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POLÍTICA NACIONAL

Controles parentais das plataformas digitais são insuficientes para coibir crimes contra crianças, dizem autoridades

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POLÍTICA NACIONAL

Em debate na Comissão de Segurança Pública da Câmara, nesta terça-feira (19), representantes da polícia, da Justiça e das empresas TikTok e Meta analisaram o cenário dos crimes cibernéticos contra crianças e adolescentes no Brasil.

Especialista em investigação de crimes cibernéticos e inteligência artificial, o policial civil catarinense Carlos Henrique Pires disse que o aliciamento e o assédio de crianças ou adolescentes por meio das redes sociais ampliam o leque de crimes e dificultam o controle das autoridades. “A gente vive um constante jogo de gato e rato, em que a polícia identifica, as plataformas identificam, bloqueiam e os criminosos mudam”.

Rafaella Vieira Lins, delegada da Policia Federal que atua desde em 2018 em crimes de pornografia infantil, apresentou dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho, que apontam o aumento de crimes no ambiente cibernético contra crianças entre 8 e 13 anos.

O controle de faixa etária para ter contas nas plataformas, anunciado pelas empresas, segundo ela, não é eficaz. “A verificação etária não é boa. Isso precisa ser pautado em lei. Esse perfil não tem que estar lá”, disse.

Ela denunciou o assédio de homens adultos a crianças que mantêm contas nas redes sociais. “Um perfil com imagens de criança não demora dois minutos para começar a receber um monte de mensagens de homens adultos no canal privado dela da rede social. Ligações de manhã, de tarde, de noite, de madrugada, envio de imagens de pornografia, para tentar dessensibilizar. Ela não deveria estar vendo isso.”

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Empresas
O gerente de relacionamento com autoridades e investigações criminais da Meta, Dário Campregher Neto, disse que a empresa tem mecanismos de inteligência artificial que identificam ações suspeitas e suspende a conta antes de provocar prejuízo. Entre as regras, está a proibição de menores de 13 anos terem contas nas plataformas.

Para a faixa entre 13 e 17 anos, há recursos que podem ser configurados como controle parental, controles de acesso a conteúdo, tempo de uso dos aplicativos.

A faixa etária de acesso também foi destacada como principal medida de segurança pelo gerente de Relações com Autoridades da Persecução Criminal do Tik Tok no Brasil, Paulo Ricardo Aguiar de Deus.

“Se esse usuário não tem entre 13 e 15, ele não tem possibilidade de usar mensagens diretas, por exemplo nem pode ser localizado pela ferramenta de busca da plataforma. Os conteúdos produzidos por ela são privados, só pessoas que ela autoriza acessarem a conta vão poder encontrar e acessar esse conteúdo.”

Renato Araújo/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Combate a Crimes Cibernéticos contra Crianças e Adolescentes. Delegada - Policia Federal, Rafaella Vieira Lins Parca
Delegada Rafaella Lins vê necessidade de mecanismos em lei para prevenir esses crimes

Parceria
Dário Campregher Neto lembrou que a equipe de segurança da Meta é formada por ex-policiais de diversos países, como Brasil, Estados Unidos, Alemanha e Índia. A parceria entre a Meta e a polícia, segundo ele, possibilitou o treinamento pela empresa de mais de 20 mil agentes policiais.

“A ideia é construir esse relacionamento próximo com as autoridades. Entender as necessidades que essas autoridades têm, os desafios que elas possuem na investigação criminal. Através desse reforço, desse compromisso, a Meta disponibiliza uma equipe de apoio a investigações criminais.”

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A delegada Rafaella Vieira Lins afirma que há plataformas que colaboram, mas algumas nem respondem a ofícios do Ministério Público.

Promotor de Justiça Ministério Público de Santa Catarina, Diego Roberto Barbeiro defendeu a adesão do Brasil a protocolo internacional que garante acesso mais rápido a provas eletrônicas e permite que os pedidos cadastrais das autoridades sejam feitos a servidores localizados fora do território nacional. “Quando estivermos em falando em crime cibernético, principalmente extorsão sexual, minutos podem ser a diferença entre a vida e a morte”, ressaltou.

 O protocolo adicional que visa atualizar a Convenção de Budapeste para lidar com as novas formas de crime cibernético, como a disseminação de discurso de ódio online, foi aberto para assinaturas em 2022. 

O debate foi pedido pela deputada Caroline de Toni (PL-SC). Ela acredita que a resposta mais eficaz ao problema esteja na cooperação entre estados, setor privado e sociedade civil. “É por meio dessa articulação que poderemos desenvolver protocolos claros de denúncia, rastreamento, responsabilização, aliados à educação digital e à conscientização das famílias”, disse.

Nesta quarta-feira (20), haverá comissão geral no plenário da Câmara para debater a proteção de menores em ambientes digitais.

Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Câmara dos Deputados

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POLÍTICA NACIONAL

Comissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados

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A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 66/2026, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que proíbe a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis indispensáveis à preservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos pelo poder público.

A vedação vale sempre que o ato puder:

  • comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural;
  • alterar o uso do espaço de forma incompatível com sua função cultural; e
  • descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.

A regra vale para execuções fiscais, trabalhistas, cíveis ou administrativas, contra entes públicos ou privados. O projeto busca proteger o chamado “espaço cultural essencial”, o imóvel público ou privado com função indispensável para a manutenção desses bens tombados.

Se já houver processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão sobre um desses bens, o juiz ou a autoridade competente é obrigado a suspender a ação de forma imediata.

A medida pode ser determinada de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de entidade representativa da comunidade envolvida.

A suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto determina que sejam priorizadas soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que afaste a suspensão deverá ser expressamente fundamentada, sob pena de nulidade.

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Exceções
O projeto admite exceções à proibição, porém somente se forem cumpridos cumulativamente os seguintes requisitos:

  • parecer técnico favorável do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de órgão cultural competente;
  • estudo de impacto cultural, social e econômico, com participação da comunidade;
  • autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, conforme o nível de reconhecimento do bem.

O estudo de impacto cultural deverá avaliar a historicidade da prática, os vínculos sociais e identitários com o espaço, a possibilidade real de continuidade em outro local e os impactos sobre trabalho e renda. A ausência de qualquer requisito torna o ato nulo.

Alternativas à expropriação
O poder público deverá priorizar saídas que preservem o espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade e a celebração de convênios ou parcerias voltadas à sustentabilidade do bem protegido.

Lindbergh Farias citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro — sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por lei federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, como exemplo do problema que o projeto busca resolver.

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Situação da BR-393 no trecho entre Jamapará (Sapucaia/RJ) e Volta Redonda/RJ. Dep. Lindbergh Farias (PT-RJ)
Lindbergh citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio

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Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. “A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais”, disse.

Sâmia Bomfim afirmou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, buscando o diálogo e o consenso.

Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

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