TJ AC
1º Encontro de Justiça Restaurativa do Acre promove diálogo sobre transformação social
TJ AC
Cultura pela paz é o conjunto de valores, atitudes e comportamentos que promovem a resolução de conflitos por meio do diálogo, respeito, direitos humanos e oposição à violência
Com o objetivo de fortalecer a cultura da paz, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) promove o 1º Encontro de Justiça Restaurativa do Acre nesta quinta e sexta-feira, 23 e 24 de outubro. A atividade está sendo realizada no auditório da Escola do Poder Judiciário (Esjud).
Dando o primeiro fôlego à narrativa do evento, a desembargadora Waldirene Cordeiro, supervisora do Núcleo de Justiça Restaurativa, elencou os eixos de atuação desenvolvidos pelo TJAC e como a disseminação das práticas restaurativas tem promovido a justiça social.

Em consonância, o secretário estadual adjunto de Educação, Reginaldo Prates, falou sobre o acordo de cooperação firmado para a execução do projeto Educar para Transformar, no qual 64 educadores passaram por formação e agora são multiplicadores da Justiça Restaurativa no ambiente escolar.
O presidente do TJAC, desembargador Laudivon Nogueira, definiu que este primeiro encontro é um ponto de inflexão visível, um marco institucional e a reafirmação do compromisso com a cultura pela paz. Em seu discurso, relembrou sua experiência enquanto juiz na Vara de Família: “A lide sociológica exige muita conversa e escuta ativa. Para assim enxergar o nó, pois todo o resto é apenas o novelo. Não devemos ser só burocratas, mas pessoas que estão servindo, para assim fazer a diferença e colaborar para a reconstrução social”.
Também compuseram o dispositivo de honra: o prefeito de Rio Branco Tião Bocalom; o promotor de Justiça Vanderlei Cerqueira; a defensora pública-geral Juliana Marques; a presidente em exercício da Ordem dos Advogados Seccional Acre, Thais Moura, e; representando o Instituto Federal do Acre (Ifac), o procurador federal Breno Fonseca.




Para o encerramento do momento solene, a servidora Mirlene Taumaturgo prestou uma homenagem ao presidente do TJAC, a diretoria da Esjud e ao Núcleo de Justiça Restaurativa. Para tanto, apresentou uma linha do tempo com o avanço dessa política na instituição, destacando a importância da quebra de paradigma fundamentada na lógica punitiva pela incorporação do cuidado e autorresponsabilização, “a justiça não se faz só nos autos, mas nas relações humanas”, disse.
“A Justiça Restaurativa serve para lembrar quem nós realmente somos” – Kay Prannis
A agenda educativa avançou com a preleção da juíza auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Kátia Roncada. A magistrada discorreu sobre a aplicação inicial da Justiça Restaurativa, enquanto solução para conflitos em relações institucionais e sindicâncias. Posteriormente, como se tornaram procedimentos estruturados, espaços para soluções e interrupções de crises. No entanto, foi ao contar sua experiência com círculos restaurativos, que a magistrada projetou de forma definitiva novas perspectivas de esperança e inovação nas conexões reais.
A palestra Rede de Proteção e Responsabilidade Compartilhada deu relevo a metodologia do Ministério Público do Acre (MPAC) e foi apresentada pela servidora Otília Marinho. Ela explanou sobre o Centro de Atendimento à Vítima e o Observatório de Violência de Gênero, por meio do qual traçou a complexidade dos ângulos da realidade local. A juíza Olívia Ribeiro, presidente da Associação dos Magistrados do Acre (Asmac), atuou como mediadora dessa pauta e, ao final, também relembrou boas práticas da Vara de Proteção à Mulher e o sucesso dos grupos reflexivos com os homens autores de violência doméstica.
A desembargadora Regina Ferrari tratou da Justiça Restaurativa na Socioeducação. Seu discurso conectou a visão inicial aos resultados práticos da atuação com o público infanto-juvenil. Isso foi feito a partir do compartilhamento da realização do projeto Mecânica de Bicicletas para socioeducandos e outras ações da Coordenadora da Infância e Juventude.
A programação continua no período vespertino com as palestras: Desafios da Justiça Restaurativa nas Prisões Brasileiras; Cultura Punitiva e Transformação Social; Justiça Restaurativa, Comunidade e Polícia. Já o cronograma do segundo dia será dedicado as mesas redondas: Promovendo Respeito e Dignidade: O Potencial da Justiça Restaurativa para Pessoas em Situação de Rua; Educação e Justiça Restaurativa – Cultura de Paz nas Escolas; Práticas Restaurativas em Unidades Prisionais.
















Fotos: Elisson Magalhães/ Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
TJ AC
Casal Huni Kuin viaja seis dias de barco para ser atendido no Projeto Cidadão
Nory Ferreira conseguiu o termo de curatela da mãe, enquanto o esposo, Tomas Rodrigues, ingressou com ação para corrigir a data de nascimento na certidão. Eles estão entre os mais de mil atendidos nesta edição do mutirão
Um casal do povo indígena Huni Kuin enfrentou seis dias de viagem de barco até Sena Madureira para ser atendido no Projeto Cidadão. Nory Ferreira, de 48 anos, e o esposo, Tomas Rodrigues, de 58, vieram da Aldeia Porto Rico, em Santa Rosa do Purus. O local tem acesso apenas pelo Rio Purus. Mesmo diante da distância, os dois buscaram os serviços públicos oferecidos pela ação social do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC).

Nory viajou com a intenção de obter o termo de curatela provisória da mãe, Albertina Kacixawá, de 85 anos. O documento permite que a filha represente e cuide dos interesses da idosa. É uma prova legal, perante bancos, órgãos públicos, hospitais e outras instituições, de que a mulher tem respaldo judicial para tomar decisões.
Ela contou que, há 10 anos, resolve tudo relacionado à vida da mãe. Para isso, tinha uma procuração, mas o documento só tinha validade de um ano. Por esse motivo, as duas precisavam comparecer ao cartório todos os anos. A tarefa era difícil, uma vez que ambas moram na aldeia e dona Albertina sofre com problemas de locomoção.

Cansada dessa situação, procurou a Justiça e obteve uma decisão favorável que concedia a curatela provisória da mãe. Entretanto, perdeu o termo e, consequentemente, voltou a enfrentar problemas para conseguir representar a idosa. A solução foi procurar o Projeto Cidadão. Deu certo. Em poucos minutos, estava com o documento em mãos.
O esposo de Nory, Tomas Rodrigues, de 58 anos, foi outro que se beneficiou dos atendimentos do Projeto Cidadão. No caso dele, havia um erro em sua certidão de nascimento. Ele nasceu em 1967, mas no registro consta como se tivesse nascido em 1972. Para corrigir o erro, precisou ingressar com uma ação de retificação. A Defensoria Pública, parceira da ação, deu andamento ao processo.

Mais de mil atendimentos
A história do casal representa uma das inúmeras atendidas nesta edição do Projeto Cidadão em Sena Madureira. A Coordenadoria de Apoio a Programas Sociais (Coaps), responsável pela ação, estima mais de mil atendimentos nos dois dias de mutirão no município. A iniciativa ocorreu nos dias 22 e 23 de setembro, das 8h às 15h, na Escola Professor Messias Rodrigues de Souza.
Durante o trabalho social, moradoras e moradores de Sena Madureira tiveram acesso a serviços como emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN), orientação jurídica, consulta processual e atualização cadastral em programas sociais.
A proposta do TJAC ao reunir diversos serviços públicos em um único espaço é garantir a cidadãs e cidadãos em situação de vulnerabilidade acesso rápido e gratuito à documentação básica, além de atendimentos nas áreas jurídica, de saúde, assistência social e cidadania.




Programação reforçada
Mais uma vez, a programação contou com o reforço da equipe da Coordenadoria de Bem-Estar e Saúde (Cobes). Em parceria com o município, foram oferecidos testes rápidos para hepatites B e C, HIV e sífilis, aferição da pressão arterial e da glicemia, vacinação, atendimentos médicos, odontológicos, nutricionais, fisioterapêuticos e psicológicos.
O operador de máquinas Suliekson Alves, de 38 anos, procurou o serviço de fisioterapia. Ele soube pelo rádio que o atendimento estaria disponível no Projeto Cidadão e foi avaliar a recuperação do pulso, fraturado após uma queda de uma caminhonete em movimento. Ao deixar a consulta, disse ter recebido boas notícias.
“Rapaz, isso aqui é um projeto que ajuda muito as pessoas que não têm condição financeira pra procurar um atendimento em outro município ou até mesmo pra se deslocar até outra cidade, sem saber se vai ser atendido. Através desse projeto aqui, muitas pessoas estão sendo beneficiadas”, afirmou Suliekson.

Projeto Cidadão no combate à violência de gênero
A Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Comsiv) participou do Projeto Cidadão com o programa Conscientização pela Paz no Lar. A equipe realizou palestras sobre prevenção e enfrentamento da violência doméstica e familiar para mais de 200 estudantes do 1º ano do ensino médio.
As atividades ocorreram na Escola Dom Júlio Mattioli e teve como objetivo promover uma reflexão entre alunas e alunos sobre a violência contra a mulher. As palestras pretendem contribuir para a formação desses adolescentes, os tornar capazes de dialogar sobre o tema, identificar e denunciar situações de violência doméstica.
Como forma de estímulo para conhecer mais acerca do assunto, os jovens foram incentivados a redigir um texto dissertativo-argumentativo. As melhores produções participam de um concurso de redação. Os vencedores de cada escola ganham um computador doado peo Tribunal de Justiça.




E não para por aí…
A programação termina com o casamento coletivo. A cerimônia ocorre nesta quarta-feira, 23, às 17h, na quadra poliesportiva da Escola Professor Messias Rodrigues de Souza. A celebração da união dos 100 casais será conduzida pelo juiz da Vara Cível de Sena Madureira, Caique Cirano.
Parceria
Esta edição do Projeto Cidadão contou com o apoio do Ministério Público do Acre (MPAC), da Defensoria Pública do Estado do Acre (DPE/AC), da Receita Federal, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Prefeitura de Sena Madureira e do Governo do Estado, por meio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), da Polícia Civil (PCAC) e da Secretaria da Mulher (Semulher).
Fotos: Gabriel Yjalade/Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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