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Gonzaga entrega equipamentos ao Serviço de Assistência Especializada para agilizar exames médicos
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Assessoria
O presidente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), deputado Luiz Gonzaga, entregou nesta quarta-feira (3), quatro centrífugas adquiridas com emenda parlamentar para o Serviço de Assistência Especializada (SAE), que fica localizado no Hospital das Clínicas (HC), em Rio Branco.
A centrífuga é um equipamento de laboratório que separa os componentes do sangue, sendo fundamental para análises clínicas, permitindo que os médicos analisem cada componente do sangue com mais precisão. O SAE, também conhecido como Unidade do Fígado e Doenças Tropicais, trata de patologias como hepatites, tuberculose, aids e outras doenças do fígado.
Gonzaga fez questão de ir entregar os equipamentos adquiridos com recursos de emenda de sua autoria e aproveitou para acompanhar os serviços ofertados pelo Hospital das Clínicas aos acreanos. O parlamentar destacou a importância do HC para o povo do Acre e parabenizou a direção do hospital pelo trabalho que vem realizando.
“É uma alegria muito grande estregar esses equipamentos, pois sabemos que essas centrífugas vão atender as pessoas que mais precisam desses serviços de exames. São pessoas necessitadas que vem em busca de um socorro e precisam ser bem atendidas. Vejo que a equipe do hospital está se dedicamento e estamos apenas auxiliando para que façam um trabalho ainda melhor”, disse o parlamentar.
A gerente do SAE, Edna Gonçalves, agradeceu ao presidente da Aleac pela doação dos equipamento e afirmou que Gonzaga é um parceiro da saúde acreana.
“Quero agradecer ao presidente Gonzaga que se sensibiliou com a nossa condição e nos doou quatro centrífugas que vai nos auxiliar e agilizar ainda mais nossos atendimentos ao público. Temos cerca de 70 pessoas fazendo mais de um exame de sangue todos os dias, elas preenchem de cinco até sete tubos de ensaio para colocar na centrífuga. A demanda é grande e mais uma vez o meu amigo Gonzaga, que é um parceiro da saúde, nos atendeu e sei que posso contar sempre com a Aleac”, disse Edna Gonçaves.

Fonte : ASCOM ALEAC
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Povo Noke Koî preserva tradição do kambô e fortalece proteção da floresta no Acre
Na Amazônia acreana, em Cruzeiro do Sul, onde a floresta permanece em pé graças à relação ancestral entre os povos indígenas e a natureza, o povo Noke Koî mantém viva uma das mais importantes medicinas tradicionais da floresta: o kambô, conhecimento sagrado transmitido pelos ancestrais há gerações.
Conhecida como “vacina do sapo”, a prática indígena utiliza a secreção da rã, aplicada em pequenas queimaduras na pele (geralmente braço ou perna) com o objetivo de revigorar o corpo e curar doenças. Para os Noke Koî da aldeia Sumaúma, muito mais do que medicina tradicional e cura física; ela simboliza proteção espiritual, fortalecimento do corpo, equilíbrio emocional e conexão com a natureza.

O cacique Mõcha Noke Koî explica que o kambô é um ensinamento ancestral deixado pelos antigos e guiado pelo grande espírito.
“Para nós, o kambô é uma medicina sagrada ensinada pelo grande espírito. Ele traz força, coragem, alegria e limpa o pensamento e a espiritualidade. Desde as crianças pequenas, nosso povo utiliza o kambô como proteção espiritual e fortalecimento do corpo. É uma energia muito forte que vem da floresta e do espírito da medicina”, relata.

Segundo o cacique, o conhecimento sobre a aplicação da medicina atravessa gerações e carrega um profundo compromisso de respeito à natureza.
“A medicina kambô é espírito de proteção. Desde o surgimento, nossos bisavôs e tataravôs preservam, cuidam e respeitam essa medicina. Não é só o kambô. Preservar o kambô é preservar a Amazônia, preservar as plantas, a vida e o planeta. O kambô vive perto das nossas casas porque nosso povo protege e respeita a natureza e a criação do grande espírito”, afirma.

Para os Noke Koî, a preservação da floresta está diretamente ligada à continuidade da medicina ancestral. A retirada da secreção do kambô acontece sem causar danos ao animal, reforçando uma relação de equilíbrio com a biodiversidade amazônica.
Mõcha alerta ainda para o uso inadequado da medicina fora dos territórios indígenas e destaca a importância do conhecimento tradicional para a aplicação correta do kambô.
“Hoje muita gente no mundo usa o kambô, mas sem preparo e sem conhecer a tradição. A medicina não é brincadeira. A gente pode brincar com a medicina, mas a medicina não brinca com a gente. Nosso povo aprendeu com o espírito da medicina a maneira correta de aplicar. Por isso respeitamos e preservamos esse conhecimento ancestral”, destaca.

De acordo com o cacique, entre os Noke Koî, o kambô faz parte da formação espiritual e cultural do povo desde a infância. Os ensinamentos tradicionais orientam a aplicação da medicina em homens, mulheres e crianças, sempre conduzida por pajés e curandeiros preparados espiritualmente.

A secretária extraordinária dos Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, ressalta que o kambô integra um conjunto de conhecimentos ancestrais utilizados historicamente pelos povos indígenas muito antes da medicina farmacêutica chegar às aldeias.

“Os povos indígenas, desde a origem, utilizam muitos conhecimentos tradicionais para cura e fortalecimento espiritual. Um deles é o kambô, que no nosso povo também chamamos de kampô, por conta da língua Pano. Minha mãe conta que meu avô utilizava o kampô para tirar a preguiça, o cansaço e fortalecer os homens antes da caça. Era uma forma de limpar as energias ruins e fortalecer o corpo e o espírito”, explica.
Francisca também destaca que a medicina tradicional está diretamente ligada à preservação da fauna e da floresta amazônica.
“Ninguém mata esse sapo. Nosso povo protege, porque ele faz parte da nossa ciência ancestral. Além da medicina, ele também avisa sobre a mudança do tempo, quando chegam o inverno e o verão. Por isso é muito importante preservar a fauna, a flora e os animais da floresta. O kampô é uma cura espiritual, para tirar tudo que é ruim de dentro da gente”, afirma.

Em um estado reconhecido pela preservação ambiental, com mais de 84% das floresta nativa intacta, os conhecimentos indígenas seguem sendo fundamentais para a proteção da Amazônia. Nas aldeias acreanas, tradição, espiritualidade e sustentabilidade caminham juntas.

Em cada ritual, canto e ensinamento repassado pelos anciãos, o povo Noke Koî reafirma que a floresta não é apenas território: é espírito, memória e vida. Preservar o kambô, para eles, é manter viva uma sabedoria ancestral que continua ensinando ao mundo sobre cuidado, equilíbrio e respeito à natureza.
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Foto: Cleiton Lopes
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