AGRONEGÓCIO
Mercado de insumos agropecuários impulsiona fusões e aquisições no Brasil
AGRONEGÓCIO
O mercado brasileiro de distribuição de insumos agropecuários segue em expansão, estimulando fusões e aquisições (M&A) no setor. Levantamento da Redirection International, especializado em assessoria M&A, indica que as transações vêm aumentando e projetam um crescimento médio de 8% ao ano até 2028, considerando dados oficiais e variáveis macroeconômicas.
Segundo Vinícius Oliveira, sócio da Redirection, apesar de desafios como aumento de custos, juros elevados e recuperação judicial de grandes players, o setor apresenta sinais claros de recuperação, tanto de forma orgânica quanto inorgânica.
Faturamento histórico e perspectivas de expansão
Dados da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) mostram que o faturamento do setor passou de R$ 110 bilhões em 2018 para R$ 167 bilhões em 2024, crescimento médio anual de 7,2%. O segmento engloba produtos, materiais e serviços essenciais para a produção agropecuária, distribuídos por cooperativas, distribuidores regionais e grandes grupos nacionais.
O panorama positivo é impulsionado pela expansão das redes de revendas, aumento da oferta de insumos especializados e perspectivas favoráveis para o agronegócio, com crescimento projetado da produção e da área plantada.
Fusões e aquisições em alta
Nos últimos dois anos, as operações de M&A mais que dobraram, passando de 5 em 2023 para 12 em 2024. O aumento reflete a consolidação de um mercado historicamente pulverizado, além da entrada de grupos capitalizados, fabricantes globais como Syngenta e Bunge, e fundos de private equity buscando ampliar sua atuação no Brasil.
Entre os exemplos recentes, destaca-se a aquisição da distribuidora Produtécnica pela Syngenta, ampliando a participação da multinacional no mercado interno, e a compra da Casa da Ração pela Alvorada, investida da Kinea, visando expansão regional e capilaridade em novos estados.
Estratégias e oportunidades para investidores
Vinícius Oliveira ressalta que as operações de M&A permitem às empresas aumentar capacidade regional, diversificar portfólio, otimizar canais de distribuição e reduzir custos. Além disso, empresas com caixa sólido, governança robusta e modelos de negócios ágeis permanecem atrativas, mesmo em um cenário de valuations mais conservadores e restrições ao ritmo de consolidação.
O especialista acredita que o setor deve passar por um rearranjo nos próximos anos, com oportunidades para operações enxutas e foco estratégico, aproveitando espaços antes ocupados por grandes players.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil soma 700 novos mercados e R$ 20 bilhões em negócios mesmo sob pressão de tarifas
As novas autorizações para vender produtos do agro brasileiro no exterior já geraram mais de R$ 20 bilhões em negócios desde janeiro de 2023, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O balanço, anunciado nesta terça-feira (13.10), acompanha a marca de 700 aberturas de mercado. Para produtores e empresas, o avanço amplia as opções de compradores num momento em que tarifas e outras restrições encarecem as vendas internacionais.
O número exige uma distinção: são 700 autorizações para produtos em diferentes destinos, e não 700 países. Um mesmo país pode liberar a compra de carnes, frutas e sementes, por exemplo, e aparecer várias vezes na conta. Cada aprovação permite disputar um mercado, mas ainda é preciso encontrar comprador e acertar preço, frete e condições de entrega.
Os R$ 20 bilhões mostram que parte dessas oportunidades já virou negócio. O valor, porém, não permite calcular quanto as aberturas acrescentaram às exportações totais do Brasil. Uma venda a um novo destino pode representar produção adicional ou substituir um embarque antes enviado a outro comprador. O balanço também reúne negócios de quase quatro anos; não é o resultado apenas de 2026.
Entre as liberações recentes está a venda de pescado brasileiro aos Emirados Árabes Unidos, tanto de captura quanto de criação. Também foram autorizados o mamão fresco para o Kuwait e o milho em grãos para a Síria. São oportunidades para cadeias diferentes, cujo retorno dependerá do tamanho das encomendas e do custo de atender cada comprador.
A busca por alternativas ganha peso porque um aumento de tarifa pode interromper pedidos mesmo quando há produto disponível. Entre os efeitos estão o adiamento de compras, a renegociação de contratos e a redução do ganho das empresas. Para quem produz, o risco é ter mercadoria pronta e encontrar condições de venda piores do que as previstas.
Ter mais compradores ajuda a reduzir esse risco e dá alternativas quando um destino restringe as compras. A concentração ainda é relevante: em 2025, a China respondeu por 32,7% das exportações do agronegócio brasileiro, quase um terço do total, segundo o Mapa.
Produtos do agro com muitos compradores internacionais tendem a encontrar alternativas com mais facilidade do que mercadorias feitas para clientes específicos. Ainda assim, trocar de destino não assegura a manutenção do preço. Um novo comprador pode pagar menos, exigir outro padrão de produto ou estar mais longe, aumentando a conta do transporte.
Embora a tarifa seja cobrada no país importador, o exportador brasileiro também pode pagar parte dessa conta. Se houver fornecedores concorrentes, o comprador pode exigir um desconto para manter o pedido. O negócio continua, mas sobra menos dinheiro para a cadeia que produziu e entregou a mercadoria.
Por isso, o efeito sobre o campo precisa ser medido também pelo preço recebido e pelos custos, além do volume exportado. Vender mais toneladas não garante maior renda: frete caro, descontos e despesas de produção podem consumir o ganho. Os R$ 20 bilhões anunciados são negócios realizados, não lucro dos produtores.
Há despesas antes mesmo do primeiro embarque. Certificações, comprovação da origem, adaptação de embalagens e transporte precisam entrar na conta. No pescado e nas frutas, por exemplo, a conservação durante a viagem pesa na viabilidade da venda. A autorização sanitária elimina uma barreira, mas não resolve toda a operação.
Produtores, cooperativas e agroindústrias também precisam manter registros que comprovem de onde vem o produto e como foi produzido. Essas informações podem ser condição para entrar e continuar no mercado. Organizar a documentação antes de negociar ajuda a evitar que uma oportunidade seja perdida por falta de comprovação.
Para 2027, a ampliação dos destinos oferece alternativas diante de novas restrições comerciais. O resultado para o produtor dependerá de transformar essas permissões em pedidos regulares, com preços que cubram os custos. A próxima medida do avanço será quanto cada mercado compra — e quanto dessa venda chega à renda de quem produz.
Fonte: Pensar Agro
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