de indicadores”. Facilitador é o servidor Josué;
- 9h – Oficina “Utilização dos Sistemas dos Juizados Especiais: Eproc, Google Meet e Sprol”. Facilitador é o colaborador Fábio Josep;
- 10h – Atividade temática “Inteligência artificial aplicada à prática jurídica”. Facilitador é Leonardo Bandeira
19/6
- 8h – Oficina “Escuta ativa, empatia e justiça”. Facilitadora é juíza de Direito Adamárcia









Fotos Wellington Vidal, estagiário sob supervisão (Secom/TJAC)
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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