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Sessão especial destaca alcance e benefícios da musicoterapia

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O Senado promoveu, na tarde desta sexta-feira (3), uma sessão especial para celebrar o Dia Nacional da Musicoterapia e os 30 anos da União Brasileira das Associações de Musicoterapia (Ubam). Durante a sessão, os convidados destacaram o alcance da musicoterapia, com benefícios para a qualidade de vida dos pacientes.

O requerimento para a homenagem (RQS 524/2025) foi apresentado pela senadora Jussara Lima (PSD-PI), que dirigiu a sessão solene. Ela lembrou que o Dia Nacional da Musicoterapia é celebrado anualmente no dia 15 de setembro.

A senadora também ressaltou que a profissão de musicoterapeuta “desempenha um papel fundamental para a saúde e para o bem-estar da sociedade” e registrou que a profissão foi regulamentada pela Lei 14.842, de 2024. A lei decorre do PL 6.379/2019, aprovado no Senado em março de 2024. A aprovação do projeto mostra, segundo a senadora, o envolvimento do Congresso Nacional com a musicoterapia como tratamento terapêutico.

— A musicoterapia é uma prática que conecta arte e ciência e tem o poder de transformar vidas — definiu a senadora. 

Benefícios

Para a senadora Jussara Lima, a musicoterapia vai muito além do simples ato de ouvir música, pois é uma prática clínica aplicada por profissionais especialmente capacitados. Na musicoterapia, destacou a senadora, o paciente participa ativamente, cantando, tocando instrumentos, improvisando e interagindo musicalmente.

De acordo com senadora, pesquisas mostram que a prática da musicoterapia apresenta ganhos importantes como menos medicação controlada em casos de depressão, alívio da dor em cuidados paliativos, menos estresse entre os profissionais de saúde e preservação de memória em pessoas com Alzheimer.

— A musicoterapia traz benefícios emocionais, cognitivos e físicos, que complementam a medicina tradicional — afirmou a senadora, que pediu maior integração da disciplina com a saúde pública.

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O presidente da Ubam, Luiz Belizário, relatou que entidade foi fundada no dia 10 de outubro de 1995, com o nome inicial de União Nacional das Associações de Musicoterapia do Brasil (Unamb). Ele disse que o foco da Ubam é a união dos interesses dos musicoterapeutas para o fortalecimento da ciência da musicoterapia no Brasil. Belizário também defendeu mais inclusão por meio da musicoterapia, mais parcerias com universidades e uma maior integração com as políticas públicas.  

— A história da musicoterapia no Brasil é uma história de resistência, dedicação e perseverança. Somos cerca de 11 mil profissionais em todo o território brasileiro — declarou Belizário.

O presidente da Ubam destacou o compromisso dos musicoterapeutas com a saúde pública e apontou que a prática alcança crianças e adultos. Ele disse que crianças neurodivergentes melhoram a socialização, adultos desenvolvem os movimentos depois de acidentes e idosos recuperam a autoestima pela prática da musicoterapia.

Segundo a vice-presidente da Associação de Musicoterapia do Piauí, Luciana Saraiva, a prática é considerada recente, mas existem registros de disciplinas semelhantes em papiros do Egito Antigo. Ela destacou a importância de políticas públicas para a musicoterapia, como forma de beneficiar as populações mais necessitadas.  

A coordenadora do curso de musicoterapia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Beatriz Sales, disse que a união entre arte e ciência é capaz de produzir vida. Ela explicou as questões acadêmicas que envolvem a formação em musicoterapia e disse que o curso tem como foco a formação de profissionais de saúde.

— A música se inicia no momento em que a vida se instala. Ao longo da vida, a música nos acompanha. A pesquisa clínica atual indica que a música e os recursos sonoros podem estimular processos cognitivos, que podem se transformar em processos terapêuticos — registrou Beatriz.

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Vídeos e crianças

Durante a sessão, foi exibido um vídeo com depoimento de pacientes que destacaram os ganhos em qualidade de vida depois que eles passaram a ser tratados com musicoterapia. Mães e profissionais afirmaram que o tratamento lúdico ajuda na capacidade de comunicação, na coordenação motora e nos níveis de ansiedade dos pacientes.

Em um outro vídeo, um grupo de musicoterapeutas apresentou uma composição coletiva, cuja letra destaca a importância da música e da musicoterapia. Trechos do documentário “Meu amigo Lorenzo”, que retrata o paciente Lorenzo Barreto sendo tratado com musicoterapia, foram exibidos na parte final da sessão.

Também por vídeo, a deputada estadual do Ceará Marta Gonçalves (PSB) elogiou a iniciativa do Senado e parabenizou os musicoterapeutas. Ela é a idealizadora do projeto que levou a musicoterapia à saúde pública do município de Euzébio, no Ceará.

— A musicoterapia colabora com um ambiente de acolhimento e inclusão — registrou a deputada.

No Plenário, um grupo de crianças do Hospital da Criança José Alencar, em Brasília, apresentou uma versão da música Trenzinho Caipira, de Heitor Villa-Lobos. As crianças, conduzidas pelo violoncelo da musicoterapeuta Ângela Farjado e pelo teclado da pianista Janaína Sabino, tocaram instrumentos como flauta e percussão.

A professora Maria Clotilde, da Universidade Estadual de Goiás (Uego); a pesquisadora Sarah Cristina Costa; a presidente da Associação de Musicoterapia do Paraná, Rafalela Zerbini; profissionais, pais e pacientes também acompanharam a solenidade.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto

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O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.

Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.

O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.

O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.

Agosto

Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.

—  Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.

As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).

— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.

Defesa

Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.

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— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.

Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.

Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.

— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.

Eleições

Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral. 

— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.

No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.

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— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.

Outras propostas

Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia.  Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.

— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.

A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.

Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.

Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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