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Arroz enfrenta crise de preços enquanto feijão registra valorização em meio à oferta restrita

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A 10ª edição da Safras Agri Week, realizada nesta quarta-feira (1º) pela Safras & Mercado, trouxe ao debate os rumos do mercado de arroz e feijão durante o painel “Mercado de Grãos e Fertilizantes”. O analista Evandro Oliveira destacou os principais fatores de pressão que afetam as cadeias produtivas e as perspectivas para a próxima temporada.

Arroz sofre com excesso de oferta e preços abaixo do custo

O mercado do arroz vive um cenário de crise que impacta desde o produtor até o varejo. Apesar dos preços mais baixos para o consumidor, a demanda não tem reagido como esperado. “Já vemos pacotes de 5 quilos abaixo de R$ 12, valor totalmente desconectado dos custos de produção”, explicou Oliveira.

A situação foi agravada pela safra recorde de 12,3 milhões de toneladas, somada a quase 1 milhão de toneladas de estoque inicial. Além disso, o avanço das importações — especialmente do Paraguai, que destina cerca de 80% de sua produção ao Brasil — ampliou a pressão sobre a oferta interna.

Outro ponto de impacto foi a entrada da safra norte-americana, que reduziu a janela de exportação brasileira e gerou déficit na balança comercial do setor. Como consequência, os preços caíram ainda mais.

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Atualmente, as cotações na Fronteira Oeste variam de R$ 54 por saca (produto de menor rendimento) a R$ 63 para o arroz nobre — patamares inferiores ao custo de produção e ao preço mínimo oficial. Segundo Oliveira, medidas de escoamento, como ampliação do uso ferroviário e redução de taxas de ICMS, são essenciais para reequilibrar o setor.

Feijão carioca impulsiona recuperação do mercado

Enquanto o arroz enfrenta dificuldades, o mercado do feijão mostra sinais distintos. O feijão carioca de qualidade superior, colhido na terceira safra irrigada, alcança valores próximos de R$ 300 por saca. A alta, no entanto, ocorre em meio a um mercado lento e com oferta restrita.

“O produtor segura a mercadoria, mas o feijão tem limitações de armazenagem, o que pode comprometer a qualidade”, destacou Oliveira. O Paraná, hoje, lidera o fornecimento de produtos de qualidade intermediária em um cenário de escassez geral.

Essa valorização também puxou o feijão preto, que vinha de forte desvalorização, com preços em algumas regiões a R$ 110 por saca — muito abaixo do custo de produção, estimado em R$ 200. Intervenções do governo, como PEP e PEPRO, tiveram efeito limitado. “A recuperação recente é muito mais psicológica do que concreta em termos de demanda”, avaliou o analista.

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Perspectivas para a primeira safra de feijão

A expectativa é de redução significativa na primeira safra. Oliveira projeta queda de mais de 7% na área plantada e de quase 13% na produção. O Paraná deve liderar essa retração, com estimativa de redução superior a 40% na área de feijão preto, o que pode reduzir em quase 50% a produção.

Os preços deprimidos têm levado produtores a migrar para o feijão carioca ou para o feijão mungo, especialmente no Nordeste, onde contratos de exportação oferecem maior previsibilidade. Para o analista, a próxima safra deve ser mais equilibrada em termos de diversificação, mas ainda marcada por uma demanda fragilizada.

Safras Agri Week segue com programação até amanhã

A Safras Agri Week continua até quinta-feira (2), com transmissão ao vivo pelo canal da Safras & Mercado no YouTube. O evento reúne especialistas e convidados do agronegócio para debater cenários, trocar experiências e preparar o setor para os desafios do próximo ano.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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