AGRONEGÓCIO
Pecuária brasileira reforça protagonismo em soluções climáticas e alimentares para a COP 30
AGRONEGÓCIO
A Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável (MBPS) divulgou seu posicionamento oficial para a COP 30, conferência climática que será realizada em novembro, em Belém (PA). O documento reúne evidências, propostas e recomendações que mostram como a pecuária brasileira já contribui de forma concreta para os desafios globais relacionados à crise climática e à segurança alimentar, e de que maneira pode avançar ainda mais nessa agenda.
Documento destaca contribuição da pecuária para o clima e a alimentação
Com base em dados atualizados e em experiências práticas do setor, o relatório da MBPS apresenta uma narrativa propositiva, ressaltando que a pecuária nacional já é sustentável em diversos aspectos e possui enorme potencial de evolução.
O material aborda temas essenciais como mitigação e adaptação às mudanças climáticas, mercado de carbono, investimentos sustentáveis e segurança alimentar, além de incluir recomendações sobre rastreabilidade, regularização fundiária e socioambiental e inclusão socioprodutiva.
Segundo Ana Doralina Menezes, presidente da Mesa Brasileira, o documento reforça uma visão transformadora:
“A pecuária não é parte do problema, e sim parte essencial da solução. Traz dados e propostas que revelam o potencial transformador do Brasil e mostram que o futuro do clima e da segurança alimentar também passa pelos nossos pastos.”
Brasil é líder mundial e tem potencial de reduzir emissões
O posicionamento da MBPS evidencia a força do setor pecuário brasileiro. O país possui o maior rebanho comercial bovino do mundo, com mais de 202 milhões de cabeças, e é responsável por 27,7% das exportações globais de carne bovina.
Além disso, o agronegócio brasileiro desempenha papel crucial na alimentação global, sendo responsável por prover alimentos para cerca de 800 milhões de pessoas em todo o mundo.
O documento também ressalta o potencial de mitigação da atividade: a recuperação de pastagens degradadas no país poderia remover até 65,9 megatoneladas de CO₂ da atmosfera, contribuindo significativamente para as metas climáticas nacionais e para uma produção cada vez mais sustentável.
Construção colaborativa e metas integradas ao desenvolvimento sustentável
O relatório foi construído de forma colaborativa ao longo de 2025, reunindo contribuições de mais de 60 organizações associadas, além de especialistas e parceiros estratégicos.
De acordo com Michelle Borges, gerente executiva da Mesa Brasileira, o processo simboliza a união de toda a cadeia produtiva:
“Esse posicionamento traduz a visão conjunta do setor, que se uniu para construir caminhos reais rumo a uma pecuária mais eficiente, inclusiva, economicamente sustentável e alinhada às metas climáticas globais.”
Próximos passos incluem entrega e debate durante a COP 30
A MBPS pretende entregar o documento a representantes do governo, enviados internacionais e instituições estratégicas antes e durante a COP 30, além de realizar apresentações oficiais e debates no evento.
A expectativa é que o posicionamento sirva de base para políticas públicas e iniciativas privadas, consolidando o Brasil como referência mundial na integração entre produção de alimentos, preservação ambiental e desenvolvimento sustentável.
O documento completo está disponível no site oficial da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: www.pecuariasustentavel.org.br
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Entidade diz que o campo preserva, mas há excesso de regras travando os produtores
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) decidiu reagir às críticas sobre o impacto ambiental do agronegócio e levou ao debate público um conjunto de dados para sustentar que a produção agrícola no Brasil ocorre com preservação relevante dentro das propriedades rurais.
A iniciativa ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, especialmente em mercados internacionais, e busca reposicionar a narrativa com base em números do próprio campo.
Entre os dados apresentados, levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agricultura ocupa cerca de 10,8% da área total. A entidade usa o dado para reforçar que a produção ocorre em uma parcela limitada do território.
No recorte estadual, a Aprosoja-MT destaca um levantamento próprio que identificou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios de Mato Grosso, com 95% delas preservadas dentro das propriedades rurais . O dado é usado como exemplo prático de conservação dentro da atividade produtiva.
A entidade também aponta que o avanço tecnológico tem permitido aumento de produção sem expansão proporcional de área. O Brasil deve colher mais de 150 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, mantendo a liderança global, com Mato Grosso respondendo por cerca de 40 milhões de toneladas.
Segundo a Aprosoja-MT, práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos têm contribuído para esse ganho de produtividade, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas.
Isan Rezende, presidente do IA
A associação também cita investimentos em prevenção de incêndios dentro das propriedades e manejo de solo como parte da rotina produtiva, argumentando que a preservação é uma necessidade econômica, e não apenas uma exigência legal.
Na avaliação de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) a preservação ambiental no campo deixou de ser uma pauta teórica e passou a ser parte direta da gestão da propriedade rural. Segundo ele, o produtor brasileiro já incorporou práticas que garantem produtividade com conservação, muitas vezes acima do que é exigido.
“Quem está na lida sabe que sem água, sem solo bem cuidado e sem equilíbrio ambiental não existe produção. O produtor preserva porque precisa produzir amanhã. Isso não é discurso, é sobrevivência da atividade”, afirma.
Rezende aponta, no entanto, que o ambiente institucional ainda cria distorções que dificultam o reconhecimento desse esforço. Para ele, há excesso de exigências, insegurança jurídica e regras que mudam com frequência, o que acaba penalizando quem já produz dentro da lei.
“O produtor cumpre, investe, preserva, mas continua sendo tratado como problema. Falta coerência. Quem está regular não pode continuar pagando a conta de um sistema que não diferencia quem faz certo de quem está fora da regra”, diz.
Na avaliação do dirigente, o debate sobre sustentabilidade no Brasil precisa avançar com base em dados e realidade de campo, e não em generalizações. Ele defende que o país já possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas enfrenta falhas na aplicação e na comunicação dessas informações.
“O Brasil tem uma das produções mais eficientes e sustentáveis do planeta. O que falta é organização e clareza nas regras, além de uma comunicação mais firme para mostrar o que já é feito dentro da porteira”, conclui.
Fonte: Pensar Agro
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