POLÍTICA NACIONAL
Pacote contra tarifaço vai reconstruir sistema de crédito para exportações, diz Ministério da Fazenda
POLÍTICA NACIONAL
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, afirmou que o Plano Brasil Soberano (pacote de apoio às empresas atingidas pelo tarifaço dos Estados Unidos) não é apenas emergencial, mas tem o objetivo estrutural de reconstruir o sistema de garantia de crédito para as exportações do país.
Segundo ele, o sistema de financiamento às exportações foi desmontado nos últimos anos, com poucas linhas de crédito direcionadas a grandes empresas, como Embraer, na contramão do que ocorre em outros países em desenvolvimento, que possuem bancos próprios para impulsionar o setor de exportação “Exim Banks”.
Mello participou nesta terça-feira (30) de reunião da comissão mista que analisa a Medida Provisória 1309/25, que prevê R$ 30 bilhões em linhas de financiamento via Fundo de Garantia à Exportação (FGE), operado pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além disso, estão previstos R$ 10 bilhões em linha de crédito complementar com recursos do próprio BNDES.
“São linhas de crédito abrangentes o suficiente para dar conta dessa nova realidade das relações econômicas globais que vai exigir que as nossas empresas se prepararem para um ambiente competitivo mais difícil”, explicou Guilherme Mello. “Não só reduzem o impacto da tarifação, mas trazem inovações no sistema de financiamento a exportações e a proteção aos empregos, nessa nova fase do capitalismo mundial”, disse.
A MP e o Projeto de Lei Complementar 168/25 fazem parte da resposta do governo ao tarifaço. O projeto foi apresentado ao Congresso pelo líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA), e autoriza a União a aportar R$ 1,5 bilhão no Fundo Garantidor de Comércio Exterior (FGCE). O texto em análise no Senado deverá chegar à Câmara dos Deputados nos próximos dias.
Impacto orçamentário
Guilherme Mello reforçou que a MP não tem impacto primário sobre as finanças federais, já que uma parte do superávit financeiro do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) será direcionada para seu financiamento.
Por outro lado, o projeto de lei complementar terá impactos no Orçamento, uma vez que prevê recursos para capitalizar os fundos garantidores para pequenas e médias empresas, entre outras medidas.
Impactos do tarifaço
O representante do Ministério da Fazenda minimizou o impacto macroeconômico das tarifas norte-americanas, justificando que apenas 12% das exportações do Brasil são destinadas aos Estados Unidos. Isso, em sua visão, ocorre devido ao esforço de diversificação comercial ocorrido nos últimos 20 anos.
“Isso não quer dizer que essa tarifação não nos preocupe, porque apesar do impacto macroeconômico não ser tão significativo, o impacto setorial pode ser muito significativo”, observou.
Segundo estimativas da pasta, o impacto do tarifaço no PIB é da ordem de 0,2% para este ano e 2026. Entre os setores mais prejudicados, ele citou os de móveis de madeira, couro e café.
Micro e pequenas empresas
Para as micro e pequenas empresas, a medida provisória altera o programa de apoio Pronampe, permitindo que a garantia para os bancos que emprestarem recursos a essas empresas chegue a 100% do valor de cada operação, com um limite de 85% por carteira. Além disso, os beneficiários do Pronampe que também se enquadrem no Plano Brasil Soberano poderão prorrogar os prazos de operações vencidas e a vencer.
Nesse ponto, o presidente da comissão, deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP), defendeu que o pacote beneficie o maior número de empresas afetadas pela tarifação. “Se não estiverem sendo atendidas, nós vamos trabalhar de alguma forma para atender”, reforçou.

Diálogo
O chefe de gabinete do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Pedro Henrique Giocondo Guerra, afirmou que o governo continua comprometido em negociar a sobretaxa de 50%, que atinge 35% das exportações brasileiras aos Estados Unidos. Segundo ele, as negociações bilaterais ocorrem em “caminhos institucionais e de maneira muito cuidadosa”.
Além disso, a orientação é para ampliar o leque de parceiros comerciais. “Buscamos estabelecer um conjunto de iniciativas sob orientação do presidente Lula para abrir novos mercados para minimizar os efeitos das tarifas e transformar aquilo que é um desafio em uma nova oportunidade”, disse.
Compras governamentais
O representante do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Roberto Pojo, disse que a MP pode fortalecer as compras públicas como ferramenta de estímulo à competitividade das empresas nacionais. Conforme ele, as empresas norte-americanas tem 100% de vantagem competitiva nas compras governamentais, enquanto as brasileiras tem 10%.
Isso ocorre, explicou Pojo, porque no país vigora a percepção de menor preço a qualquer custo, o que resultou em grandes processos de centralização da produção, em detrimento da valorização de cadeias produtivas locais. Ele informou que o poder de compra do Estado representa de 12% a 16% do PIB.
“As compras públicas deixariam de ser um procedimento de aquisição de recurso da construção de políticas públicas e passam a ser uma política pública per se”, disse Roberto Pojo. Ele elogiou emenda à MP apresentada pelo deputado Vitor Lippi (PSDB-SP) que trata desse tema.
Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Pierre Triboli
Fonte: Câmara dos Deputados
POLÍTICA NACIONAL
Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto
O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.
Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.
O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.
O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.
Agosto
Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.
— Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.
As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).
— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.
Defesa
Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.
— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.
Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.
Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.
— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.
Eleições
Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral.
— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.
No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.
— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.
Outras propostas
Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia. Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.
— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.
A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.
Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.
Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
-
SEM CATEGORIA7 dias atrásPrefeitura de Rio Branco reforça prevenção às queimadas na APA Raimundo Irineu Serra
-
SEM CATEGORIA7 dias atrásPrefeitura de Rio Branco intensifica recuperação de vias no bairro Bonsucesso com ações do programa Prefeitura nas Ruas
-
FAMOSOS7 dias atrásMarina Ruy Barbosa curte folga e faz topless durante pausa na Toscana
-
SEM CATEGORIA6 dias atrásParque Ambiental Chico Mendes será fechado temporariamente para obras de revitalização
-
POLÍTICA NACIONAL7 dias atrásRetrospectiva: Câmara aprovou propostas de combate à violência contra a mulher
-
ESPORTES6 dias atrásCorinthians volta da paralisação da Copa com goleada sobre o Remo e se aproxima do G5 do Brasileirão
-
FAMOSOS7 dias atrásAry Mirelle diverte seguidores ao mostrar João Gomes em encontro: ‘Prometeu tudo’
-
AGRONEGÓCIO7 dias atrásVazio sanitário vai até 1º de abril, mas é hora de antecipar decisões para a próxima safra