POLÍTICA NACIONAL
Preocupação com segurança pública mobilizou o Senado em 2025
POLÍTICA NACIONAL
Ao longo de 2025, a segurança pública consolidou-se como um dos temas mais recorrentes no Senado, o que reflete a preocupação dos brasileiros com a expansão do crime e a demanda por respostas do Estado.
Votação de projetos de lei, debates nos colegiados e a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) neste ano mostraram o esforço dos parlamentares em propor e examinar medidas de enfrentamento à violência sob múltiplos ângulos: de projetos de endurecimento penal até a reorganização estrutural do sistema de segurança.
A Agência Senado mapeou alguns dos principais acontecimentos do ano, com destaque para o que foi aprovado, o que segue em tramitação e as iniciativas que avançaram para análise em 2026.
Crime organizado
O combate ao crime organizado marcou a agenda de segurança pública em 2025, especialmente com a aprovação pelo Plenário do Senado, em 10 de dezembro, do Projeto de Lei (PL) 5.582/2025, chamado PL Antifacção.
O texto endurece penas para crimes cometidos por organizações criminosas e milícias, restringe regras de progressão de regime e amplia instrumentos de investigação. Entre os dispositivos, está a previsão de destinação de recursos das empresas de apostas (bets) para o Fundo Nacional de Segurança Pública.
O relator da proposta, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que a intenção foi fortalecer as ferramentas legislativas de combate ao problema.
— Tudo foi construído com o objetivo de fazer frente a um dos grandes desafios do nosso tempo, que é a escalada do crime organizado no território e na economia do país. O projeto traz agravamento de penas, novos instrumentos de enfrentamento e reforço ao financiamento da segurança pública — resumiu.
O texto foi aprovado com modificações em relação ao enviado pela Câmara e por isso retornou para análise dos deputados.
Crimes violentos
Em 14 de outubro, o Senado aprovou o PL 4.809/2024, que altera regras de execução penal e impõe critérios mais rígidos para o cumprimento de penas em crimes violentos. O projeto foi remetido à Câmara dos Deputados para continuidade da tramitação.
Outra proposta de endurecimento penal debatida ao longo do ano no Senado aumenta as penas para crimes de furto, roubo e receptação. O PL 5.550/2020, do senador Styvenson Valentim (PSDB-RN), foi aprovado em abril na Comissão de Segurança Pública (CSP), presidida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Agora o texto será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Polícias científicas
Também avançou a proposta de emenda à Constituição que inclui as polícias científicas entre os órgãos de segurança pública. Após aprovação em dois turnos no Plenário do Senado em 16 de dezembro, a PEC 76/2019, de autoria do então senador Antonio Anastasia (MG), será agora analisada pela Câmara dos Deputados.
A polícia científica é responsável pelas perícias oficiais em investigações criminais, como criminalística, medicina legal e identificação. A proposta busca dar reconhecimento constitucional a esses órgãos, o que poderá reforçar a autonomia, uniformizar nomenclaturas e fortalecer a atuação técnica em todo o país.
Relatora da matéria no Senado, a senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO) destacou que a garantia constitucional vai reforçar a autonomia institucional desses agentes.
Segurança escolar
Em 4 de julho, foi sancionada a Lei 15.159, que aumenta penas para crimes cometidos em ambiente escolar. A norma, originada de proposta do governo federal (PL 3.613/2023), foi aprovada pelo Senado no dia 11 de junho.
Com a sanção, a lei passou a integrar o arcabouço normativo de proteção a estudantes, professores e servidores de escolas, com foco na prevenção e resposta a episódios de violência em instituições de ensino.
CPI do Crime Organizado
Em novembro o Senado instalou a CPI do Crime Organizado, com vistas a investigar a atuação de facções criminosas e milícias, as conexões econômicas dessas organizações e as ramificações estaduais.
Em uma das oitivas da comissão parlamentar de inquérito, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, destacou a complexidade contemporânea do crime organizado.
— O crime organizado é um fenômeno novo que saiu do mundo físico para o digital, das cidades para o mundo e da clandestinidade para as estruturas do poder e da economia — declarou.
O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), tem defendido que o enfrentamento exigido para esse fenômeno deve ser tratado com base em investigação aprofundada e cooperação institucional.
PEC da Segurança Pública
Entre as políticas estruturais tratadas em 2025, destaca-se a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/2025, conhecida como PEC da Segurança Pública, que busca reorganizar o sistema de segurança no país.
A PEC prevê maior coordenação entre União, estados e municípios, além da criação de um Sistema Nacional de Segurança Pública, com diretrizes integradas para políticas, dados e ações.
Em 15 de dezembro, líderes partidários decidiram adiar para 2026 a votação da proposta no Plenário da Câmara dos Deputados (Casa iniciadora), assim como a análise final das alterações feitas pelo Senado no PL Antifacção.
Segurança pública: atuação do Senado em 2025 |
|
| Projetos aprovados |
• PL 5.582/2025 (PL Antifacção): alterado pelo senadores, retornou para a Câmara • PEC 76/2019 (reconhecimento das polícias científicas): enviado à Câmara |
| Projetos que avançaram | • PL 5.550/2020 (pena maior para furto, roubo e receptação): aprovado na CSP, está em análise na CCJ |
| Aguarda votação em 2026 | • PEC 18/2025 (PEC da Segurança Pública): ainda em análise na Câmara |
| Lei sancionada | • Lei 15.159, de 2025 (penas maiores para crimes em escolas) |
| CPI do Crime Organizado |
• Continua os trabalhos em 2026 |
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Deputados de oposição comemoram e governistas criticam rejeição do Senado a Messias no STF
A rejeição do Senado à indicação de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) foi comemorada por deputados da oposição, em discursos no Plenário da Câmara. Parlamentares da base do governo, porém, avaliaram que o Senado “virou as costas” para o povo com a decisão. O nome de Messias foi rejeitado nesta quarta-feira (29) por 42 a 34 votos dos senadores.
A oposição classificou a rejeição de Messias como “vitória da democracia” contra o que chamam de tentativa de aparelhamento do Judiciário. Para o líder da oposição, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), a votação marca “a maior vitória” dentro do Congresso em defesa do Estado Democrático de Direito. “Esta vitória não é nossa, não é da oposição, não é do Senado nem da Câmara. Esta vitória é do povo brasileiro”, declarou.
A base do governo, por sua vez, acusou o Senado de virar as costas para o povo brasileiro e para a democracia. “Os inimigos do povo não respeitaram o voto soberano e popular na indicação do ministro do Supremo, de uma pessoa ilibada, decente, coerente, evangélico”, disse o líder do PT, deputado Pedro Uczai (SC). Segundo ele, a democracia e o povo brasileiro vão derrotar os que estão contra o governo nas próximas eleições.

O líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que o Executivo viu, com a votação, “as costas” do Senado Federal. “Parabéns aos senadores pelo recado duro que hoje deram ao governo”, disse.
Já o deputado Helder Salomão (PT-ES) reforçou que a ação do Senado foi contra o povo brasileiro. “Hoje rejeitam a indicação de um homem íntegro, preparado, com todas as qualificações para ser um ministro”, lamentou.
Indicação
Atual advogado-geral da União, Jorge Messias foi indicado para o cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na vaga decorrente da aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, que deixou o tribunal em outubro de 2025.
Com a rejeição, a mensagem indicando Messias foi arquivada, e o presidente Lula terá de encaminhar um novo nome para preencher a vaga deixada por Barroso no STF.
Esta foi a primeira vez que uma indicação ao STF foi rejeitada em 132 anos. Antes, apenas cinco indicações feitas pelo então presidente da República foram derrubadas pelos senadores. Todas as rejeições ocorreram em 1894, no governo do marechal Floriano Peixoto. O STF foi criado em 1890, após a Proclamação da República.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli
Fonte: Câmara dos Deputados
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