Política
Ministro de Lula apoiou impeachment de Dilma e elogiou ações de Bolsonaro
Juscelino não é o único ministro anunciado de Lula que votou pelo impeachment de Dilma. André de Paula (PSD-PE), que foi anunciado como ministro da Pesca, também foi favorável sob a justificativa de que votava “pela ética na política, pela decência, por Pernambuco e pelo Brasil”.
POLÍTICA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Anunciado nesta quinta-feira (29) pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o Ministério das Comunicações, Juscelino Filho (União Brasil) votou pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016 e fazia elogios à gestão de Jair Bolsonaro (PL) no governo federal.
Deputado federal eleito para o terceiro mandato em outubro, Juscelino é filho de um ex-deputado estadual e passou a maior parte da sua vida política no PFL/DEM, de oposição histórica aos governos do PT, que se fundiu ao PSL e se tornou a União Brasil.
Em 2016, foi o deputado número 208 a votar a favor da abertura de impeachment contra Dilma na sessão da Câmara comandada pelo então deputado Eduardo Cunha (à época, no MDB-RJ).
“Pela minha família, pelos meus amigos, pelos meus colegas médicos, pelo povo do meu querido estado do Maranhão que me deu a oportunidade de representá-lo hoje nesse momento histórico”, disse ele, ao votar. “Por um futuro melhor para o nosso Brasil, meu voto é sim [pelo impeachment].”
Em seguida, nas redes sociais, ironizou Lula quando o deputado pernambucano Bruno Araújo (PSDB) deu o voto decisivo para a abertura do processo de impeachment. “O estado que viu nascer Lula foi o mesmo que o derrubou!”
Nos últimos anos, Juscelino publicou em suas redes sociais imagens de eventos com a participação do presidente Jair Bolsonaro e elogios à gestão do mandatário, inclusive sobre medidas relacionadas à pandemia de Covid-19.
“Segundo o presidente Jair Bolsonaro, o projeto da renda emergencial será sancionado hoje. Que a burocracia para se pagar o benefício seja vencida logo. Bolsonaro também confirmou a edição de três importantes medidas provisórias. Proteger vidas e empregos, esse é o caminho”, disse, em abril de 2020.
Em outubro do mesmo ano, ele disse ter ficado feliz em contribuir para um feito reconhecido por Bolsonaro e pelo então ministro Tarcísio Freitas, atualmente governador eleito de São Paulo: a destinação de emendas para obras de infraestrutura no estado.
Na ocasião, ele participou de evento com Bolsonaro na cidade de Imperatriz (MA).
O futuro ministro foi um dos parlamentares privilegiados com emendas orçamentárias durante o governo Bolsonaro.
Em 2022, ele indicou R$ 16,4 milhões em verbas de emenda do relator, uma reserva do orçamento que foi considerada inconstitucional pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Praticamente toda a verba foi destinada a fundos de saúde de prefeituras do Maranhão.
Durante a campanha, Lula chamou esse tipo de emenda de “maior esquema de corrupção da história do país”.
O petista e seus auxiliares modularam o discurso após a vitória para evitar conflitos com o Legislativo, especialmente com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Desde então, passaram a defender um “pacto” para melhorar o uso da verba.
De 2019 a 2021 Juscelino ainda indicou ao menos R$ 76,5 milhões em emendas, principalmente do grupo “do relator”.
Caso tivesse acesso apenas às emendas individuais, o deputado poderia direcionar no máximo cerca de R$ 16 milhões por ano, sendo que metade deveria ir para a saúde.
Do valor indicado por Juscelino, cerca de R$ 13,5 milhões foi empenhado para obras em vias de Vitorino Freire (MA), cidade comandada por Luanna (União Brasil), irmã do parlamentar, que está no segundo mandato.
Agora, após a indicação ao ministério, Juscelino Filho adaptou o seu discurso em defesa de Lula. Depois do anúncio, disse nas redes sociais que recebeu “com enorme honra a missão de ser ministro das Comunicações do governo do presidente Lula”.
“Tenho consciência da importância deste desafio e, com otimismo e esperança no futuro, reitero minha disposição e meu compromisso com o Brasil”, afirmou.
Juscelino não é o único ministro anunciado de Lula que votou pelo impeachment de Dilma. André de Paula (PSD-PE), que foi anunciado como ministro da Pesca, também foi favorável sob a justificativa de que votava “pela ética na política, pela decência, por Pernambuco e pelo Brasil”.
POLÍTICA
Tanízio Sá manifesta preocupação com suspensão da estrada de Santa Rosa e reforça apoio às comunidades indígenas
Durante a sessão desta quarta-feira (3), na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), o deputado Tanízio Sá (MDB) fez um relato sobre a agenda realizada junto à presidente do Deracre, Sula Ximenes, para tratar da recuperação dos ramais em todo o estado e da situação da estrada que liga o município de Santa Rosa do Purus ao restante do Acre.
O parlamentar destacou o esforço do governo estadual para garantir a trafegabilidade nas áreas rurais, por meio de convênios com os municípios, cessão de maquinário e apoio logístico para a reabertura dos ramais. Segundo ele, a pauta também incluiu discussões sobre o projeto da estrada de Santa Rosa, considerada uma das obras mais aguardadas pela população da região.
Tanízio lamentou a suspensão do processo de licitação da estrada após questionamentos apresentados pelo Ministério Público Federal, que apontou a necessidade de novas audiências públicas e estudos complementares relacionados ao empreendimento.
Mesmo diante das novas exigências, o deputado afirmou que continuará defendendo a obra. Segundo ele, serão necessários cerca de R$ 28 milhões para atender todas as exigências impostas pelos órgãos de controle e viabilizar o projeto.
“O governo colocou essa obra como prioridade. Estamos falando de brasileiros que vivem isolados e que precisam de condições mínimas de deslocamento, acesso à alimentação, combustível, medicamentos e serviços essenciais”, afirmou.
O emedebista demonstrou ainda preocupação com a possibilidade de agravamento do isolamento dos municípios mais distantes do estado, especialmente diante das dificuldades de navegação enfrentadas durante os períodos de estiagem severa.
De acordo com ele, localidades como Santa Rosa do Purus, Jordão, Marechal Thaumaturgo e Porto Walter continuam enfrentando grandes desafios de mobilidade, situação que impacta diretamente a qualidade de vida da população.
“Eu respeito o papel dos órgãos de fiscalização e de proteção ambiental, mas acredito que precisamos encontrar um equilíbrio entre a preservação e a garantia da dignidade das pessoas que vivem nessas regiões. A vida humana também precisa estar no centro desse debate”, ressaltou.
Defesa das comunidades indígenas
Durante o pronunciamento, Tanízio Sá também rebateu críticas relacionadas aos investimentos destinados às comunidades indígenas acreanas. O parlamentar destacou que tem destinado recursos para fortalecer a produção, a segurança alimentar e o transporte nas aldeias.
Entre as ações mencionadas estão a destinação de R$ 100 mil para aquisição de pintos destinados à criação de aves em comunidades indígenas, além da entrega de kits de casa de farinha, recursos para compra de canoas de alumínio e a aquisição de duas embarcações avaliadas em aproximadamente R$ 300 mil.
“Os povos indígenas são cidadãos acreanos e brasileiros como qualquer outro. Tenho trabalhado para garantir melhorias e oportunidades para essas comunidades, assim como faço em todas as regiões que represento”, declarou.
Ao encerrar sua fala, o deputado reiterou a necessidade de manter o debate sobre a estrada de Santa Rosa nas próximas legislaturas e defendeu a união das bancadas estadual e federal para viabilizar os recursos necessários à execução do projeto, considerado estratégico para a integração e o desenvolvimento das regiões mais isoladas do Acre.
Texto: Mircléia Magalhães/Agência Aleac
Foto: Sérgio Vale
Fonte: Assembleia Legislativa do AC
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