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Procuradora do MPAC fala sobre feminicídios e violência de gênero no 19º Fórum Brasileiro de Segurança Pública
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A procuradora de Justiça Patrícia Rêgo, coordenadora do Centro de Atendimento à Vítima (CAV) e do Observatório de Violência de Gênero (OBSGênero) do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), participou, como palestrante, do 19º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, realizado entre os dias 13 e 15 de agosto, em Manaus (AM). O evento antecedeu a COP30 e tratou dos desafios da segurança pública na Amazônia, com foco na relação entre violência, emergência climática e proteção de territórios urbanos e florestais.
Em sua participação no painel “Cartografias dos feminicídios no Brasil: entre o lar, o tráfico e o Estado”, realizado no dia 15, a procuradora apresentou dados e reflexões sobre diferentes dimensões da violência contra mulheres. Ela abordou os chamados crimes letais intencionais e as mortes atípicas de mulheres, destacando casos de feminicídio em contexto de organizações criminosas, situações de violência vividas por mulheres indígenas e casos de “mulheres suicidadas”, quando o suicídio decorre de pressões e violências sofridas.

A exposição também tratou do papel desempenhado pelas mulheres dentro das organizações criminosas que atuam no Acre. Segundo Patrícia Rêgo, essas organizações instrumentalizam a mão de obra feminina em atividades operacionais e de gestão, mas em um ambiente marcado pela dominação masculina, no qual mulheres são constantemente vigiadas, punidas e submetidas a regras de controle rígidas, como o celibato compulsório.
Outro ponto destacado foi a falsa ideia de proteção oferecida por facções em determinados territórios, que, na prática, funciona como instrumento de coerção, e os casos dos “salves”, ordens de execução determinadas por lideranças, inclusive em situações motivadas por ciúmes ou desconfiança.
Ela ressaltou que, entre 2018 e 2024, em 15% dos feminicídios consumados registrados no Acre, os autores eram integrantes de organizações criminosas e nenhuma das vítimas possuía medidas protetivas de urgência ativas. A procuradora alertou que muitos desses casos são registrados como “guerra de facção”, o que invisibiliza a motivação de gênero e dificulta a correta tipificação como feminicídio.
A palestra também abordou o fenômeno das “mulheres suicidadas”, definido como feminicídio psicológico, em que o suicídio é consequência de violências persistentes, ameaças e pressões exercidas sobre a vítima. Sobre o tema, a procuradora citou o caso da acreana Joycilene Sousa de Araújo, de 41 anos, que faleceu por suicídio em novembro de 2024, após diversos episódios de violência psicológica e patrimonial.
Para ilustrar a gravidade desse cenário, Patrícia Rêgo destacou a reflexão da pesquisadora Antonia Tavares: “Não falo apenas de Joyce. Falo de mim. Falo das outras. Joyce não é apenas mais um corpo abatido. Ela é denúncia, é luta. E, enquanto houver quem se cale, eu gritarei. O silêncio não será nossa última fala.”
O painel contou ainda com a participação da defensora pública do Amazonas, Carol Braz; da delegada de polícia de São Paulo, Soraya Galesi; da professora da Universidade Federal do Pará, Alethea Bernardo; e da deputada estadual do Amazonas, Alessandra Campelo.
Fonte: Ministério Publico – AC
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MPAC discute fluxos do Centro de Atendimento Integrado à Criança e ao Adolescente
O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), representado pelo promotor de Justiça Iverson Bueno, participou, nesta quinta-feira, 17, de uma reunião da comissão de implantação do Centro de Atendimento Integrado à Criança e ao Adolescente (Caica), cuja inauguração está prevista para maio deste ano.
A iniciativa é voltada ao atendimento humanizado de crianças e adolescentes vítimas de violência e reunirá, em um único local, serviços como apoio psicossocial, assistência jurídica, segurança pública e perícia. A proposta é agilizar os atendimentos, evitar a revitimização e reduzir a necessidade de deslocamentos entre diferentes instituições.
O encontro teve como principal objetivo a definição dos fluxos de atendimento e o alinhamento operacional entre os órgãos que atuarão no espaço, que funcionará no centro de Rio Branco.
Durante a reunião, o promotor de Justiça Iverson Bueno destacou a importância do centro como um avanço na estrutura de atendimento à infância e à adolescência no estado.

“O Caica será um marco na defesa e proteção de crianças e adolescentes, ao reunir, em um único local, estruturas essenciais como Ministério Público, Defensoria Pública, Conselho Tutelar, Polícia Civil e os serviços da assistência social. Essa integração vai garantir mais agilidade e eficiência no atendimento”, afirmou.
O promotor ressaltou ainda que o projeto é resultado de uma construção coletiva. “Esse é um espaço reivindicado há muitos anos pelo Ministério Público e por toda a rede de proteção. É fruto de um trabalho conjunto, que envolveu diversos órgãos parceiros. Com a perspectiva de inauguração já no mês de maio, damos um passo importante para tornar esse projeto realidade”, concluiu.
Fotos: Diego Negreiros
Agência de Notícias do MPAC
Fonte: Ministério Publico – AC
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