POLÍTICA NACIONAL
Comissão aprova projeto que reforça combate ao tráfico e à exploração sexual de crianças
POLÍTICA NACIONAL
A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4746/25, que reforça o enfrentamento ao tráfico de crianças e adolescentes e à prostituição e exploração sexual infanto-juvenil.
O texto reconhece essas práticas como atividades típicas de organizações criminosas e permite a adoção de instrumentos legais proporcionais à gravidade e à complexidade desses delitos.
A proposta, do deputado Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP), altera a Lei das Organizações Criminosas (Lei 12.850/13) para reconhecer expressamente como organização criminosa a associação estruturada voltada aos crimes listados.
O objetivo é dar maior segurança jurídica às investigações e aos procedimentos penais, além de reforçar a compreensão de que tais práticas merecem tratamento penal rigoroso e especializado.
O relator na comissão, deputado Capitão Alden (PL-BA), defendeu a aprovação da medida, argumentando que a legislação atual precisa de atualizações para lidar com a complexidade dessas quadrilhas.
Infiltração
Um dos pontos do projeto é a previsão expressa da infiltração de agentes, inclusive em ambientes virtuais, para investigar organizações voltadas ao tráfico e à exploração sexual infantojuvenil. Para o relator, a medida é fundamental para combater grupos que operam em redes fechadas e meios criptografados.
Embora a infiltração já esteja prevista na Lei das Organizações Criminosas, o objetivo de Bilynskyj é ressaltar a legitimidade e a necessidade do instrumento no contexto dos crimes contra crianças e adolescentes, considerando que muitos aliciadores e intermediadores operam por meio de redes sociais, fóruns fechados e plataformas de comunicação criptografadas.
“A proposta enfrenta, de modo direto e qualificado, a criminalidade organizada voltada a crimes de altíssima gravidade contra crianças e adolescentes”, afirmou Capitão Alden. “A infiltração virtual é uma técnica investigativa especialmente adequada ao modus operandi contemporâneo dessas organizações.”
Proteção
O texto também amplia as medidas de proteção aos agentes infiltrados e seus familiares, como escolta, alteração de identidade, mudança de domicílio e eventual inclusão em programas especiais. A proposta permite que dependentes e parentes do policial recebam proteção judicial caso fiquem expostos a riscos devido à atuação do Estado contra organizações violentas.
O projeto busca ainda aprimorar a cooperação internacional, facilitando o intercâmbio de informações e operações coordenadas com outros países. Segundo o relator, isso fortalece a resposta brasileira contra o caráter transnacional dessas redes criminosas.
Próximos passos
O projeto será analisado agora pelas comissões de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, seguirá para votação no Plenário da Câmara. Para virar lei, precisa ser aprovado pelos deputados e pelos senadores.
Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Roberto Seabra
Fonte: Câmara dos Deputados
POLÍTICA NACIONAL
Cegueira: debatedores defendem foco em diagnóstico precoce e atenção a populações carentes
A Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS) promoveu uma audiência pública nesta quarta-feira (8) para discutir o combate à cegueira evitável no Brasil. Os participantes defenderam, entre outras medidas, foco no atendimento de crianças para corrigir problemas de forma precoce, mais equidade no acesso à saúde ocular (especialmente em áreas rurais e periféricas) e atenção à população indígena.
O debate aconteceu a pedido do senador Dr. Hiran (PP-RR), que é médico oftalmologista. Participaram da audiência representantes do governo federal, de entidades médicas, de organizações internacionais e comunidades indígenas, entre outros.
Os debatedores também defenderam outras medidas, como a atualização de protocolos de tratamento para catarata e glaucoma, a utilização de inteligência artificial e a ação de técnicos locais para ampliar o atendimento em comunidades remotas e indígenas.
O evento faz parte da preparação do país para a Cúpula da Saúde Ocular, que acontece em novembro deste ano em Antígua e Barbuda. A Comissão de Assuntos Sociais pretende articular um grupo de trabalho para a elaboração de um Plano de Ação Nacional de Saúde Ocular.
Para Hiran, as consultas e os exames de vista devem deixar de se concentrar em hospitais de média e alta complexidade.
— Nós precisamos colocar a oftalmologia nos núcleos de saúde da família. Não vejo razão para a oftalmologia estar na média e alta complexidade, quando a gente precisa dar acesso às pessoas nas Unidades Básicas de Saúde [UBS], nos rincões deste país — argumentou o senador.
Foco na infância
Camila Carloni Gasparro, representante do Ministério da Saúde, destacou a importância de políticas com foco na infância, especialmente até os sete anos, para prevenir e reverter complicações visuais.
— A primeira infância realmente precisa da nossa atenção, porque ela é uma janela de oportunidade para a gente resolver muitas coisas que podem ser resolvidas ali, naqueles primeiros anos de vida, e que evitam complicações futuras — alertou ela.
O senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) também frisou a importância da detecção precoce de problemas oculares. Ele contou sua experiência pessoal com isso e enfatizou que é preciso atenção com os problemas de visão causados por glaucoma e diabetes.
— Tem muita gente no país que acaba não tendo acesso aos exames e, quando se dá conta, já está em situação complicada.
Catarata e glaucoma
Já Mauro Goldbaum, do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), enfatizou a urgência de se combater doenças como catarata e glaucoma, ressaltando que, em 2024, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 12,5 milhões de consultas oftalmológicas. Ele citou a participação do CBO em campanhas de atendimento e conscientização, mas considera que é preciso ir além dessas ações.
— A gente precisa de uma solução mais oficial, e não só mutirões, e não só campanhas. E essa solução passa pelo acesso, pela participação da oftalmologia na atenção primária da população — enfatizou ele.
Desigualdade e tecnologia
Victor Pavarino, da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que está vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), alertou para o alto custo econômico da cegueira no mundo. Ele ressaltou que a maior parte dos casos poderia ter sido evitada. E também condenou a falta de equidade no acesso à saúde ocular, que afeta negativamente áreas rurais e periféricas.
— Para reduzir a cegueira e a deficiência visual, a gente precisa aumentar o acesso aos serviços de atenção oftalmológica e fortalecer os serviços públicos nas áreas mais pobres de cada país. E o acesso a cuidados com a visão pode reduzir bastante a deficiência visual e os erros de refração ao longo do curso de vida — salientou.
Para melhorar essa situação, o professor Rubens Belfort Mattos Junior, da Academia Nacional de Medicina (ANM), sugeriu o uso de novas tecnologias e a capacitação de técnicos para triagens em massa. Ele manifestou apoio à campanha mundial da Agência Internacional de Prevenção de Cegueira (IAPB, na sigla em inglês) para a conscientização sobre a importância da saúde ocular.
— Acho que a pauta está estabelecida: Vale a pena a gente investir na saúde ocular? É uma questão só de caridade? É uma questão de solidariedade humana ou também de aporte naquilo que vai reverter em benefício financeiro da sociedade? E a resposta é: Eu acho que sim, sem dúvida nenhuma.
Indígenas
O líder indígena Ewésh Yawalapiti Waura, por sua vez, relatou as dificuldades de acesso à saúde ocular enfrentadas em aldeias. E também defendeu a implementação de políticas públicas permanentes nessa área. Ele disse que a saúde ocular é fundamental para a dignidade e autonomia dos povos indígenas.
— Quando se afirma que milhões de brasileiros poderão apresentar perda da visão nos próximos anos, os povos indígenas fazem parte dessa realidade. Mas muitas vezes permanecemos invisíveis nas estatísticas. Ainda conhecemos muito pouco sobre a situação da saúde ocular dentro dos territórios indígenas. Sem diagnóstico adequado, sem dados e sem monitoramento, torna-se ainda mais difícil construir políticas públicas eficientes.
Cúpula da Saúde Ocular
Outra representante da Agência Internacional de Prevenção de Cegueira (IAPB), Frank Hida, afirmou que a Cúpula da Saúde Ocular será um marco histórico.
— Líderes mundiais vão se sentar para transformar promessas da resolução da ONU [Organização das Nações Unidas] em ações concretas e financiadas. (…) A perda de visão custa à economia mundial cerca de 411 bilhões de dólares em produtividade perdida por ano.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
-
SEM CATEGORIA2 dias atrásPrefeito de Rio Branco acompanha obras do Programa Prefeitura nas Ruas no bairro Oscar Passos
-
AGRONEGÓCIO2 dias atrásPecuária leiteira enfrenta desafio de rentabilidade em meio a custos elevados e mudanças climáticas
-
AGRONEGÓCIO6 dias atrásEl Niño intensifica riscos climáticos e Coopercitrus reforça estratégia técnica para proteção do produtor rural
-
ACRE6 dias atrásExpoacre Juruá vira vitrine gastronômica, movimenta economia e atrai famílias
-
AGRONEGÓCIO6 dias atrásControle parasitário em bovinos ganha força com chegada das pastagens de inverno no Rio Grande do Sul
-
POLÍTICA NACIONAL5 dias atrásComissão debate restrição de acesso de crianças e adolescentes às redes sociais; participe
-
SEM CATEGORIA4 dias atrásNovos equipamentos reforçam o trabalho da agricultura familiar em Rio Branco
-
ACRE7 dias atrásSimulador de trânsito do Detran atrai público no segundo dia da Expoacre Juruá