POLÍTICA NACIONAL
Aprovada na CE, indicada à Ancine defende regulação do streaming
POLÍTICA NACIONAL
A Comissão de Educação (CE) aprovou nesta terça-feira (12) a indicação da gestora Patrícia Barcelos para o cargo de diretora na Agência Nacional do Cinema (Ancine). Durante a sabatina conduzida pela senadora Teresa Leitão (PT-PE), a indicada defendeu entre as prioridades da agência a regulação das plataformas de vídeo sob demanda (streaming). Ela também indicou que vai atuar pelo “crescimento sustentável” do audiovisual independente, buscando a valorização da diversidade cultural do país. A indicação agora segue para análise do Plenário.
O questionamento sobre a regulação do streaming veio do senador Humberto Costa (PT-PE), relator da indicação (MSF 81/2024). Ele repercutiu as perguntas encaminhadas por meio do Portal e-Cidadania durante a sabatina. Uma delas tratava da preocupação com a possibilidade de regulamentação do setor e uma eventual taxação dessas plataformas no país.
— Esse é um tema extremamente atual, e nós temos uma grande expectativa de que isso possa avançar no Congresso Nacional. Aqui, no Senado, nós já tivemos um projeto que estabelece a regulação do streaming e está na Câmara dos Deputados há muito tempo, sem definição. Enquanto isso, no Brasil, o streaming não recebe nenhum tipo de taxação, enquanto todas as outras atividades do audiovisual recebem — afirmou Humberto Costa.
A indicada afirmou que o tema é encarado como a “grande prioridade” da Ancine. Ela disse esperar que o Congresso avance na regulação para que a agência possa focar nas suas atribuições de fiscalização dessa atividade.
— Há hoje um consenso de trabalho sobre a necessidade dessa regulação, que haja espaço no catálogo para produção brasileira independente, que haja proeminência. Vivemos um momento de grandes transformações tecnológicas, as janelas de transformação estão mudando a forma de consumo. É fundamental que tenhamos esse diálogo aberto com o setor. Naturalmente, o Congresso está realizando esse debate com a sociedade, com todos os atores envolvidos.
O projeto citado por Humberto (PL 2.331/2022) prevê uma cobrança de até 3% sobre a receita bruta anual das empresas de streaming em todo território nacional, através da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine). Ele foi aprovado em 2024.
Patrícia Barcelos é diretora de Políticas e Regulação da Educação Profissional e Tecnológica no Ministério da Educação (MEC) e também integra o Conselho Superior de Cinema e o Comitê de Gestão do Fundo Setorial do Audiovisual. Ela é formada em Jornalismo, com mestrado e doutorado em Educação pela Universidade de Brasília (UnB). Sua trajetória inclui a atuação como secretária nacional de Promoção e Defesa de Direitos Humanos na Presidência da República (2014-2015) e como diretora de Articulação e Projetos Especiais (2011–2012) do MEC, quando participou da implementação do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).
Diversidade e inclusão
O senador Wellington Fagundes (PL-MT) pediu pela descentralização dos recursos públicos direcionados ao audiovisual. Para ele, a diversidade cultural do país e as riquezas naturais das diferentes regiões brasileiras, como o Pantanal, deveriam ser levados em consideração para o estabelecimento de um programa permanente de incentivo a divulgação e valorização desses locais.
— O que seria possível a Ancine trabalhar para que culturas que conseguiram essa divulgação tão importante continuem a ter um programa de incentivo de Estado? — questionou o senador.
O senador Esperidião Amin (PP-SC) reforçou o mesmo questionamento. Ele solicitou também que, caso a diretora seja aprovada em Plenário, a direção da agência possa se comprometer em encaminhar à CE, periodicamente, relatórios prestando conta sobre essa iniciativa.
Patrícia Barcelos citou uma parceria entre a Ancine e o Ministério da Cultura, com o programa Arranjos Regionais, como um dos mecanismos de descentralização de recursos. O programa elabora diagnóstico do audiovisual nos estados e municípios e incentiva a criação de conteúdos independentes.
— O desafio é assegurar que a riqueza e a diversidade cultural do país sejam amplamente contempladas. A atividade audiovisual é um motor para economia criativa. Ao fomentar a criação de conteúdos em todas as regiões, garantimos que as vozes e histórias de diferentes comunidades sejam ouvidas, criando empregos, dinamizando as economias locais e ampliando o alcance do cinema e do audiovisual brasileiro.
Economia
A indicada citou uma pesquisa desenvolvida pela Ancine, de 2022, que estima o impacto econômico do setor em mais de R$ 24 bilhões para o PIB brasileiro e mais de 126 mil empregos diretos gerado. Nesse contexto, ela defendeu a agência como um “pilar estrutural” para que o audiovisual brasileiro se consolide internamente e ganhe visibilidade internacional.
— Fortalecer o financiamento da produção independente é vital para consolidar a indústria nacional, ficando em sua pluralidade, regionalidade e equidade de investimento público.
De acordo com os dados da agência, os valores captados por mecanismos de incentivos, entre 2019 e 2024, estão estimados em R$ 1,5 bilhões, com mais de 1.500 projetos atendidos. O Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) contratou mais de 4.800 projetos, totalizando investimento de R$ 3,4 bilhões, no mesmo período. Já as linhas de crédito somam mais de R$ 530 milhões em 337 contratos para capital de giro, infraestrutura e inovação.
Segundo Patrícia Barcelos, a Ancine também pode prestar serviço em frentes como o apoio para distribuição de conteúdo, a capacitação dos trabalhadores do audiovisual e melhorias tecnológicas no setor.
Outros temas
A indicada considerou fundamental acompanhar os impactos da adoção da inteligência artificial no setor de audiovisual, com diálogo em diferentes frentes que representam essa área de atuação e com o Congresso Nacional.
Ela também reforçou a relevância da participação da agência no setor de jogos eletrônicos, através do Marco Legal dos Games (Lei 14.852, de 2024), já que reconhece esses produtos como manifestação cultural e os habilita como obras audiovisuais para fins de fomento e regulação.
— Esse é um mercado que movimenta, anualmente, R$ 13 bilhões. Nesse contexto, é basilar a atuação da Ancine para impulsionar seu desenvolvimento, desde a organização de informações até os procedimentos de financiamento, visando sua ampliação e sustentabilidade.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Comissão aprova renegociação de dívidas de mutuários com o Funproger
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que permite que o Banco do Brasil e o Banco do Nordeste renegociem débitos de mutuários com o Fundo de Aval para a Geração de Emprego e Renda (Funproger).
O relator, deputado Luiz Gastão (PSD-CE), apresentou parecer pela constitucionalidade do Projeto de Lei 4774/23, do deputado Domingos Neto (PSD-CE). Ele fez apenas algumas correções técnicas no texto.
A proposta estabelece as condições de negociação, como concessão de descontos sobre encargos e multas, pagamento das prestações em até 120 meses e taxa de juros equivalente à Taxa de Longo Prazo (TLP).
Para devedores de menor renda, um regulamento poderá prever taxas de juros menores.
A renegociação extraordinária destina-se aos empréstimos feitos há, pelo menos, sete anos e registrados como inadimplentes em 31 de dezembro de 2022.
Funproger
Criado pela Lei 9.872/99, o Funproger fornece aval a empréstimos contratados por empreendedores que não possuem as garantias exigidas pelos bancos.
O fundo é composto por recursos oriundos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e gerido pelo Banco do Brasil.
Próximos passos
A proposta tramitou em caráter conclusivo e já poderá seguir para a análise do Senado, a menos que haja recurso para votação, antes, pelo Plenário da Câmara.
Reportagem – Paula Bittar
Edição – Marcia Becker
Fonte: Câmara dos Deputados
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