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Homenagem destaca legado do médium Divaldo Franco

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O Senado promoveu, na tarde desta sexta-feira (15), uma sessão especial em homenagem ao médium Divaldo Franco. Durante o evento, os discursos destacaram o legado humanitário e espiritual de Divaldo, que morreu no último dia 13 de maio, aos 98 anos.

O senador Eduardo Girão (Novo-CE), autor do requerimento para a homenagem (RQS 371/2025), afirmou que o médium teve a vida marcada pela dedicação constante ao amor, à educação, à paz e à caridade. Girão disse que Divaldo foi “como um pai” para ele. Segundo o senador, o médium adotou mais de 600 crianças.

O senador ainda destacou que a pluralidade de fé do Brasil encontra na figura de Divaldo Franco um símbolo de união, respeito e serviço ao próximo. Girão disse que quem teve o privilégio de ter conhecido Divaldo sabe que ele tinha um grande carinho e uma grande dedicação ao país.

— Foi um grande brasileiro, inesquecível pacifista e humanista, reconhecido no Brasil e no mundo — declarou o senador.

Para o presidente da Federação Espírita Brasileira, Jorge Godinho Barreto Nery, a vida de Divaldo Franco inspira a gratidão. Ele lembrou que o médium realizou mais de 20 mil palestras no Brasil e no mundo. De acordo com Jorge Nery, a vivência familiar auxiliou Divaldo a entender a diversidade.

Nery ainda disse que a mediunidade do líder se apresentou logo na infância e que Divaldo se tornou uma das maiores referências do espiritismo no mundo, ao lado de outros nomes como Chico Xavier.

— Divaldo foi um exemplo do verdadeiro espírita, do espírita cristão, que todos procuramos ser na dimensão prática — declarou Nery.

O presidente do Centro Espírita Caminho da Redenção, em Brasília, Waldir Beira Júnior, afirmou que Divaldo Franco dedicou sua vida a servir, como um missionário do amor. Para Beira Júnior, Divaldo tratava a todos com carinho especial, levando consolo e entendimento aos necessitados.

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— Seu corpo hoje descansa, mas sua presença continuará viva. Era um incansável trabalhador, semeador da esperança e acima de tudo um ser humano exemplar — afirmou Beira Júnior.

Filme

O cineasta Clovis Mello, roteirista e diretor do filme Divaldo, o Mensageiro da Paz (2019), apontou a humildade como uma característica muito marcante do médium. Ele relatou que na primeira reunião sobre o filme, Divaldo disse que não estava se identificando com o roteiro. Clóvis contou que assumiu o roteiro e que o foco seria na mensagem e não no mensageiro. Assim, Divaldo aprovou e passou a gostar da ideia.

— Além de toda a vida que ele propunha, Divaldo me mostrou a morte do ego. Precisamos superar as diferenças e viver a caridade — afirmou o diretor.

A atriz Regiane Alves afirmou que foi um privilégio ter conhecido Divaldo Franco. Ela interpretou Joanna de Ângelis no filme e definiu a experiência como um “resgate da fé”. Joanna de Ângelis é considerada a guia espiritual de Divaldo. Segundo a atriz, a vida do médium deixa um legado de renúncia e de amor ao próximo.

— Todas a homenagens a Divaldo parecem pequenas diante da grandeza de sua obra — ponderou a atriz.

Para a jornalista Daniela Migliari, autora do livro Divaldo Franco, bastidores do filme, houve uma “outra produção” além da produção do filme, que foi na esfera espiritual. Ela disse que foi uma honra ter tido contato com Divaldo e relatou que sentiu uma presença espiritual que a motivou a escrever o livro.

— Quando a gente se dá por inteiro na mensagem, isso alcança muitas almas. O filme fala, sobretudo, do amor à vida — declarou Daniela Migliari.

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Revelação

A desembargadora Maria Piedade Bueno Teixeira, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 10ª região, relatou que recebeu uma revelação de Divaldo Franco, de que ela seria “conhecida no mundo”. Ela disse que, tempos depois dessa revelação, recebeu a missão de traduzir a obra de Divaldo para várias línguas, o que a tornou conhecida em muitos países.

Como parte da homenagem, foi lançado o livro infantil Divaldo Franco, a terra boa!, da escritora Nísia Anália. O conferencista Haroldo Dutra e representantes do Ministério dos Direitos Humanos e de entidades espíritas também acompanharam a sessão, que contou com a apresentação do coral Elos de Luz e com a participação da contadora de história Nyedja Gennari.

Divaldo

Ao longo da sessão, foram exibidos alguns vídeos com informações sobre a vida do médium e seu trabalho humanitário. Um dos vídeos definiu o médium como “um farol”, que trabalhou com palavras doces e ações gentis, no fortalecimento das almas. Outro vídeo destacou os desafios de Divaldo na construção do seu legado e seu compromisso com a doutrina espírita e com o amor prático.

Divaldo Pereira Franco nasceu em 5 de maio de 1927, em Feira de Santana (BA). No começo da década de 1950, participou da fundação da instituição de caridade Mansão do Caminho, em Salvador. Por mais de 70 anos, ele esteve à frente da entidade, que hoje tem 80 mil m2 e atende cerca de 6 mil pessoas por dia. Ele escreveu mais de 260 livros, que venderam mais de 10 milhões de exemplares, e era considerado um dos maiores divulgadores da doutrina espírita no mundo.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto

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O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.

Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.

O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.

O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.

Agosto

Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.

—  Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.

As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).

— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.

Defesa

Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.

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— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.

Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.

Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.

— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.

Eleições

Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral. 

— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.

No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.

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— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.

Outras propostas

Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia.  Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.

— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.

A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.

Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.

Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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