AGRONEGÓCIO
Mercado do trigo em 2025: oferta global amplia pressão sobre preços, diz relatório do Itaú BBA
AGRONEGÓCIO
O relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, apresenta uma análise detalhada sobre o cenário do mercado de trigo, destacando o impacto da ampla oferta global nos preços internacionais e internos, além do avanço do plantio para a safra 2025/26.
Oferta global elevada mantém preços do trigo pressionados
O mercado internacional de trigo seguiu com tendência baixista durante julho e início de agosto, influenciado pelo avanço da colheita no Hemisfério Norte. Em Chicago, o contrato para o trigo soft manteve-se estável em julho, negociado a USD 5,42 por bushel, mas apresentou queda de 1,3% nos primeiros dias de agosto, chegando a uma média de USD 5,14 por bushel entre 1º e 7 de agosto.
Esse movimento reflete o bom desempenho da colheita de trigo de inverno nos Estados Unidos e condições satisfatórias para o trigo primavera, embora inferiores às do ano passado.
Na Rússia, a seca no sul preocupa, podendo afetar a produção, mas outras regiões apresentam resultados sólidos. A comercialização, apesar de atrasada pela colheita tardia, deve resultar em um volume exportável robusto, mantendo a pressão sobre os preços globais à medida que as vendas avancem.
Preços domésticos seguem em baixa e importações da Argentina continuam fortes
No Brasil, os preços do trigo mantiveram trajetória de queda, com baixa liquidez no mercado à vista. No Rio Grande do Sul, o preço médio do cereal foi de R$ 76,91 por saca de 60 kg em julho, 2% menor que em junho. Essa redução ocorre desde maio, influenciada pela paridade de importação desfavorável ao produto nacional.
A Argentina segue como principal fornecedora, respondendo por 84% do volume importado no mês. A ampla oferta do país vizinho favorece os embarques ao Brasil e contribui para a competitividade dos preços no mercado interno.
Produtores brasileiros mostram-se cautelosos devido à baixa oferta da safra antiga e preços reduzidos. Moinhos também adotam postura conservadora nas compras, com estoques considerados suficientes para o período e mercado de farinha enfraquecido. Contratos para a próxima safra já começam a ser negociados.
Safra 2025/26: plantio finalizado e clima será decisivo para produtividade
O plantio da safra 2025/26 foi concluído em agosto, com bom avanço durante julho, especialmente no Rio Grande do Sul, onde o desenvolvimento das lavouras está favorável após chuvas que atrasaram o início do plantio em junho.
No Paraná, a geada ocorrida no final de junho afetou a produtividade no norte do estado. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou que a área cultivada totalizou 2,5 milhões de hectares, 17% abaixo da safra anterior. A produção esperada é de 7,8 milhões de toneladas, praticamente estável (-1%) em relação a 2024/25, mas com expectativa de ganho de produtividade de 19%.
A relação de troca não está favorável para os produtores, sobretudo em relação à ureia, que apresentou preços acima da média dos últimos cinco anos em junho e julho. Essa situação, combinada com a baixa capitalização, limitou as aplicações de insumos por parte dos agricultores que não se programaram com antecedência.
Até o momento, as condições climáticas têm sido positivas para o desenvolvimento das lavouras, o que pode garantir bons rendimentos caso o clima permaneça estável nos meses críticos de agosto e setembro.
Argentina finaliza plantio com boa perspectiva e deve manter oferta elevada
Na Argentina, o plantio da safra 2025/26 também foi concluído, com 96% das áreas apresentando condições normais a excelentes até o final de julho. O país vizinho deverá continuar oferecendo volumes significativos de trigo ao Brasil, que segue dependente das importações para suprir sua demanda interna.
A elevada oferta argentina deve manter os preços competitivos, pressionando a paridade de importação e limitando a valorização do trigo nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Ureia despenca mais de 40% e fertilizantes voltam ao nível pré-crise com avanço de acordo entre EUA e Irã
Os preços internacionais da ureia registraram forte recuo nas últimas semanas e já retornaram aos níveis observados antes do agravamento das tensões no Oriente Médio. Segundo análise da StoneX, as cotações destinadas ao mercado brasileiro acumulam queda superior a 40% após oito semanas consecutivas de desvalorização, refletindo o avanço das negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã e a expectativa de reabertura do estratégico Estreito de Ormuz.
O movimento é acompanhado de perto pelo setor de fertilizantes, uma vez que a região concentra uma das principais rotas marítimas do mundo para o transporte de petróleo, amônia, enxofre e fertilizantes nitrogenados. A perspectiva de retomada da navegação vem reduzindo os temores relacionados à oferta global e aos gargalos logísticos que pressionaram os preços nos últimos meses.
Mercado reage à expectativa de normalização logística
De acordo com a StoneX, a possibilidade de restabelecimento do fluxo marítimo no Golfo Pérsico tem provocado uma mudança significativa no comportamento dos mercados de energia e fertilizantes.
As restrições impostas à navegação durante o período de instabilidade elevaram custos e dificultaram o transporte de insumos estratégicos. Agora, com o avanço das negociações entre Washington e Teerã, os agentes de mercado passaram a precificar um cenário de maior disponibilidade de produtos e menor risco logístico.
Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o acordo preliminar representa um importante fator de pressão baixista para o setor.
“O entendimento entre Estados Unidos e Irã tem impacto direto sobre a logística global e a oferta de fertilizantes. O Estreito de Ormuz é uma rota fundamental para o escoamento de fertilizantes, petróleo, amônia e enxofre, o que torna qualquer sinalização de normalização extremamente relevante para os mercados”, avalia.
Ureia retorna aos patamares anteriores ao conflito
O efeito mais visível foi observado no mercado da ureia. As cotações CFR Brasil recuaram para níveis inferiores aos registrados antes do início da crise geopolítica, revertendo completamente os ganhos observados durante o período de maior incerteza.
A queda acumulada superior a 40% representa uma das correções mais expressivas dos últimos meses e sinaliza uma redução dos prêmios de risco que vinham sendo incorporados aos preços internacionais.
Além da expectativa de reabertura das rotas marítimas, o mercado também passou a considerar uma possível ampliação da oferta global de fertilizantes caso as negociações avancem para uma flexibilização das sanções impostas ao Irã.
Acordo ainda depende de novas etapas
Apesar da reação positiva dos mercados, o acordo entre Estados Unidos e Irã ainda não está concluído. Informações divulgadas pela Reuters indicam que o entendimento atual prevê a extensão do cessar-fogo por mais 60 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz, mas questões centrais continuam em negociação.
Entre os temas que permanecem em discussão está o futuro do programa nuclear iraniano, considerado um dos principais pontos de divergência entre os dois países.
Especialistas do setor marítimo alertam que a normalização completa das operações não deve ocorrer imediatamente. Mesmo após a eventual reabertura da rota, a retomada da confiança dos operadores logísticos e o reposicionamento das embarcações podem levar semanas.
Fertilizantes ainda dependem da evolução do cenário geopolítico
A StoneX destaca que o mercado segue monitorando fatores que podem limitar a recuperação plena da logística na região.
Existem preocupações relacionadas à segurança da navegação, incluindo relatos sobre possíveis áreas minadas e incertezas quanto às condições definitivas para a circulação de embarcações. Além disso, navios que permaneceram retidos durante o período de restrições poderão enfrentar atrasos até que o fluxo marítimo seja totalmente restabelecido.
Dessa forma, embora a tendência atual seja de alívio para os preços, a oferta global de fertilizantes continua condicionada à evolução das negociações diplomáticas e à estabilidade da região.
Cenário favorece importadores brasileiros
A queda das cotações ocorre em um momento estratégico para o agronegócio brasileiro. Tradicionalmente, as compras externas de fertilizantes nitrogenados ganham força ao longo do segundo semestre, período de preparação para importantes culturas da safra de verão.
Com preços mais baixos e perspectiva de melhora na logística internacional, os importadores brasileiros encontram um ambiente mais favorável para negociar volumes e recompor estoques.
Além dos fertilizantes, o anúncio do acordo preliminar também impactou o mercado energético. Os preços do petróleo recuaram para os menores níveis dos últimos três meses, refletindo as expectativas de retomada do fluxo normal de cargas em uma das regiões mais importantes para o comércio global.
Para o agronegócio brasileiro, a combinação entre fertilizantes mais baratos e redução das incertezas logísticas pode representar um importante fator de alívio nos custos de produção nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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