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Superdotados precisam de políticas e profissionais capacitados, aponta debate

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Gestão educacional engajada, professores capacitados, família bem-orientada e políticas públicas consistentes são os pilares do apoio correto às crianças e adolescentes com superdotação ou altas habilidades no Brasil. Essa é uma das conclusões do debate promovido conjuntamente por dois colegiados do Senado — a Comissão de Direitos Humanos (CDH) e a Comissão de Educação (CE) — nesta segunda-feira (23). O objetivo da audiência pública foi contribuir para a identificação das pessoas com altas habilidades e superdotação e ajudar a aperfeiçoar a criação e a aplicação de políticas públicas para esse público.

Pessoas com altas habilidades ou superdotação (AH/SD) são aquelas que apresentam desempenho significativamente acima da média em uma ou mais áreas de conhecimento, quando comparadas a estudantes da mesma faixa etária. O potencial pode se manifestar de forma isolada ou combinada em áreas como a intelectual, a acadêmica, a de liderança, a psicomotricidade e a de artes. Outra característica dos estudantes com AH/SD é a criatividade e o grande envolvimento na aprendizagem de tarefas relacionadas às áreas de seu interesse.

Desafios

Autora do requerimento para a reunião (REQ 128/2025 – CDH), a presidente da CDH, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), observou que a Constituição assegura o acesso à educação como direito fundamental e dever do Estado, orientado pelo princípio da igualdade material e pela valorização das diferenças. Ela ponderou, no entanto, que a distância entre o texto da lei e a realidade concreta ainda impõe desafios significativos para os superdotados.

Para Damares, o atendimento desses estudantes pelos sistemas de ensino representa um desafio em todo o mundo, mas principalmente no Brasil. Por outro lado, a senadora declarou que o Congresso Nacional vive um novo tempo, “no qual as crianças com altas habilidades não podem ser ignoradas, especialmente pelo Senado”.

— Temos um déficit estatístico no Brasil, uma falha estrutural na identificação precoce e no atendimento educacional especializado, com impactos diretos ao longo de toda a trajetória escolar e profissional dessas pessoas. A relevância social do tema é inequívoca, já que a ausência de políticas públicas adequadas para essas pessoas pode resultar em evasão escolar, desmotivação, sofrimento psíquico, subaproveitamento de talentos, além de desigualdades educacionais persistentes — destacou Damares.

Classificação errônea

Representante do Instituto Virgolim para Altas Habilidades, Angela Virgolim salientou que muitas crianças e adolescentes superdotados apresentam desmotivação em sala de aula e um comportamento que os leva a ser classificados erroneamente, em muitos casos, como “difíceis, hiperativos, arrogantes, desinteressados”.

Para Angela, a solução para essas questões não passa simplesmente pelo aumento de conteúdo escolar ou pelo adiantamento de séries de forma automática, mas pela formação adequada dos profissionais que os atendem (como gestores e educadores) e pelo preparo de suas famílias.

A convidada disse ainda que o tratamento correto a esses jovens é um direito — e não pode ser considerado um privilégio nem uma ação de elite.

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— É preciso reconhecer que esses estudantes aprendem de forma diferente e que a chance de esse talento se tornar uma competência, uma realização, e resultar em contribuição social, depende do ambiente. Não se trata de separar os melhores, mas perceber que superdotados precisam de respostas educativas que façam sentido. Quando falo de ser não elitista, devo ressaltar que o talento não escolhe o CEP e pode aparecer em qualquer território, em qualquer cor de pele ou em qualquer cultura.

Angela considerou fundamentais o aprofundamento e a disseminação do conhecimento sobre essas habilidades junto à sociedade, bem como o uso de mentorias e de ações que ajudem a fortalecer, por exemplo, a saúde mental, as habilidades sociais ou a escrita desses jovens.

Prejuízos econômicos

Damares Alves mencionou o Censo Escolar da Educação Básica de 2024, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Ela enfatizou que, segundo esse levantamento, em mais de 2,8 mil municípios brasileiros não há referência a estudantes superdotados frequentando os bancos escolares da educação básica.

De acordo com a senadora, as falhas no atendimento correto aos superdotados também geram prejuízos econômicos ao país. Segundo ela, isso acontece porque a falta de valorização de talentos ao longo do ciclo educacional implica perda de capital humano, redução do potencial inovador e desperdício de capacidades estratégicas para o desenvolvimento científico, tecnológico e social da nação.

— Investir em políticas públicas para altas habilidades e superdotação não é [promover um] privilégio, mas uma medida de racionalidade econômica e justiça social. No que se refere às lacunas das políticas públicas, embora existam marcos normativos que reconheçam as pessoas com altas habilidades e superdotação como público da educação especial, a implementação dessas políticas permanece desigual e fragmentada.

Conforme Damares, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou dificuldades estruturais nas Metas 4, 18 e 19 do Plano Nacional de Educação, que estão relacionadas à identificação desse público, à formação continuada dos professores, à oferta e ao monitoramento do atendimento educacional especializado, bem como a uma insuficiente articulação entre as áreas da educação, da saúde e da assistência social.

— Diante desse cenário, esta audiência pública cumpre papel institucional estratégico. Ao reunir especialistas, pesquisadores, representantes da sociedade civil, famílias e o poder público, o Senado Federal reafirma seu compromisso com a escuta qualificada, com a produção legislativa responsável e com o acompanhamento permanente das políticas públicas voltadas às pessoas com altas habilidades e superdotação — enfatizou a senadora.

Brasil na vanguarda

Pesquisadora do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB) e autora do livro Crianças Superdotadas, Denise Fleith argumentou que o Brasil tem avanços na área das altas habilidades, sendo o país que, na América do Sul, mais avançou na educação dos superdotados. Para a debatedora, uma análise da legislação vigente por especialistas pode contribuir para o aperfeiçoamento das políticas, por meio de sugestões sobre o que eventualmente precisa ser revisado ou incluído. Além disso, ela defendeu o fortalecimento dos programas e serviços que já atendem esses jovens.

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— Os principais pontos que merecem ser contemplados em relação às políticas públicas se referem, primeiramente, ao preparo da equipe que vai atender o superdotado, não apenas a dos programas voltados a esse público, mas a dos profissionais em sala de aula regular, por serem os primeiros a manter contato com esses estudantes. Ademais, precisamos alicerçar maneiras de implementar corretamente o apoio às famílias e aportar recursos financeiros, fundamentais a qualquer política pública existente — argumentou Denise.

Influencer mirim

Diagnosticado com altas habilidades, Davi Milhomem Giordani, de 6 anos de idade, começou a ler aos 2 anos e atualmente é um influencer mirim com mais de 3,6 milhões de seguidores em um canal que aborda curiosidades sobre o corpo humano e apresenta dicas de saúde. Natural de Goiânia (GO), Davi pediu a atenção de todos para o tratamento adequado de crianças e adolescentes com talentos diferenciados.

— Ter essa condição é um misto de emoções, já que nosso cérebro pensa rápido demais e quer assimilar tudo de uma vez. Estou aqui em nome de todos os superdotados do país, para lembrar a todos sobre a necessidade de esse assunto ser levado a sério.

O pai de Davi, José Osvaldo Giordani, apontou as dificuldades enfrentadas no dia a dia por pais e responsáveis de menores superdotados, especialmente na hora da matrícula escolar.

— O momento escolar é um dos mais difíceis, porque é desafiador fazer com que instituições, professores e gestores entendam a condição dessas crianças e direcionem corretamente sua inserção no contexto estudantil e social.

Participação

O debate contou com mais de 600 participações de internautas — que enviaram comentários, dúvidas e sugestões por meio do portal e-Cidadania, do Senado Federal. Damares informou que todas as questões não respondidas na reunião serão enviadas por e-mail aos convidados da audiência.

Também estiveram na audiência pública desta segunda-feira Olzeni Ribeiro, cofundadora e diretora do Instituto do Neurodesenvolvimento, que atuou por quase 40 anos na Secretaria de Educação do Distrito Federal, com experiência em sala de aula, salas de recursos para superdotados e na gestão escolar e na educação especial na área da superdotação; Robertha Munique, presidente do Instituto Raises (Rede de Apoio, Incentivo e Suporte Educacional e Emocional ao Superdotado); Carla de Souza Brolezzi, fundadora do Movimento Civil do Superdotação no Mapa; e Cristiana Aspesi, delegada do Conselho Mundial para a Criança Superdotada e Talentosa (WCGTC).

Na quinta-feira (26), às 10h, a CDH e a CE voltam a se reunir para ouvir outros especialistas no assunto.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto

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O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.

Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.

O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.

O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.

Agosto

Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.

—  Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.

As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).

— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.

Defesa

Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.

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— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.

Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.

Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.

— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.

Eleições

Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral. 

— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.

No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.

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— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.

Outras propostas

Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia.  Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.

— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.

A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.

Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.

Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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