TJ AC
86 casais oficializam o amor no casamento coletivo em Marechal Thaumaturgo
TJ AC
Evento integra as ações do Projeto Cidadão e garante união civil gratuita para pessoas em vulnerabilidade econômica
“Viver o resto da vida, se Deus permitir, até que a morte os separe”. É o desejo de Raquel Souza, de 25 anos, que acaba de oficializar a união com João Paulo Nobre, de 27. Após sete anos de relacionamento, o casal pôde realizar o sonho de casar ao participar do casamento coletivo promovido nesta quinta-feira, 6, às 15h, na Quadra Raimundo Bezerra Frota, em Marechal Thaumaturgo.
A cerimônia integrou o Projeto Cidadão, ação social do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), que possibilitou a união civil de 86 casais, gratuitamente. O objetivo é garantir o direito ao matrimônio a pessoas em situação de vulnerabilidade social que não dispõem de recursos financeiros para arcar com os custos do casamento.

Entre as histórias marcantes está a de Navila Nascimento, 31, e Jailson Oliveira, 35. Eles se conheceram durante uma visita da mulher ao município. Ela admite ter gostado dele ao conhecê-lo. A amizade entre os dois se transformou em amor, e há anos desejavam formalizar a relação, mas a falta de tempo e as burocracias impediam. Com o Projeto na cidade, consideraram ser o momento ideal para se casarem.
Manoel Mendes, de 23 anos, estava acompanhado da esposa Gabrielle Souza, de 22. Eles se conheceram durante a pandemia de covid-19, na zona rural do município. “Antes a gente não frequentava nenhuma igreja. Faz um ano que estamos na religião, pensamos juntos e decidimos nos casar”, contou o homem.




Pronunciamentos
Durante a cerimônia, o presidente do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), desembargador Laudivon Nogueira, destacou a importância da família: “A nossa Constituição Federal estabelece a família como a base da sociedade, e é mesmo. Não se pode pensar em nenhum país cuja a família seja fragilizada; ela é a estrutura maior [da nação]”.
Ele também ressaltou o papel social do Tribunal de Justiça, por meio do Projeto Cidadão, que possibilita a união de casais e o acesso gratuito à documentação. “Nesse momento, nós estamos levando cidadania efetiva e ativa a todos aqueles que realmente necessitam. O Projeto Cidadão há 30 anos cumpre essa tarefa de levar alegria, identidade, registro e casamento. Traz e completa o significado de ser cidadão acreano”, assegurou.

O coordenador do Projeto Cidadão e decano da Corte de Justiça acreana, desembargador Samoel Evangelista, evidenciou o empenho do Judiciário em atender a população de Marechal Thaumaturgo, ao recordar que um dos responsáveis pela Implantação do Centro Integrado de Cidadania (CIC), hoje Centro de Justiça e Cidadania (Cejuc), foi o atual presidente do TJAC, à época juiz auxiliar.
O decano desejou felicidades aos casais e pediu o compromisso de todos com a cultura da paz. “Ao escolherem unir suas vidas em matrimônio vocês estão selando um pacto de respeito e companheirismo. Violência doméstica jamais. Mulher não foi feita para servir o homem. Entre vocês tem que imperar o amor e amizade. Meus parabéns e que vocês sejam muito felizes”, declarou.

O prefeito de Marechal Thaumaturgo, Valdélio Nascimento, reafirmou a parceria entre o Executivo municipal e o Poder Judiciário, colocando-se à disposição para colaborar em novas edições do Projeto Cidadão. Ele disse ser testemunha dos benefícios que a iniciativa proporcionou à população local.
Cerimônia
A cerimônia foi conduzida pelo juiz de Direito Erik Farhat, que compartilhou a emoção de participar de um momento tão marcante na vida dos casais. O magistrado realçou o significado jurídico e afetivo do matrimônio: “O casamento traz uma proteção a mais para cada um de vocês. Essa proteção é exatamente o que cada um veio aqui oferecer em prol do outro.”
Na sequência, o juiz celebrou simbolicamente a união do casal mais jovem e experiente, e conduziu o momento dos votos, respondidos em coro por todas as noivas e noivos: “sim, eu aceito”. O tradicional beijo e a troca de alianças marcaram o encerramento.




Após a celebração, os casais puderam tirar fotos na decoração preparada especialmente para o evento e receberam suas certidões de casamento.
A cerimônia foi prestigiada ainda pelo juiz federal Felipe Lins; o promotor de Justiça Eduardo Lopes; a defensora pública Fenísia Araújo; o presidente da Câmara de Vereadores, Francisco Ribeiro; o superintendente do Incra, Márcio Alécio; o delegatário Victor Manaças; o secretário-geral do TJAC, José Carlos Martins; e a secretária municipal de Assistência Social, Jardene Farias, além de familiares e amigos dos casais.



Fotos: Gleilson Miranda/Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
TJ AC
Quando ouvir também é proteger: a escuta de crianças vítimas de violência
O depoimento especial é instrumento de humanização e proteção a infância e juventude – garantindo a escuta qualificada no sistema de justiça, sem revitimização
Existe uma tarefa muito delicada no Poder Judiciário: a de ouvir crianças e adolescentes que passaram por situações de violência. Para evitar que eles revivam o trauma ao contar a história várias vezes, existe o depoimento especial, um método focado em cuidado, segurança e respeito.
Essa demanda é atendida principalmente pela Vara da Infância e Juventude. Só neste ano de 2026, até agosto, a 1ª Vara de Infância e Juventude de Rio Branco, recebeu 394 processos e a Vara da Infância e Juventude de Cruzeiro do Sul outros 387, de acordo com o painel estatístico da Justiça em Números.
Na rotina da unidade, um psicólogo coletava o depoimento especial de uma criança. O processo está relacionado aos crimes de estupro de vulnerável e maus tratos. Infelizmente, a realidade por trás do volume dos processos mostra a vulnerabilidade de crianças e adolescentes acreanos, vítimas de diversos delitos como abandono e lesões corporais, além daqueles que sofrem com a exposição – direta ou indiretamente – a crimes violentos contra membro da família ou de sua rede de apoio.

Depoimento especial
É preciso compreender que a criança e o adolescente são indivíduos em desenvolvimento, em que mudanças físicas e psíquicas estão acontecendo a caminho da maturação. Isso é construído ativamente a partir da relação com o ambiente, sendo o resultado da interação de fatores internos (organismo) e externos (meio) do sujeito. Essa abordagem interacionista – fundamentada em autores como Jean Piaget, Lev Vygotsky e Henri Wallon – embasa a cartilha institucional sobre Depoimento Especial do Ministério Público da Bahia.
A escuta especializada e o depoimento especial são direitos garantidos por lei, previstos na Lei n.º 13.431/2017, que atualizou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) com o sistema de garantias para aqueles que foram vítimas ou testemunhas de violência. Posteriormente, a Resolução CNJ n.º 299/2019 estabeleceu os parâmetros nacionais dessas tarefas.
Para tanto, as salas de depoimento especial são ambientes fisicamente isolados das salas de audiência tradicionais, com o objetivo de oferecer segurança, privacidade e condições de acolhimento. Elas são equipadas com câmeras e microfones, que capturam o diálogo com um membro da equipe multidisciplinar. Desta maneira, o registro serve para que o depoimento seja colhido uma única vez, evitando a revitimização por repetir o relato traumático diversas vezes ao longo do processo.

Multiplicando o cuidado
Sobre os protocolos técnicos aplicáveis, a pedagoga da Vara da Infância e Juventude, Alessandra Pinheiro, vai conduzir o curso “Depoimento Especial com o Protocolo Brasileiro” na Escola do Poder Judiciário (Esjud), que terá carga horária de 40 horas.
As inscrições estão abertas até o dia 19 de outubro para as pessoas interessadas, que integrem a Central de Serviço das Equipes Multidisciplinares (Cesem), o Cadastro de Peritos, Tradutores, Intérpretes, Administradores Judiciais e demais Auxiliares da Justiça (CEPTEC) e o Centro de Atendimento Integrado à Criança e ao Adolescente (Caica), coordenado pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH).

Garantir a justiça é contribuir para a manutenção da paz e da ordem na sociedade. Neste Dia das Crianças, o lembrete é que a infância deveria ser sinônimo de proteção.

Fotos: Arquivo Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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