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POLÍTICA NACIONAL

Mercado de carbono é ativo promissor para o Brasil, aponta debate

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O mercado de crédito de carbono pode representar um leque de oportunidades para o Brasil, tanto do ponto de vista econômico quanto do ambiental, disseram especialistas que participaram nesta quarta-feira (24) da primeira reunião de 2025 do Grupo Parlamentar de Relacionamento com o Brics. A audiência pública também debateu questões como o tarifaço americano, parcerias internacionais e Hidrovia do Arco Norte. O senador Irajá (PSD-TO), que presidiu o debate, destacou a importância da conjunção de esforços para que o Brasil consiga seus objetivos de crescimento, em parceria com os integrantes do Brics e outros países.

O senador Sérgio Petecão (PSD-AC) disse que é importante fortalecer os laços com os países parceiros. Ele defendeu a articulação política para superar as desavenças comerciais e celebrou a possibilidade de acordos com a China para a construção de vias ferroviárias. Para o senador, será estratégico também um contato com o governo do Peru, para que o Brasil tenha acesso aos portos daquele país no Pacífico.

Câncer

A senadora Dra. Eudócia (PL-AL) confirmou que uma comitiva do Senado visitará a Rússia em outubro para acompanhar os estudos de vacina contra o câncer. A senadora preside a Subcomissão Temporária de Prevenção e Tratamento do Câncer, criada dentro da Comissão de Assuntos Sociais (CAS). Ela disse que pretende buscar uma parceria de institutos russos com entidades brasileiras, como o Butantã e a FioCruz, para que o Brasil também consiga produzir a vacina.

Dra. Eudócia parabenizou o governo da Rússia pela dedicação nos estudos da vacina contra o câncer. Ela, que é médica, disse que a vacina já está avançada na fase de testes, sendo aplicada em pacientes com o diagnóstico da doença. Para a senadora, a vacina será um divisor de águas no tratamento oncológico.

— A subcomissão CASCâncer foi criada para absorver os projetos que são ligados ao câncer. As projeções apontam que o câncer será a doença que mais mata no mundo até 2030. A vacina é algo que vai revolucionar o tratamento. É um motivo de alegria participar deste momento que envolve os países do Brics. Vamos juntos trabalhar para avançarmos em várias pautas — afirmou a senadora.

Na visão do senador Irajá, a vacina contra o câncer pode representar a esperança de milhões de pessoas. Ele defendeu aprofundar as pesquisas e a discussão sobre a troca de tecnologia. Irajá ainda disse esperar uma parceria com a Rússia para que a vacina seja aplicada também no Brasil.

Tarifas

O aumento das tarifas dos Estados Unidos a produtos de outros países, conhecido como “tarifaço”, foi um dos pontos da audiência do grupo parlamentar. Em vigor desde agosto, as tarifas são vistas como parte da política comercial protecionista iniciada durante o governo do presidente Donald Trump. Café, frutas e carnes estão entre os produtos que passaram a pagar uma sobretaxa de 50%.

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O coordenador-geral de Projeções Econômicas da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Rafael Leão, disse que a relação comercial entre o Brasil e os Estados Unidos mostra um superávit histórico (exportações maiores que importações) em favor do país norte-americano. Segundo Leão, as tarifas adicionais impostas por Trump podem reduzir o PIB brasileiro em 0,2% e aumentar o desemprego nacional em 0,1%. Ele apontou, porém, que a reação do governo com o pacote de R$ 30 bilhões para atender setores atingidos pode reduzir o impacto à metade.

— Isso evidencia um potencial importante e satisfatório do plano do governo para mitigar os efeitos das tarifas — afirmou Leão.

Conforme explicou o diretor do Departamento Estatístico e Estudos de Comércio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Herlon Alves Brandão, os impactos setoriais são mais consideráveis que os macroeconômicos. Isso significa que alguns setores poderão ser mais fortemente atingidos pelo tarifaço, como é o caso dos produtores de café, madeira, carnes, açúcar e produtos químicos e orgânicos.

A senadora Dra. Eudócia elogiou a exposição dos convidados e pediu união entre os diversos setores da sociedade e do governo para ações que possam minimizar os efeitos do incremento das tarifas dos Estados Unidos. 

Carbono

O secretário de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo do Ministério da Agricultura e Pecuária, Pedro Neto, afirmou que a lei que instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE) representou um grande avanço e é um sinal do esforço do país ante à descarbonização. Ele defendeu a democratização do mercado de crédito de carbono, com medidas que facilitem o acesso do pequeno produtor.

O assessor da Secretaria de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Artur Silva Boaretto, disse que o mercado de carbono deve ser regido por princípios como transparência, equidade e colaboração. Ele defendeu o intercâmbio de conhecimento, com “um link” entre o SBCE e os métodos dos mercados de outros países.

— Precisamos também estabelecer um debate sobre uma coalização aberta para a integração dos mercados de carbono — declarou Boaretto.

Arco Norte

O superintendente da Área de Soluções de Infraestrutura do BNDES, Ian Ramalho Guerriero, explicou que o projeto Hidrovia do Arco Norte envolve os rios Tocantins e Tapajós, entre os estados de Mato Grosso, Tocantins e Pará. Considerando as sub-regiões, o arco pode alcançar o Acre e alguns estados do Nordeste.

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Segundo Guerriero, os estudos preveem investimentos para sinalização, segurança e facilitação do transporte. Ele disse que os estudos apontam também a necessidade de investimentos em pontos críticos da navegabilidade.

Para o superintendente, o potencial de navegabilidade desses rios tem sido subutilizado. Daí, a importância dos estudos do BNDES. Ele informou que até o fim do ano o banco levará ao governo as opções para a implantação da hidrovia, que será feita em parceria com uma empresa privada.

— Em breve, teremos novidades. Estamos neste momento tratando estes dados para levá-los aos órgãos do governo, para que sirvam de base para montar o contrato com o parceiro privado — registrou Guerriero.

De acordo com o superintendente de Estudos e Projetos Hidroviários da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Eduardo Queiroz, o Brasil tem 20 mil quilômetros de rios economicamente navegáveis. No entanto, estudos indicam que o potencial pode ser o dobro ou até o triplo. Ele disse que o projeto do Arco Norte é importante para a integração regional e nacional, mas também é importante dos pontos de vista ambiental e econômico.

— Esta é a nossa realidade: não temos hidrovias, temos rios navegáveis. Hidrovias demandam investimentos e gestão. Queremos tornar esses rios navegáveis em trechos utilizados de forma racional, com previsibilidade e segurança — declarou Queiroz.

A audiência contou com a presença do governador do Tocantins, Laurez Moreira; do presidente do Instituto do Desenvolvimento do Brics, Washington Umberto Cinel; e de representantes das Embaixadas de Etiópia, China, Rússia e Tailândia, entre outras. Servidores de ministérios e representantes de entidades ligadas ao Brics também acompanharam o debate.

Grupo parlamentar

O Grupo Parlamentar de Relacionamento com o Brics, criado em 2023, tem como objetivo acompanhar legislações e políticas relacionadas ao bloco, promover o intercâmbio com os parlamentos dos países-membros e defender os interesses do Brasil no bloco. O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) é o presidente de honra do colegiado, que tem 38 membros.

Além do Brasil, o Brics reúne Rússia, Índia, China e África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto

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O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.

Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.

O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.

O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.

Agosto

Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.

—  Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.

As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).

— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.

Defesa

Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.

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— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.

Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.

Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.

— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.

Eleições

Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral. 

— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.

No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.

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— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.

Outras propostas

Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia.  Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.

— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.

A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.

Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.

Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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