AGRONEGÓCIO
Conab realiza leilões de opção de venda de arroz para agricultores do Sul na próxima semana
AGRONEGÓCIO
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realizará, nos dias 21 e 22 de agosto, os primeiros leilões de Contrato de Opção de Venda de arroz, voltados a produtores rurais, cooperativas e agricultores familiares do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Ao todo, serão disponibilizados 4.074 contratos de 27 toneladas cada, totalizando aproximadamente 110 mil toneladas do grão, fortalecendo a política de retomada dos estoques públicos.
Os pregões ocorrerão às 9h, por meio do Sistema de Comercialização Eletrônico da Conab (Siscoe), com oito lotes distribuídos entre os estados: quatro para produtores gaúchos e quatro para catarinenses.
Lotes exclusivos e de ampla concorrência
Na quinta-feira (21), serão ofertados 1.224 contratos, divididos em quatro lotes destinados exclusivamente a agricultores familiares, produtores rurais e cooperativas que possuam DAP (Declaração de Aptidão ao Pronaf) ou CAF (Cadastro Nacional da Agricultura Familiar).
Já na sexta-feira (22), outros quatro lotes serão disponibilizados em caráter de ampla concorrência, permitindo a participação de todos os produtores, cooperativas e demais fornecedores, incluindo agricultores familiares.
Garantia de preço e segurança para o produtor
Segundo Arnoldo de Campos, diretor de operações e abastecimento da Conab, a operação funciona como uma espécie de seguro para o produtor:
“O agricultor garante um preço no momento da comercialização. Se o mercado se valorizar, ele pode optar por não vender à Conab e escolher a venda mais rentável. Assim, mantém flexibilidade e segurança para o futuro.”
Vencimentos e condições de participação
Os contratos terão vencimentos em 30 de setembro e 31 de outubro, com valores de venda definidos conforme cada prazo, acrescidos de custos logísticos e financeiros até a entrega do produto.
Para participar, é necessário estar cadastrado no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais e Demais Agentes (Sican), atender às exigências dos avisos específicos e ser associado a uma Bolsa de Cereais, de Mercadorias ou de Futuros. Caso exerçam o direito de venda, os produtos integrarão os estoques estratégicos e reguladores do governo federal.
Recursos e autorização do governo
A operação foi autorizada pela Portaria Interministerial nº 26, publicada recentemente no Diário Oficial da União, com respaldo dos ministérios da Fazenda, da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). O programa conta com recursos de R$ 181,1 milhões, destinados ao apoio ao setor arrozeiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Renegociação de dívidas rurais avança no Congresso e pode liberar até R$ 10 milhões por produtor
A aprovação do Projeto de Lei 5122/2023 pelo Senado Federal reacendeu a expectativa do setor agropecuário por uma solução para o crescente endividamento dos produtores rurais brasileiros. A proposta, que cria uma linha especial de refinanciamento de dívidas rurais, retornará à Câmara dos Deputados para análise das alterações realizadas pelos senadores antes de seguir para eventual sanção presidencial.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) manifestou apoio à aprovação definitiva do projeto, destacando que a medida pode representar um importante instrumento para recomposição financeira do setor produtivo em um momento marcado por rentabilidade reduzida, custos elevados e restrições de acesso ao crédito.
Setor enfrenta aumento dos custos e queda na rentabilidade
Nos últimos anos, produtores rurais de diversas regiões do país vêm enfrentando desafios que pressionam o fluxo de caixa das propriedades. Entre os principais fatores estão a alta dos custos de produção, a valorização de insumos agrícolas, as oscilações cambiais, a queda nos preços de diversas commodities e o aumento das taxas de financiamento.
Segundo a Famato, esse cenário tem comprometido a capacidade de investimento dos produtores e ampliado as dificuldades para o custeio das próximas safras.
Além dos impactos climáticos registrados em diferentes estados, a entidade destaca que fatores econômicos e geopolíticos também contribuíram para agravar a situação financeira do setor, reduzindo margens e elevando os riscos da atividade agropecuária.
Projeto amplia alcance e inclui perdas econômicas
Uma das principais mudanças aprovadas pelo Senado foi a ampliação do alcance da proposta.
Inicialmente voltado para produtores afetados por eventos climáticos adversos, o texto passou a contemplar também agricultores e pecuaristas impactados por perdas econômicas relacionadas a fatores externos, incluindo conflitos geopolíticos internacionais e oscilações de mercado que afetem diretamente a atividade produtiva.
Na avaliação da Famato, a alteração torna o projeto mais alinhado à realidade do agronegócio brasileiro, que atualmente convive com desafios que vão além das questões climáticas.
Crédito caro preocupa produtores para a próxima safra
Outro fator apontado pela entidade é o elevado custo do crédito rural.
Com operações de financiamento alcançando taxas próximas de 20% ao ano em algumas modalidades, muitos produtores encontram dificuldades para renovar linhas de crédito, financiar o custeio agrícola e renegociar compromissos já existentes.
A situação gera preocupação especialmente neste período de planejamento da próxima safra, quando aumentam as necessidades de aquisição de insumos como fertilizantes, sementes, defensivos agrícolas, óleo diesel e máquinas.
Para a Famato, a renegociação das dívidas em condições mais adequadas é fundamental para garantir a continuidade da produção e preservar a capacidade de investimento das propriedades rurais.
Famato defende condições compatíveis com a realidade do campo
O presidente da Famato, Vilmondes Tomain, avalia que qualquer programa de refinanciamento precisa considerar a realidade econômica enfrentada pelos produtores rurais.
Segundo ele, uma repactuação eficiente deve oferecer juros reduzidos, prazos compatíveis com os ciclos produtivos e períodos de carência suficientes para permitir a reorganização financeira das propriedades.
“A renegociação das dívidas rurais é uma medida necessária para devolver previsibilidade ao produtor, preservar a capacidade de investimento no campo e garantir que a produção continue avançando. O setor precisa de condições compatíveis com a realidade enfrentada hoje pelo agro”, afirma.
O que prevê o PL 5122/2023
O Projeto de Lei 5122/2023 cria uma linha especial destinada ao refinanciamento de dívidas de produtores rurais, associações, cooperativas de produção e condomínios rurais que atendam aos critérios estabelecidos na legislação.
Entre os principais pontos da proposta estão:
- Refinanciamento de operações de crédito rural, empréstimos e Cédulas de Produto Rural (CPRs);
- Possibilidade de renegociação de contratos firmados até 31 de dezembro de 2025;
- Recalculação dos débitos sem incidência de multas, mora e outros encargos por inadimplência;
- Limite de até R$ 10 milhões por produtor rural;
- Limite de até R$ 50 milhões para associações, cooperativas e condomínios rurais;
- Prazo de pagamento de até dez anos;
- Carência de até três anos, conforme as condições estabelecidas.
O texto também autoriza a utilização de recursos do Fundo Social do Pré-Sal, além de outras fontes permitidas pelo governo federal, para viabilizar a nova linha de crédito.
Aprovação pode beneficiar milhares de produtores
Na avaliação da Famato, a aprovação definitiva da proposta poderá gerar alívio financeiro para milhares de produtores rurais em todo o país, contribuindo para a regularização de passivos, a manutenção da atividade produtiva e a preservação da capacidade de investimento no campo.
A entidade defende que a Câmara dos Deputados avance na análise das alterações promovidas pelo Senado e conclua a tramitação do projeto, permitindo que a medida seja regulamentada e colocada em prática o mais rapidamente possível.
Enquanto aguarda a definição legislativa, a orientação aos produtores é manter planejamento financeiro rigoroso, priorizar a gestão de custos e adotar cautela na contratação de novos compromissos, especialmente em um cenário de crédito caro e margens ainda pressionadas para boa parte das atividades do agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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