POLÍTICA NACIONAL
Senado aprova redução dos limites da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará
POLÍTICA NACIONAL
O Senado aprovou nesta quarta-feira (15) o projeto de lei que reduz os limites da Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, no Pará, convertendo em Área de Proteção Ambiental (APA) os trechos retirados. A intenção é permitir a exploração agropecuária na região.
O projeto (PL 2.486/2026) é de autoria do deputado federal Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL). A matéria foi aprovada pelo Senado sem mudanças em relação ao texto que havia sido aprovado na Câmara. Agora a proposta segue para a sanção da Presidência da República.
O texto subtrai dos limites da Flona do Jamanxim áreas ocupadas por agricultores — que estão em situação irregular. As APAs têm regras mais flexíveis para ocupação e para atividades econômicas. De acordo com o relator da matéria, senador Jader Barbalho (MDB-PA), a mudança tem o objetivo de resolver conflitos fundiários históricos.
— A recategorização de parte do território permite disciplinar ocupações consolidadas e reconhecer atividades produtivas preexistentes. (…) Trata-se de medida que compatibiliza proteção ambiental e ordenamento territorial com adequada segurança jurídica — disse Jader, que participou da sessão de forma remota.
Atualmente, a Flona do Jamanxim possui 1,3 milhão de hectares. O projeto retira da floresta 486 mil hectares para convertê-los em Área de Proteção Ambiental. A área a ser desmembrada é maior que um terço da floresta atual e tem o tamanho um pouco menor que o do Distrito Federal. Com a mudança, a flona passará a ter com cerca de 815 mil hectares.
Retomada
O projeto retoma o que estava previsto na Medida Provisória 756/2016. Aprovada pelo Congresso, com mudanças, em 2017, essa medida acabou sendo vetada pelo então presidente Michel Temer, após a pressão de ambientalistas e entidades internacionais.
Criadas em 2006, a Floresta e o Parque Nacional do Jamanxim eram parte de uma estratégia para evitar a degradação ambiental na região provocada pela Rodovia BR-163, que corta a área desde 1976. Ao longo do tempo, no entanto, a degradação ambiental continuou.
O texto aprovado agora permite — explicitamente — a mineração dentro da floresta e da APA a ser criada, mas desde que isso respeite planos de manejo. Jader Barbalho reitera que as novas regras reduzem a insegurança jurídica na região.
— A medida favorece uma gestão territorial mais estável e compatível com o desenvolvimento sustentável regional, uma vez que disciplina ocupações consolidadas e reconhece atividades produtivas preexistentes, sem perder de vista a proteção ambiental — argumentou ele.
Desapropriações
O projeto permite ao governo realocar, em terras disponíveis da União ou do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na Amazônia Legal, os atuais ocupantes de áreas rurais dentro dos limites da Floresta Nacional do Jamanxim. Até assumir a posse das novas áreas, os ocupantes poderão continuar a exercer suas atividades.
Quanto à regularização fundiária, o texto aprovado especifica que, para se obter o título das terras, a área não pode apresentar desmatamento ilegal.
Ferrogrão
De acordo com defensores do projeto, a mudança pode ajudar a viabilizar o traçado da Ferrogrão (EF-170), ferrovia destinada a escoar grãos do Centro-Oeste até o Norte do país.
— Quero fazer um comentário, aqui, em nome do meu partido, o PL, sobre a importância de se aprovar esse projeto. A Ferrogrão depende muito das licenças ambientais. Já tem demorado demais, e o Brasil tem pressa (…). Estamos aqui para fazer com que a Ferrogrão seja um projeto [implementado] o mais rápido possível e viável, para fazer com que o Brasil seja competitivo mundialmente — declarou o senador Wellington Fagundes (MT).
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Importância do direito tributário é destacada em sessão especial
A importância do direito tributário para a sociedade foi o tema central de uma sessão especial no Plenário do Senado nesta quinta-feira (17). Requerida pela senadora Daniella Ribeiro (PP-PB) e presidida pelo senador Izalci Lucas (PL-DF), a solenidade marcou o encerramento da 33ª edição das Jornadas Latino-Americanas de Direito Tributário, com representantes de 21 países.
As Jornadas são promovidas pelo Instituto Latino-Americano de Direito Tributário (ILADT), fundado em 1958 em Montevidéu, no Uruguai. No Brasil, a Associação Brasileira de Direito Financeiro (ABDF) é a representante oficial do instituto.
Izalci Lucas (PL-DF) lembrou que é contador e que a profissão lhe trouxe ensinamentos úteis para seu trabalho parlamentar.
— Atrás de cada número, tem uma vida. O direito tributário não é ciência de números, mas é ciência de vidas — registrou o senador.
Reforma tributária
O presidente do ILADT, Heleno Taveira Torres, elogiou o papel do Congresso Nacional na reforma tributária. Segundo Torres, o país vem dando uma demonstração de maturidade nos últimos anos, ao debater e aperfeiçoar o sistema tributário. Ele acrescentou que um dos papéis das jornadas é debater as alterações tributárias, com foco na segurança jurídica e na previsibilidade.
— Há um direito tributário unido na América Latina. Trabalhamos juntos para construir conceitos da tributação. Continuaremos trabalhando com respeito, inovação e inclusão — registrou.
Para a presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Fernanda Mara de Oliveira Pacobahyba, as jornadas tributárias são importantes também para a educação. Ela, que é auditora fiscal, disse que os professores da área são “verdadeiros mestres” da matéria. Pacobahyba também lembrou que a arrecadação dos tributos colabora com o financiamento da educação.
— Não há sociedade democrática que se ergue fora dos tributos. Meu desejo é que a reforma tributária venha para construir um país melhor — declarou a presidente do FNDE.
Proteção
A presidente da Associação Tributária da República Dominicana, Eunice Arias Torres, agradeceu ao Senado pela homenagem. Ela, que será a próxima presidente do ILADT, afirmou que o direito tributário não é estático, por ser feito por seres humanos, e que por isso ele deve ter a preocupação de fazer justiça.
Também participaram da sessão especial o secretário-geral do ILADT, Juan Albacete, e o conselheiro do ILADT Jonathan Barros Vita, além de contadores, advogados e participantes das Jornadas.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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