AGRONEGÓCIO
Índice de Xangai ultrapassa 3.800 pontos após 10 anos com avanço do setor de tecnologia
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As bolsas chinesas fecharam em alta nesta sexta-feira (22), marcando um novo patamar histórico para o Índice de Xangai, que superou os 3.800 pontos pela primeira vez em uma década. O movimento foi impulsionado pela confiança dos investidores no potencial da inteligência artificial doméstica e pelo desempenho expressivo de companhias do setor de semicondutores.
Xangai no maior nível desde 2015
O Índice de Xangai encerrou o pregão com alta de 1,45%, aos 3.825,76 pontos, alcançando o nível mais elevado desde agosto de 2015. No acumulado da semana, a valorização chegou a 3,5%, configurando a melhor performance desde novembro do ano passado.
Já o CSI300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 2,1% e atingiu o maior valor em 10 meses. O Star50, indicador voltado para companhias de tecnologia, disparou 8,6% no período.
Tecnologia e IA puxam a recuperação
As ações relacionadas à inteligência artificial dominaram as altas no mercado doméstico. O CSI Semiconductor Industry Index ganhou 9,5%, enquanto o CSI Artificial Intelligence Index subiu 6,6%.
Entre os destaques individuais, Cambricon Technology e Hygon Information Technology atingiram o limite máximo de valorização diária, com alta de 20% cada, renovando recordes. A fabricante SMIC, uma das maiores do setor, disparou mais de 14%.
Bolsas da Ásia acompanham movimento
O bom humor se espalhou por outros mercados da região. O Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,93%, encerrando o dia aos 25.339 pontos.
Veja o desempenho das principais bolsas asiáticas:
- Tóquio (Nikkei): +0,05%, a 42.633 pontos
- Hong Kong (Hang Seng): +0,93%, a 25.339 pontos
- Xangai (SSEC): +1,45%, a 3.825 pontos
- Shenzhen/Xangai (CSI300): +2,10%, a 4.378 pontos
- Seul (Kospi): +0,86%, a 3.168 pontos
- Taiwan (Taiex): -0,82%, a 23.764 pontos
- Cingapura (Straits Times): +0,49%, a 4.251 pontos
- Sydney (S&P/ASX 200): -0,57%, a 8.967 pontos
Fonte: Portal do Agronegócio, com dados de mercado internacional
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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