TJ AC
Judiciário do Acre participa de seminário sobre estratégias de prevenção e combate à tortura
TJ AC
Juíza de Direito Andréa Brito destacou as ações instituídas pelo Judiciário acreano para prevenir a tortura e fortalecer a proteção de direitos
A juíza da Vara de Execuções de Penal e Medidas Alternativas (Vepma), Andréa Brito, representou o Poder Judiciário do Acre (PJAC) no seminário “Direitos Humanos em Foco: Estratégias de Prevenção e Combate à Tortura”, realizado nesta sexta-feira, 19, às 8h30, no auditório do Ministério Público Federal (MPF), em Rio Branco.
Promovido pela Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), o evento teve como objetivo reunir estudantes, representantes da sociedade civil e profissionais do Sistema de Justiça para discutir novas ações e estratégias de enfrentamento às violações dos direitos humanos.
A representante do PJAC, juíza Andréa Brito, ressaltou o compromisso da Justiça do Acre com a preservação da dignidade humana, ao mencionar as ações e políticas públicas instituídas pelo Judiciário acreano para prevenir a tortura e fortalecer a proteção de direitos, como: as inspeções nas unidades prisionais e socioeducativas, a implementação de projetos de reintegração social a apenados e criação de canais de diálogo com o sistema prisional.

“Refletem o compromisso do Judiciário brasileiro em não tolerar retrocessos e em avançar na construção de um Sistema de Justiça mais humano e eficiente. Prevenir e combater a tortura é mais que uma obrigação jurídica: é um imperativo ético, moral e civilizatório”, concluiu a magistrada.
Participaram do evento também o promotor de Justiça Thalles Ferreira; o defensor público Bruno Vigato; a presidente em exercício da Ordem de Advogados do Brasil seccional Acre (OAB/AC), Thaís Moura; a ouvidora do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen), Macleine Melo; o vice-presidente do Comitê de Prevenção e Combate à Tortura do Acre, Maico Lopes, além de interessadas e interessados no tema.
Programação
A juíza Andréa Brito ainda integrou a mesa-redonda “Segurança Pública e o Desafio da Garantia de Direitos”. À tarde, participa o juiz da 3ª Vara Cível de Rio Branco, Gustavo Sirena, da mesa-redonda “Tortura e Saúde Mental: Reparação e Atenção Psicossocial”. O seminário ocorre até às 16h30.



Fotos: Larissa Barros/Ascom OAB
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
TJ AC
Mulher consegue no Projeto Cidadão ingressar com ação para corrigir nome e sexo na certidão de nascimento
Registrada como “Elissandro” e do sexo masculino, Elissandra Bezerra convive há 35 anos com o erro no documento, bullying e procurou a ação do TJAC em Sena Madureira para iniciar o processo de mudança
Quanto uma letra pode impactar a vida de uma pessoa? Pode parecer pouco. E em alguns casos, é mesmo. Porém, essa não é a situação de Elissandra Bezerra, de 35 anos, moradora de Sena Madureira. Por causa de um “o”, ela enfrentou inúmeras dificuldades. Isso porque foi registrada como “Elissandro” e do sexo “masculino”.
O erro provocou situações constrangedoras ao longo de toda sua vida. Na adolescência, Elissandra recebia apelidos dos colegas de classe. Não foram uma nem duas vezes que escutou que era “macho”. Hoje, ela sabe que sofria bullying. Na época, porém, preferia permanecer em silêncio para se defender. A situação diminuiu na fase adulta.
Para Elissandra, o problema parecia ter ficado para trás. Até que descobriu que Udson, seu filho do meio, de 17 anos, é autista. A notícia mudou a rotina da família. Desde então, ela busca conseguir o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para o adolescente. No entanto, voltou a enfrentar os velhos obstáculos do passado.

Projeto Cidadão foi a solução
Cansada dessa situação e disposta a corrigir o registro, Elissandra procurou o Projeto Cidadão, ação social do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) que oferece, de forma gratuita, documentos básicos e serviços públicos à população em situação de vulnerabilidade social.
Ela soube pelo Instagram que a iniciativa estaria em Sena Madureira nos dias 22 e 23 de setembro, das 8h às 15h, na Escola Professor Messias Rodrigues de Souza, e que entre os serviços anunciados estava a emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN). A princípio, Elissandra acreditou que a alteração do documento resolveria a questão.
No local, descobriu que o caso exigia uma medida judicial para a retificação do registro civil. Elissandra ficou apreensiva. Temeu sair mais uma vez sem uma solução. O Projeto Cidadão, porém, conta com o apoio de diferentes instituições, entre elas a Defensoria Pública. Foi lá que ouviu o que esperava há anos: “Calma, vamos resolver”.



Naquela manhã, ela recebeu as orientações jurídicas necessárias. Soube que, no caso dela, como o nome e o sexo foram registrados de forma incorreta, é necessário apresentar um atestado médico de afirmação de gênero para comprovar a situação perante as instituições. Elissandra conseguiu o documento no próprio Projeto Cidadão, que conta com atendimento de um médico clínico-geral.
Com o atestado e os demais documentos necessários, ela ingressou com o processo de retificação. Elissandra afirmou estar confiante na solução do caso. Disse não ter do que reclamar do atendimento recebido desde que chegou à escola. Foi bem tratada e recebeu os encaminhamentos necessários. Agora, sai do local com a expectativa de, em breve, receber uma nova certidão. Dessa vez, sem nenhuma letra “o” para atrapalhar.
Inúmeros serviços
Assim como Elissandra, centenas de moradoras e moradores de Sena Madureira procuraram o Projeto Cidadão. Durante os dois dias de ação, a comunidade tem acesso a serviços jurídicos, de saúde e assistência social, todos gratuitos. Entre os mais procurados está a emissão da Carteira de Identidade Nacional. A previsão é de que mais de 200 documentos sejam produzidos.
A Coordenadoria de Bem-Estar e Saúde (Cobes) do TJAC, parceira da ação, também registra grande procura. A unidade oferece testes rápidos para hepatites B e C, HIV e sífilis, aferição da pressão arterial e dos níveis de glicemia, vacinação, além de atendimentos psicológico, fisioterapêutico e nutricional.
Esta edição do Projeto Cidadão conta com o apoio do Ministério Público do Acre (MPAC), da Defensoria Pública do Estado do Acre (DPE/AC), da Receita Federal, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Prefeitura de Sena Madureira, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Governo do Estado, por meio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), da Polícia Civil (PCAC) e da Secretaria da Mulher (Semulher).








Fotos: Gabriel Yjalade/Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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